quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O ORGULHO DE SER HUMILDE

Na igreja onde eu fui criado, tinha uma pessoa que vivia dizendo que era humilde. Tantas vezes ouvi aquilo, e sem entender bem porque a pessoa se preocupava tanto em ser humilde, perguntei ao meu pai o que estava acontecendo. E nunca me esqueci da resposta dele: “essa pessoa tem orgulho de ser humilde”. 

Ali meu pai me ensinou duas coisas. A primeira delas é que o ser humano é contraditório. Mas, esse não é o assunto de hoje e a reflexão sobre a contradição humana fica para outro dia.

 
A segunda coisa que aprendi naquele dia é como a humildade é difícil de ser vivida. Não há dúvida que Jesus nos ensinou a sermos humildes (ver Lucas capítulo 22, versículo 26): Ele lavou os pés dos discípulos antes da última ceia e disse que o maior no Reino de Deus seria o que servisse os demais. 


Mas saber disso é uma coisa e viver outra bem diferente. Tal fato fica bem aparente quando há testemunhos nas igrejas sobre graças especiais alcançadas - é claro que não sou contra os testemunhos e entendo que é uma obrigação de cada cristão. Eu me refiro a como as pessoas relatam o acontecimento. Muitas vezes elas enfatizam a persistência e a fé delas mesmas mais do que a ação do Espírito Santo. Ou seja, a glória acaba dividida: um pouco para as pessoas e um pouco para Deus.
 
O escritor Richard Foster define humildade como a capacidade de viver “o mais perto possível da verdade e isso inclui a verdade sobre a própria pessoa.”  Ou seja, ser humilde tem a ver com o entendimento claro daquilo que a própria pessoa é ou não capaz de fazer. Há uma passagem acontecida no final da vida de Jesus na terra que exemplifica bem isso. O apóstolo Pedro disse a Jesus que iria com Ele até o fim e acabou negando-o por três vezes, de maneira ridícula (ver Marcos capítulo 14, versiculos 27 a 31). Mesmo depois de viver três anos com Jesus, Pedro ainda era incapaz de entender até onde conseguiria ir e pensava ser capaz de fazer bem mais do que de fato podia.

 
Quando não somos humildes, achamos que somos capazes, que estamos trilhando o caminho que estabelecemos para nós mesmos. E depois nos surpreendemos quando não conseguimos perceber Deus trabalhando em nossas vidas - se nós se estamos trabalhando, não há lugar para Ele trabalhar. 


Na verdade, dependemos de Deus para tudo: viver, fazer planos, cumprir o que foi planejado, mudar de direção, etc. E um primeiro passo para esse entendimento é saber que nossa vida não é nada: estamos aqui neste mundo agora e minutos depois podemos não estar mais. 

Dois dias atrás minha mulher foi com sua mãe até uma praia perto de São Paulo, encontrar a família do irmão dela. Todos foram a um restaraurante almoçar. Quando entraram, depois de arrumar o lugar para o sobrinho de dois anos se sentar, ela também se sentou. Segundos depois o vidro da janela próxima a eles explodiu sozinho e ficou em pedaços. Por poucos segundos, ela ou o sobrinho não estariam aqui para contar a história ou, no mínimo, teriam ficado bem feridos.
 
Precisamos, portanto, perceber que nossos esforços, embora importantes, nada significam se Deus não nos der suporte. Lembro-me bem quando passei num dos vestibulares mais difíceis do país, com apenas dezessete anos - eu não cabia dentro da minha propria roupa, de tanto orgulho. Meus pais fizeram um culto de ações de graças e eu pensei comigo mesmo: se eu não tivesse estudado e sido competente, nada disso teria acontecido, logo os cumprimentos deveriam ser para mim. Esqueci-me de lembrar que eu tinha saúde, tido os professores certos, que diversas pessoas me ajudaram em momentos cruciais da minha vida, etc. E nada disso tinha dependido da minha "competência". Eu tinha feito minha parte sim, mas sem Deus nada teria sido conseguido. Mas a vaidade e o orgulho não me permitiam perceber isso naquele momento e ser grato como deveria - ainda bem que Deus foi paciente comigo.

 
Há um outro ensinamento - esse eu não aprendi com meu pai, mas sim com o apóstolo Paulo e muitos anos depois: quando nos percebemos fracos, aí é que somos verdadeiramente fortes (ver 2 Corintios capítulo 12, versículos 7 a 10). Paulo escreveu isso depois de pedir por três vezes que Deus curasse um terrível incômodo que tinha (o tal “espinho na carne”) e tinha recebido como resposta que a Graça de Deus lhe bastava. 


Em outras palavras, quando nos percebemos fracos, sem condições de fazer as coisas sozinhos, recorremos a Deus. Nos mostramos humildes, ao entender nossa limitação, e Deus gosta disso. Aí ficamos muito mais fortalecidos, pois não contamos apenas com nossos próprios e limitados recursos. Passamos a ter a força Dele ao nosso lado.

E quando conseguimos perceber a ação de Deus em nossas vidas, é melhor ainda. Ficamos ainda mais fortalecidos.  Outro dia estava lendo um texto, que até me forneceu inspiração para este post, onde a autora contou que precisava de certa quantia e orou muito para que Deus mandasse. E o dinheiro chegou. Aí comentaram que, como ela era uma missionária e Deus prometeu cuidar dos seus obreiros, nem deveria ter sido necessário orar pedindo ajuda. Será que Deus não providenciaria o necessário mesmo sem oração? A resposta que ela deu foi fantástica: Sim, mas se ela não tivesse orado, não saberia que tinha sido Deus o responsável pela solução do problema!

Com carinho

Um comentário:

  1. Excelente texto!
    Gostei muito, tava precisando, Deus te abençoe e te use pra fazer muitos outro!

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