segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A PALESTINA DENTRO E FORA DA BÍBLIA - PARTE 1

Introdução
A Palestina, também conhecida como Terra Santa, Israel ou Canaã, está outra vez nas manchetes, com o possível reconhecimento de um Estado não judeu pela Assembléia Geral da ONU. O nome Palestina para designar a região é hoje o mais difundido, inclusive na imprensa brasileira, por isto será usado neste post. 

A Palestina é um pequeno território (25.000 km²) espremido entre nações maiores. Ao sul, a potência sempre foi o Egito, enquanto que ao norte sempre há uma potência de plantão na região da Mesopotâmia (atual Iraque) ou próxima a ela, como a Assíria, a Babilônia, e a Pérsia (hoje Irâ). Invasores de outras regiões também dominaram a Palestina, como os gregos, os romanos, os árabes, os turcos e os ingleses.

Jerusalém é a cidade principal e razão de discórdia permanente entre judeus e muçulmanos, por ser sagrada para ambas as religiões. Lá está localizada a “Esplanada das Mesquitas”, ou "Monte do Templo", onde ficava o Templo consagrado a Deus, construído por Salomão e reconstruído por Herodes (na época de Jesus). Nessa mesma Esplanada estão localizadas duas mesquitas, Al Aksa e o Domo da Rocha. Esse último possui uma cúpula revestida de ouro e é considerado o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos (para eles, foi da rocha localizada dentro dele que Maomé subiu aos céus).

Jerusalém foi também o lugar onde Jesus Cristo morreu nas mãos dos romanos e onde ressuscitou após três dias na tumba, por isto sua importância para os cristãos e enorme.

Por isso tudo, essa pequena área tem uma grande importância política no mundo e cada evento que lá acontece tem repercussões globais.

Tendo em vista as inúmeras perguntas que tenho recebido sobre o assunto nos últimos dias, entendi que seria de interesse fazer um resumo do que se conhece da história da região, usando a Bíblia e as outras fontes históricas disponíveis. Naturalmente que a minha perspectiva, como não poderia deixar de ser, será cristã.

Os Patriarcas
A história da Palestina começa com um homem, Abraão, que acredita numa promessa de Deus, que seria o Patriarca de uma nação (Israel). Esta promessa está contida em diversos pontos do livro de Gênesis, como por exemplo no capítulo 17, versículos 5 a 8: "E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti; E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti. E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus."

Os Judeus, assim como a maioria dos cristãos, entendem que essa promessa é a base de seu pleito para ter a posse da Palestina. Enquanto isso os muçulmanos não aceitam a Bílblia como autoridade final sobre o assunto e alegam que Ismael - primeiro filho de Abraão e que, pela tradição, é o pai dos povos árabes - seria o verdadeiro e legítimo herdeiro da promessa de Deus a Abraão. Essa já é uma boa indicação de como o tema é difícil de discutir em bases equilibradas.

Um dos netos de Abraão, Jacó, teve doze filhos que foram os Patriarcas das 12 tribos (clãs) em que Israel se organizou. Jacó teve depois seu nome mudado por Deus para Israel (“o que lutou com Deus”). 

A família morava na Palestina mas acabou migrando para o Egito, após um período de grande fome. Ficaram lá por bom tempo, em boas condições de vida, mas acabaram escravizados. Deus levantou um libertador, Moisés, que livrou o povo do cativeiro. Esse povo peregrinou cerca de 40 anos pelo deserto do Sinai (atual Egito) e entrou na Palestina sob a liderança de Josué, o sucessor de Moisés. É nesse momento histórico, entre a saída do Egito e a entrada na Palestina, que nasce Israel como nação, história contada no livro de Josué. 

Israel jamais dominou totalmente a Palestina. Os Filisteus, por exemplo, habitavam numa faixa costeira ao sul, conhecida como Gaza (hoje Faixa de Gaza) e sempre mantiveram autonomia em relação a Israel. Jerusalém mesma, somente foi conquistada por volta do ano 1000 AC, muito depois da entrada do povo de Israel na Palestina.

O reino unido
Tempos depois, devido a crescente pressão que os Israelitas sofriam por parte dos Filisteus e outros inimigos, o povo pediu ao profeta Samuel, que lhes escolhessem um rei, para que passassem a ter um governo centralizado, juntando as 12 tribos, e mais forte. A escolha de Deus recaiu sobre Saul, que começou então o processo de unificação das tribos, conforme relato da primeira parte do livro de 1 Samuel.

O reinado de Saul foi conturbado com muitos desafios externos e constantes guerras. Saul perdeu o rumo e foi substituído por Davi, que foi um dos maiores líderes da história de Israel.Num golpe de gênio, Davi escolheu a cidade de Jerusalém para capital do reino, por que tal escolha não causaria ciúme a nenhuma das tribos, já que pertencia a um povo diferente, os jebuseus. 

Foi em Jerusalém que Davi se propôs a edificar um Templo para Deus, tarefa que foi concluída por seu filho, Salomão - por isto o edifício erguido passou a ser conhecido como Templo de Salomão. Assim Jerusalém passou a ser não somente o centro político de Israel, mas também o seu centro de culto, isto cerca de uns 3.000 anos atrás.

Os reinos separados
Depois houve uma rebelião das dez tribos do norte, que se separaram sob a liderança de um rei, Jeroboão. Esse novo reino passou a se chamar Israel, com capital em Samaria. Enquanto isso, ao sul, Roboão, filho de Salomão, continuou a reinar sobre o reino menor, chamado Judá, com sede em Jerusalém. 

Israel e Judá caminharam ao longo da história por vezes unidos e algumas vezes em conflito, havendo até momentos de guerra entre eles. Divididos, eles ficaram mais fracos e acabaram sendo destruídos pelos impérios que os cercavam. 

Israel, ao norte, viveu muitos altos e baixos, sendo governado por nada menos do que nove diferentes dinastias em cerca de 200 anos. Foi destruído, pelos Assírios, no ano de 722 AC. Boa parte da população foi levada cativa e nunca mais retornou, tendo perdido sua identidade cultural e nacional - estas são as chamadas “dez tribos perdidas de Israel”. O reino de Judá (ao sul) perseverou por mais cento e cinqüenta anos, mas foi destruído por Nabucodonosor, da Babilônia, em 586 AC. Nessa invasão foi destruído o Templo de Salomão, que teve seus tesouros saqueados (2 Reis capítulo 25). 

O retorno do exílio
O destino do povo judeu, após a destruição de Jerusalém e do Templo, pareceu tornar-se sem esperança. Mas, Deus uma vez mais se interveio, levantando um rei entre os persas, Ciro, o Grande, que derrotou os babilônios no ano de 539 AC. Ciro manteve uma política muito mais liberal para com os exilados e inclusive permitiu seu retorno. 

Um grupo de líderes judeus voltou então para Israel (Neemias, Esdras e outros) e Ciro inclusive permitiu que eles reconstruíssem o Templo de Jerusalém, por volta de 515 AC, mas mais pobre e simples que o original.

Mesmo de volta à sua terra, os judeus permaneceram submetidos a diferentes potências estrangeiras, que se sucederam ao longo da história. Primeiro pelos gregos e depois pelas dinastias derivadas de Alexandre, o Grande: os Selêucidas (na Síria) e os Ptolomeus (no Egito).

Houve então uma revolta, liderada pela família Macabeus, que trouxe a independencia por cerca de 100 anos apenas, mas por volta do ano 60 AC chegaram os romanos. E tudo ficou mais difícil.

Continua na parte 2

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