sexta-feira, 23 de março de 2012

COMO A GENTE FAZ PARA TER FÉ

Ora, a fé é a certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem.
       Hebreus capítulo 11, versículo 1

Com frequência, os cristãos lutam com sua fé. Surge um grande problema e a fé fraqueja, ou há um grande desafio pela frente e a fé não é suficiente para enfrentá-lo. Por isso eu gostaria aqui de analisar os "bastidores" da fé, isto é o que faz alguém ter fé.

Os componentes
Martinho Lutero, o grande Reformador, ensinou que a fé tem três componentes - entendimento, rendição e confiança -, que entram em cena exatamente nessa ordem


A fé começa pelo entendimento de determinadas verdades. Afinal, não faria sentido ter fé em algo que não se sabe bem o que é e/ou para que serve – aí não seria fé e sim crendice.  

O segundo componente é a rendição às verdades que foram compreendidas. Isto é necessário porque não adianta a pessoa entender as verdades de Deus e continuar a achar que suas próprias verdades são mais corretas e adequadas para sua vida. 

O terceiro componente é a confiança: depois de entender as verdades e se render a elas, a pessoa ainda precisa adquirir confiança de que tudo aquilo vai se cumprir na vida dela. Ter confiança em coisas que não são vistas é muito difícil e por causa disso é muito comum duvidar.

No versículo que está no começo deste post, o apóstolo Paulo definiu a fé como "a certeza das coisas que se esperam". Ele, de forma brilhante, resumiu  numa única frase tudo que eu disse antes. A fé pressupõe que a pessoa espera alguma coisa e ela só pode esperar algo que entenda e saiba que deve ser esperado. Depois a pessoa precisa ter se rendido à necessidade dessa espera, ou seja aceitou que esperar aquilo é o melhor para ela. Aí então vem a confiança, que transmite certeza quanto ao resultado da espera, mesmo que nada tenha sido materializado até então. 

Problemas relacionados com a fé
Quando a fé fraqueja ou não é suficiente, o problema certamente está no desajuste de algum desses componentes. 


O primeiro desajuste pode decorrer do fato de que a pessoa não entendeu corretamente o verdadeiro objeto da sua fé - tanto pode ser que ela não tenha se esforçado suficientemente para obter essa compreensão, como pode ter sido instruída de forma errada

A falta de esforço para buscar esse entendimento indica pouco compromisso da pessoa com as coisas de Deus e uma fé verdadeira não pode nascer nessas bases. Já uma fé montada em bases falsas não vai se sustentar porque não contará com o testemunho do Espírito Santo - infelizmente muitos pregadores, para facilitar seu trabalho, levam as pessoas a crer em promessas fáceis de acreditar e agradáveis de ouvir, mas vazias de verdade.

O segundo tipo de desajuste decorre da resistência da pessoa em se render à verdade que foi compreendida, pois isso vai ter um "custo" para ela: será preciso abrir mão de hábitos que lhe são caros, de relacionamentos agradáveis ou até de fontes de renda significativas. Lembro-me bem do caso de uma amiga, policial, que me contou ter dado durante algum tempo o dízimo sobre o  dinheiro que recebia como corrupção - claro que depois ela mudou de comportamento. Às vezes as pessoas tentam ficar com um “pé em cada barco”, mas é difícil manter os dois barcos juntos e ou a pessoa escolhe um "barco" ou acaba dentro d´água.

Finalmente, a pessoa pode não conseguir confiar em Deus por não querer entregar o controle total da sua vida a Ele. Entregam os problemas para Deus, mas 5 minutos depois se arrependem e pegam de volta - e ficam também com a insegurança, a ansiedade e as dúvidas.

Meu caminho na fé
Já vivi problemas com os três componentes da fé - em alguns aspectos consegui avançar bastante mas em outros ainda há muito o que fazer. Por isso ainda não tenho a fé que deveria.


Quando era jovem, achava que já conhecia a Bíblia o suficiente e, em consequência dessa posição arrogante, acreditava num Deus que exisita apenas na minha mente e que não era bem Aquele revelado na Bíblia. Demorei a me convencer a voltar a estudar a sério a Bíblia, o que somente fui fazer com 37 anos, depois de dar várias cabeçadas.

Ao estudar melhor a Palavra, vi que diversos hábitos que eu tinha e me eram caros, não podiam ser considerados adequados – por exemplo, julgar o próximo, recusar a perdoar quem tinha me ferido ou dar mais atenção a coisas como futebol e televisão do que ao estudo da Bíblia. Tive que ir me rendendo aos poucos a essas verdades, um “setor” da minha vida por vez. Acho que ainda não conclui esse processo inteiramente.

Finalmente, quis muito controlar minha vida, achando que tinha poderes para isso. Já me preocupei muito com o dia de amanhã. Hoje deixei tudo isso de lado e sinto um grande alívio em descrregar meus problemas nas mãos de Deus. 


Mas conseguir isso não foi simples. Foi preciso chegar a uma situação em que havia “problemas de mais para Vinicius de menos” - ver o post do dia 18/03/12. Aí aprendi a entregar tudo para Ele, até porque não tinha outra coisa para fazer.

Com carinho
Vinicius

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