domingo, 17 de abril de 2011

O DIA EM QUE EU ME SENTI ENVERGONHADO

A minha igreja começou um projeto de apoio a um grupo de pessoas que vive numa comunidade carente próxima a nós e que está sob ameaça de desapropriação por causa da  grande valorização imobiliária que ocorreu na região. O projeto inclui pequenos cultos nos lares dessas pessoas, para entender melhor suas necessidades, estreitar o relacionamento, apoio técnico (jurídico, psicológico e outros), sem nunca esquecer de falar sobre Jesus. 

E assim nos reunimos no dia 13/04 em uma das casas,  que fica a 10 minutos de caminhada da nossa igreja, onde vivem três adultos, dois adolescentes e duas crianças, sem contar a que está a caminho, num espaço de apenas 20 m2. Não há esgoto, as paredes sao de papelão e madeira compensada e a água entra pelas frestras toda vez que chove.

Fiquei impressionado com a fé das pessoas que encontramos ali: elas creem que tudo vai melhor na vida quando a pessoa tem Jesus no coração. Oraram e cantaram conosco e ficaram com folhetos que vão distribuir na comunidade onde moram, para interessar outras pessoas na fé cristã.

Fiquei especialmente tocado com uma adolescente, a Crislaine: menina bonita e muito inteligente, dos seus 11 anos, que usava o uniforme da escola, provavelmente porque era a melhor roupa que tinha. Ficou perto de mim o tempo todo e pedia para não irmos embora, pois estava gostando da visita. Uma das irmãs dela tem apenas 17 anos, já teve um filho e está grávida de outro.

Quando cheguei em casa, comecei a rememorar tudo que tinha visto. Ocorreu-me logo que se algo não fosse feito rapidamente pela Crislaine, ela irá pelo mesmo caminho da irmã e acabará sem qualquer perspectiva na vida, com uma penca de filhos.  

Pensei também nas inúmeras vezes em que dei aula na Escola Dominical e falei do amor de Cristo e depois fui para casa comer um almoço gostoso, e pessoas bastante carentes e que porventura tinham assistido à minha aula, voltaram para sua realidade triste, talvez se perguntado onde estava esse amor do qual eu havia falado.

Lembrei-me ainda de como os meus próprios problemas são pequenos, em relação à realidade daquelas pessoas, mas tomam quase todo o meu tempo. E das inúmeras vezes em que me deixei vencer pelo comodismo e não ajudei os outros, quando poderia ter feito isto.

Finalmente pensei nas palavras de Jesus quando Ele disse que se déssemos até um copo d´água para qualquer um desses pequeninos, estaríamos fazendo isso para Ele. 

E aí confesso que chorei. Pela situação das pessoas que visitei e de vergonha de mim mesmo, por fazer tão pouco. 

Hoje eu só queria dividir esses pensamentos com vocês.

Com amor 

Vinicius

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