quinta-feira, 25 de agosto de 2011

SOMOS FEITOS À IMAGEM DE DEUS. O QUE ISTO QUER DIZER?

Na descrição da criação do mundo no Gênesis, a Bíblia diz que fomos criados à imagem e semelhança de Deus (capítulo 1, versículo 27). Ou seja, somos como cópias do próprio Deus, embora necessariamente empobrecidas, dadas as nossas limitações.

Recentemente, ao final de uma aula de Escola Dominical, uma pessoa me perguntou como é isto na prática? Deve ser interpretado que somos fisicamente parecidos com Ele? Ou nossa semelhança tem a ver com nossa capacidade intelectual?

No que tange à aparência física, é fácil de entender que não somos parecidos com Deus no sentido que um filho é parecido com o pai ou irmãs entre si. E isto é fácil de explicar: Deus é espírito e nós somos feitos de carne e sangue. Deus não tem sexo – a própria Bíblia o apresenta tanto com caráter masculino como feminino, embora o masculino seja mais comum. Logo, quando a Bíblia se refere aos "olhos", "braços", "pés" ou até "asas" de Deus isto não deve ser entendido literalmente. Trata-se de metáforas usadas para que possamos captar melhor a realidade complexa que é Deus - ao compará-lo com algo ao qual estamos acostumados, isso fica mais fácil. 

Se não é física, onde então está a nossa semelhança com Deus? Uma boa dica para responder essa pergunta seria buscar no próprio texto do Gênesis o que é contado sobre as caracterísitcas de Deus.

A primeira característica Deus que é amplamente mostrada no texto em questão é a sua capacidade criadora: Ele fez o mundo a partir do nada.  E todos aqueles que estudam como o mundo é acabam maravilhados com a beleza da sua estrutura e organização.

O ser humano é semelhante a Deus nesse aspecto pois também consegue de quase nada criar coisas maravilhosas: um artista pega uma tela, uns pincéis e um monte de tinta e pode fazer um quadro que emociona a todos. Coisas como o telefone celular, os computadores, a Internet, para ficar apenas no campo da tecnologia da informação são admiráveis, no entanto constituídas de um monte de plástico, um pouco de cobre e silício. Somente o ser humano em toda a natureza tem essa capacidade e aí está parte da centelha divina que reside em nós.

O relato da criação do mundo também nos mostra Deus dirigindo as coisas, para fazer delas algo que funcione de forma coordenada, voltada para um objetivo comum, que é prover capacidade para haver vida na terra.

O ser humano tem essa mesma capacidade pois consegue partir dos recursos da natureza e estruturar sociedades e sistemas econômicos de grande complexidade, que funcionam bastante bem. Essa capacidade é certamente outra centelha divina que habita em nós.

Deus também estabeleceu padrões morais que são universais. Por exemplo, pais devem cuidar dos filhos enquanto pequenos e filhos dos pais, quando os últimos envelhecem; matar de forma gratuita é errado; trair a confiança das pessoas também. Esses são princípios existentes em praticamente todas as culturas, independentemente do seu grau de desenvolvimento. Ou seja, para Deus é muito claro o que é certo e o que é errado e Ele nos indica então o que fazer. 

O ser humano tem a mesma capacidade de saber o certo e o errado. Aliás o relato de Adão e Eva gira exatamente em torno disto: como o ser humano deve usar esse entendimento. A capacidade que temos de perceber aspectos morais também só ocorre em toda a natureza no ser humano, estando aí outra parte da semente divina em nós.

Em resumo, o ser humano é semelhante a Deus na sua capacidade criadora, na capacidade organizadora e no entendimento do bem e do mal. Agora o ser humano difere de Deus nas escolhas que faz. Deus sempre escolhe o certo e o que é melhor, mas o ser humano não. 

Usamos nossa criatividade para fabricar armas cada vez mais sofisticadas, para permitir um consumo cada vez mais desenfreado, para gerar riquezas que são apropriadas por poucos, etc. Nossa capacidade para coordenar e dirigir nos permite travar guerras longas em locais distantes, montar esquemas de exploração dos trabalhadores pelos detentores do poder, estabelecer ditaduras que esmagam as pessoas, etc. Finalmente, nosso discernimento do bem e do mal nos permite elaborar leis que procuram trazer a justiça social e proteger os mais fracos, mas também nos permite encontrar mecanismos para burlá-las. E também nos permite criar desculpas para nós mesmos: falta tempo, tenho que pensar em mim primeiro, a sociedade é assim mesmo, e por aí vai.

Deus nos deu capacidades maravilhosas e cabe a cada um de nós saber como usar aquilo que recebeu de forma. Faça sua parte! Não desperdice o que Deus lhe deu!

Um abraço

Vinicius

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