quinta-feira, 19 de abril de 2012

VOCÊ ESTÁ ESTUDANDO TEOLOGIA E NEM SABIA...

Você vai falar de apologética no seu blog? Está louco? Ninguém vai querer ler sobre isso.” Foi o que ouvi de um amigo, quando contei para ele os planos que tinha - apologética é a parte da teologia que faz a "defesa da fé cristã", ou seja discute coisas como as provas de que Deus existe, de que Jesus Cristo veio mesmo ao mundo, de que nem todos os caminhos levam a Deus e outras questões assim.

Aqueles que têm acompanhado esse blog sabem que já falei muitas vezes sobre esses temas aqui (por exemplo, nos dias 30/08/11, 3/09/11, 30/09/11, 19/12/11, 20/12/11, 6/01/12, 9/01/12, 2/02/2, 24/02/2, 4/03/12, 21/03/12, 10/04/12 e 14/04/12) e vários desses textos estão entre os mais populares do blog.

Na verdade, as pessoas constroem mitos que acabam se tornando “verdades”. Por exemplo, existe o mito de que o “povão” gosta de programa de televisão ruim – sem conteúdo, com piadas de baixo nível, com mulheres seminuas sambando, etc. Mas, na prática, toda vez que surgem coisas boas e inovadoras na televisão, jogam os programas para horários muito tardios, dificultando que as pessoas assistam. E aí a audiência é baixa, “confirmando” o mito.

Teoria ou prática?
Há três mitos que de certa forma desafiei, acho que com sucesso, aqui neste blog:
 

Mito 1: As pessoas não estão prontas para estudar teologia 
Imagine que você chega para um grupo de cristãos e faça a pergunta: Como você sabe que Deus existe? Ou ainda,  como você sabe que a Bíblia relata fatos verdadeiros? Vai receber muitas respostas e a mais frequente será: "eu não sei, mas queria saber." Eu posso afirmar isso pois já fiz esse tipo de teste muitas vezes, em diferentes ambientes.

As pessoas discutem questões teológicas com muito mais frequência do que pensam, apenas não sabem que estão fazendo isso. Perguntas como essas aparecem toda hora e as pessoas estão prontas para ouvir as respostas.

Mito 2: Teologia é muito acadêmica
É claro que estudar teologia puxa um pouco pelo raciocínio das pessoas. Mas isso não é ruim, afinal Deus nos criou com cérebros. Se esse processo for muito exagerado, certamente as pessoas vão ter dificuldades de entender e ficar desmotivadas. Mas isso não quer dizer que nada pode ser estudado do ponto de vista teológico.

Mito 3: Estudar teologia leva ao questionamento da Bíblia
As pessoas vão questionar e ser questionadas sobre a Bíblia quer estudem teologia ou não. Mas é o estudo da teologia que ajuda a resolver essas dúvidas e deixa as pessoas mais seguras quanto à sua fé. 


O casamento perfeito entre teoria e prática 
Cristãos mais tradicionais tendem a enfatizar a teologia, com suas prescrições de como deve ser o comportamento das pessoas. Já aqueles que seguem uma linha dita mais espiritualizada (neopentecostais, carismáticos e outros) tendem a enfatizar a experiência, pois ela seria tudo que verdadeiramente importa. 

Ora, a Bíblia nos mostra que ambas as abordagens, tomadas isoladamente, limitam a experiência cristã. Sem teoria, o cristão não sabe no que deve crer e acaba sendo presa fácil de qualquer aventureiro. Por outro lado, sem a prática, a teologia fica “engessada” e vazia e não serve rigorosamente para nada - por exemplo, de que adiantaria escrever longamente sobre a importância da oração e não conseguir orar?  
 
E há um excelente exemplo desse casamento: o grande escritor cristão C.S Lewis produziu dois livros sobre o sofrimento humano. No primeiro deles, chamado “O problema da dor”, tratou dessa questão sob um ponto de vista teórico (teológico) – ele buscou na Bíblia conceitos para embasar uma doutrina que ensinasse o cristão a passar pelo sofrimento. Já no livro chamado de “Anatomia de uma dor”, ele descreveu a experiência que teve de perder a mulher da sua vida (sua única paixão verdadeira) para o câncer. É um relato pungente e belo, vindo do coração.

Os dois livros são muito diferentes entre si e se complementam perfeitamente. O primeiro é teórico, racional e organizado, enquanto o segundo é um grito de desespero lançado ao espaço. Mas as pessoas somente podem avaliar inteiramente o impacto do sofrimento vivido sobre a vida espiritual de Lewis, quando aprenderam os conceitos teológicos que ele mesmo apresentou no seu primeiro livro sobre essa questão. Se você tem dúvidas, leia os dois livros nessa ordem - primeiro o teórico e depois o prático - e verá que tenho razão. Ambos estão disponíveis em português e não são caros.

Conclusão
A vida do cristão não pode ser uma disputa entre mais raciocínio teológico ou mais prática espiritual. É preciso ambos e em igual dose. Não se trata de fazer uma coisa em detrimento da outra, mas sim fazer ambas e enriquecer um tipo de vivência com o outro.

Com carinho

Vinicius

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