quinta-feira, 17 de maio de 2012

AS VIRTUDES CRISTÃS

É natural imaginar que um cristão verdadeiro seja uma pessoa virtuosa e que suas virtudes irão dar testemunho da obra do Espírito Santo na vida dele/a, o que irá incentivar aqueles que ainda não se converteram a experimentar o mesmo caminho.

Mas, na prática, as virtudes são coisas muito mais "misteriosas" do que possam parecer à primeira vista. Em primeiro lugar porque algumas coisas que parecem ser virtudes, na realidade, não o são. Por exemplo, ser polido parece ser uma virtude – afinal todo mundo gosta de lidar com uma pessoa que demonstre educação -, mas trata-se de uma pseudo-virtude. Tanto é assim que os maiores estelionatários normalmente são pessoas muito agradáveis e educadas.

Em segundo lugar porque aquilo que parece ser virtude numa situação pode ser visto de forma diferente numa outra. É como diz o ditado popular: às vezes, as nossas maiores qualidades são também os nossos maiores defeitos. Por exemplo, todo mundo gostaria de ter um chefe que fosse democrático no trato das questões de trabalho.Agora imagine um incêndio na sua casa. Como você se sentiria se o chefe da equipe de bombeiros dissesse para os demais bombeiros que iria fazer uma reunião e ouvir a opinião de todos, antes de decidir como atacar o incêndio? É claro que você não ficaria nada satisfeito e sentiria extrema falta de alguém com pulso firme, que desse as ordens necessárias. 

Finalmente há ainda a questão do grau. Por exemplo, a coragem é uma virtude importante. Mas a coragem precisa existir na medida certa: quando é de menos vira covardia, quando é além da conta vira temeridade. Logo, há um ponto ótimo, um meio termo saudável.

Definição das virtudes cristãs
São aquelas que ficam explícitas nos ensinamentos da Bíblia. E a diferença entre elas e as demais virtudes é que são absolutamente verdadeiras, isso é valem para qualquer circunstância e não tem restrição de grau (quanto mais, será sempre melhor): 

Mente pura: pensar da forma correta é algo fundamental, afinal é difícil que de maus pensamentos nasçam boas ações. Aprender a pensar corretamente - evitar a hipocrisia, o autoengano, os preconceitos, a mentira, as imoralidades, etc - é fundamental na vida qualquer cristão.

Confiança absoluta em Deus: trata-se da capacidade de manter a confiança e a esperança naquelas coisas que sabemos (temos fé de) serem verdadeiras - a salvação, as promessas apresentadas na Bíblia, o amor de Deus, etc -, mesmo nos momentos mais difíceis. 

Compaixão: não apenas sentir pena do sofrimento alheio, mas também ser movido a agir para minorá-lo através da doação de recursos materiais, de trazer consolo emocional, etc. 

Humildade: nenhuma virtude se sustenta em cima do orgulho, pois acaba deixando de ser virtude. Humildade não é pensar menos de si mesmo ou deixar de se orgulhar dos resultados que q pessoa tiver alcançado pelos seus próprios méritos. É, na verdade, a pessoa ter uma visão clara e realista da sua dependência de Deus. 

Perdão: A capacidade de perdoar é uma virtude profundamente cristã, pois não está presente em nenhuma outra religião - para maiores detalhes ver post do dia 27/05/11.  

Paciência: A Bíblia chama essa virtude de longanimidade. Trata-se da capacidade de experimentar desconforto e/ou dificuldades de toda ordem, sem murmurar contra Deus. 

Frugalidade: aprender a viver com menos, não invejar os outros e especialmente não se deixar levar pelo consumismo que permeia a nossa sociedade. 

Palavra final
Nem todos os cristãos já têm ou terão as mesmas virtudes e no mesmo grau. pois é normal que as pessoas sejam mais desenvolvidas numa área do que em outras. 



O que Deus espera de nós é um processo de crescimento e amadurecimento contínuo (ver post do dia 02/12/11). Isso ocorre porque mudar hábitos e costumes, especialmente aqueles que já estão mais arraigados, é algo difícil. 


Com carinho
Vinicius

10 comentários:

  1. Na perspetiva bíblica cristã, a homossexualidade é um preconceito ou uma imoralidade?

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    1. Há dois aspectos para essa questão. A Bíblia sem dúvida fala que há pecado na prática. Mas também há muito preconceito por parte dos cristãos que não sabem como lidar com essa questão de forma amorosa. Mas não tenho espaço para lidar com isso aqui, o que vai requerer um post ou até mesmo uma série deles.

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  2. A sua resposta é sempre muito interessante e diplomática…e não é necessário um post para me responder a mim ou outros. São necessários argumentos que validem a nossa posição seja em comentário ou post…
    Eu nunca li todas as suas publicações, mas alguns títulos saltam mais à vista, é-me então claro que você tem uma enorme dificuldade em aceitar a subjetividade humana no que diz à moralidade.
    Realiza uma belíssima dissertação retórica de filosofia humana em que conscientemente reconhece toda a subjetividade moral humana ao ponto de charmar “misteriosas” às virtudes, e no final sempre se refugia numa filosofia teologica, no caso a bíblia, que como sabemos todos define numa moralidade absoluta.
    Quando diz explicitamente que a bíblia representa e define as absolutas e verdeiras virtudes(cristãs), você coloca a bíblia como bandeira da moralidade. Portanto, se a bíblia é representação da verdadeira moralidade e você confirma que sem dúvida esta condena a homossexualidade, trata-se realmente de um preceito bíblico que define uma imoralidade absoluta que pode muito bem justificar o “preconceito”.

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    1. Infelizmente percebo em você uma vontade de discordar somente pelo prazer de polemizar. E isso fica claro na sua própria declaração de que não leu o que escrevi e se guia pelos títulos dos posts para fazer julgamentos. Não acho que esse seja uma postura justa para quem realmente discutir ideias que são colocadas abertamente, como faço aqui.

      Em segundo lugar, eu defendo sim posições aboslutas e não me nevergonho disso. Sigo a Bíblia e ela apresenta uma moral absoluta, estabelecido pelo próprio Deus. Aliás essa é a posição da maioria dos cristãos.

      A alternativa à moral absoluta é a moral relativa, na qual cada um defende e adota aquilo que entende ser o melhor. E essa é uma posição que não se sutenta. Basta ver que a declaração "não há verdades absolutas" embute uma grande contradição. Afinal, se essa frase for válida para todo mundo, ela em si seria uma verdade absoluta e contradiria o próprio conteúdo da declaração. E se ela não for uma verdade absoluta, ela não tem o menor sentido.

      Essa contradição do pos modernismo já foi vista e apontada por muitos filósofos e há muita literatura a esse respeito que você pode consultar. Essa é uma postura que não se sustenta por si mesma.

      Portanto, há verdades absolutas e a questão é outra: quais verdades são essas? Minha visão é que essa verdade foi estabelecida por Deus na Bíblia. Nunca escondi que penso assim.

      Agora, uma coisa é estabelecer que algo é ou não pecado, à luz da Bíblia e outra coisa é como se trata o pecador. Eu parto do princípio que todos somos pecadores, conforme o apóstolo Paulo estabelece na carta aos Romanos e, sendo assim, não há aquele melhor do que o outro.

      E infezlimente as pessoas se fixam mais em uns pecados do que em outros. Por exemplo, Jesus atacou fortemente o pecado da hipocrisia e penso que as pessoas dentro das igrejas não levam isso em conta como deviam e têm preferencia por apontar outros tipos de pecados. E é nesse sentido que disse que há preconceito sim, o que precisa ser corrigido.

      Finalmente, acho que cabe a mim dizer o espaço que preciso para defender um tema que entendo ser complexo. Se entendo que é preciso um ou mais posts, é que farei e no momento que entender adequado.

      Com todo respeito, não é você que define a pauta que sigo neste blog. Faço o melhor que posso, mas com base naquilo que entendo ser o melhor e o mais oportuno.

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    2. Repare, não há polémica nenhuma da minha parte. Se existir polémica vem do desconforto dos meus argumentos.
      Quanto às verdades absolutas cristãs como defende, um dia explique a um Mulçumano porque é que as verdades absolutas do Alcorão estão erradas e as da bíblia são o caminho correto. Nesse dia, falaremos de relatividades e como os Mulçumanos são polémicos no que defendem…

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    3. Há duas questões diferentes envolvidas nessa discussão, como coloquei na minha primeira resposta. Primeiro, a questão que há sim verdades absolutas. Isso é um fato já estabelecido por muitos filósofos, cristãos e não crsitãos, sendo o argumento principal aquele que comentei - a declaração "não há verdade absoluta" é auto-refutável. Neste aspecto os muçulmanos estarão plenamente de acordo comigo.

      A segunda questão é qual a verdade absoluta. Conforme disse na minha resposta anterior, eu sigo a crença cristã e acredito que a verdade absoluta é aquela que Cristo nos trouxe. Não tenho aqui qualquer pretensão de tentar convencer muçulmanos, pois esse não é o objetivo deste blog. E há pessoas muito mais capacitadas para fazer isso. Mas creio sim que há bons argumentos neste sentido.

      O título do blog já define bem o meu objetivo limitado aqui: ajudar as pessoas a vencer o desafio de viver um cristianismo saudável. Só isso.

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    4. Sim…a auto-refutabilidade do "não há verdade absoluta" é um fato, mas em última análise sua resposta é a do costume e igual à que qualquer Mulçumano daria, a crença…

      Pode não querer convencer nenhum Mulçumano da sua verdade absoluta, fundamentada na bíblia crista, mas a evidência que não pode negar perante o seu blog e sua temática é que tenta ser públicamente convincente que o caminho verdadeiro é o cristianismo. Outro fato que não pode refutar é que em termos lógicos ao estabelecer uma verdade absoluta invalida outras que se opõem, e esse é um fato que enquanto existirem outras verdades absolutas vai ter que se confrontar. No final um simples “é a minha crença” resolve tudo…

      E como refere na descrição do seu blog, fica a dúvida honesta: Para quem está de fora, qual a verdade absoluta da palavra de Deus, Jesus ou Maomé? Com todo o respeito pelas verdades absolutas de outras religões…lá está!

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    5. A vivência de uma religião, seja ela qual for, sempre embute um elemento de fé. Afinal, nunca será possível entender tudo que se refere a Deus, como eu mesmo reconheci em post recente. E essa exigência de fé, no caso do cristianismo é muito clara, quando é dito que "sem fé não é possível agradar a Deus".

      É fato que uma verdade absoluta invalida todas as demais que a contrariam. E não vejo problema nenhum com isso. É assim, por exemplo, que ocorre no domínio das ciências, pois quando uma verdade é estabelecida, as demais alternativas se calam.

      Agora, sem dúvida, fica a questão de qual é a verdade absoluta. Ou, fazendo um jogo de palavras, qual é a verdade "verdadeira". É evidente que um muçulmano entende que essa verdade é diferente da admitida pelo cristão, especialmente no que tange à pessoa de Jesus Cristo. Mas acho que isso é natural, pois os seres humanos têm liberdade de pensar livremente e é natural que cheguem a conclusões diferentes.

      E eu não tenho a pretensão aqui de dirimir dúvidas do tipo "cristo ou maomé". Meu escopo é diferente, pois parto da fé cristã e e sigo a partir daí. Até porque existem livros muito bons que já discutem esse tipo de questão e entram em detalhes que eu não poderia abordar aqui - por exemplo, "O Universo ao lado" de Sire. Nada do que eu viesse a falar acrescentaria muito ao que já está dito nesses livros. Então, sigo modestamente no meu caminho de discutir a vida cristã.

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    6. Repare, como acabou de mostrar, a fé é a forma mais fácil de conhecimento. Havendo fé tudo está explicado por Natureza…Se eu lhe disser que tenho fé que o Pai Natal existe? É capaz de me responder que não é do bom-senso acreditar numa barbaridade dessas…chegando ao domínio religioso já se foi o bom-senso…

      E parece-me que está a fazer uma confusão entre ciência e religião no que diz respeito a verdades…
      A ciência “aproxima-se” de verdades pelo método experimental, empírico e cético dando a origem a evidências científicas. Não define verdades absolutas, essas são imutáveis e não precisam de fatos para se evidenciar. Por mais que lhe diga que, apoiado em todo o conhecimento científico que possuimos até ao momento, a ressureição de mortos não é plausível, a bíblia é o bastião da crença que mantêm irrefutável e imutável esta verdade absoluta. A ciência pôe-se à prova a si própria todos os dias. Um novo fato pode modificar paradigmas científicos…E a religião?

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    7. Não defendo uma fé desse tipo. Se você olhar nos escritos que tenho aqui, inúmeras vezes apresento argumentos lógicos que entendo suportar a fé que defendo. Evidentemente não seria possível apresentar esses mesmos argumentos para Papai Noel, por mais simpático que o velhinho seja.

      O que disse é que no processo de entender e explicar aquilo que se acredita, chega-se num ponto em que não vai mais ser possível apelar para o entendimento. E a razão é simples. Se acredito num Deus onipresente, onipotente, criador de tudo que aí está, não me será possível entendê-lo completamente com minha mente limitada. Por exemplo, como entender um ser que está fora do tempo, sendo que eu sou formado dentro do conceito de tempo. Há uma limitação inerente a todo esse processo. E aí será preciso dar o passo de fé. Como disse Tertuliano, "creio para entender". Não há como fugir disso.

      Agora, isso não quer dizer que não haja espaço para analisar e discutir aquilo que se acredita e ver a lógica e as comprovações dessa crença. Há inúmeros livros que fazem isso muito melhor do que eu conseguiria, como o que citei para você na resposta anterior, ou "Em Guarda" do filósofo William Craig. Basta lê-los para entender que o cristianismo está muito além de uma crença cega e sem qualquer justificativa.

      O que você falou sobre a ciência não é bem verdade. A ciência se apoia em algumas premissas que baseiam tudo que ela faz. Vou citar apenas dois exemplos: o universo tem um comportamento constante (o mesmo que aconteceu ontem, acontece hoje e vai acontecer amanhã) e as leis da natureza tem aplicação universal.

      Essas são premissas não podem ser comprovadas por método científico algum, mas sem elas não há ciência. Essas são, de certa forma, premissas de fé para o cientista e isso fica bem claro em qualquer livro sério de filosofia da ciência. E também não há como fugir disso.

      Somos seres limitados e essa limitação bate à nossa porta a cada momento. É um fato da vida.

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