domingo, 21 de outubro de 2012

A CIÊNCIA DESMENTE A BÍBLIA NA CRIAÇÃO DO MUNDO?

A criação do universo é descrita em diversos locais da Bíblia, especialmente nos livros do Gênesis e de Jó (essa segunda fonte é um "segredo que pouco conhecem). O Gênesis conta que a criação do universo foi feita em seis dias e o ser humano foi formado no último dia (capítulo 1).

Ora, os relatos científicos demonstram que o universo tem quase 14 bilhões de anos, a Terra cerca de 4 bilhões de anos e o ser humano algo como algumas dezenas de milhares de anos, o que parece contradizer a Bíblia. 

Os cristãos fundamentalistas dizem que os cientistas é que estão equivocados e chegam a defender a tese absurda que a Terra tem pouco mais do que 10.000 anos (a chamada teoria da "terra jovem"). 

A maior parte dos cristãos fica no meio dessa "guerra" de declarações, sem saber bem no que e em quem acreditar. Será que a Bíblia é mesmo desmentida pela ciência, no que tange ao relato da criação do mundo? Ou então, como esclarecer essa confusão toda?

As raízes do problema
Os cristãos acreditam que tudo que está na Bíblia é verdade, por ser ela a Palavra de Deus. Até aí tudo bem. 

Mas os cristãos fundamentalistas costumam dar mais um passo, muito questionável: eles acreditam que os relatos contidos na Bíblia sobre a criação do universo descrevem literalmente, portanto com precisão científica, como as coisas aconteceram.

Ora, se pensarmos com cuidado, esse segndo passo não é razoável - afinal Deus teve que explicar para um povo ignorante em termos científicos, que viveu cerca de 3.500 anos atrás (época em que o Gênesis foi escrito), como o universo foi criado.

Certamente que a única forma de atingir esse objetivo foi descrever esse processo tão complexo através de símbolos e metáforas. Uma comparação simples permite explicar melhor o que quero dizer: imagine que eu precisasse explicar o que é um foguete espacial para um índio não aculturado. Provavelmente precisaria falar que se trata de um grande "passaro de fogo" voando para o céu. E isso não seria uma mentira, embora essa descrição não seja precisa do ponto de vista científico. E assim também foi feito na Bíblia. 

Portanto, é um erro tentar ler a Bíblia como um livro texto de física, pois ela não foi escrita com esse objetivo. Uma prova disso é o relato do descanso de Deus ao sétimo dia (Gênesis capítulo 2, versículos de 1 a 3) - é claro que Deus não precisou descansar, pois isso não faz sentido para um ser como Ele. Esse "descanso" foi a forma encontrada pelo autor do texto para informar ao povo que Deus decidiu santificar um dia da semana, para que o ser humano pudesse descansar, deixando de ser uma "máquina" única voltada para o trabalho.

Usando o relato da criação de forma correta
Se a Bíblia for lida da forma correta, você pode ficar tranquilo que ela em nada contraria a ciência, muito ao contrário. Para comprovar isso, escolhi três perguntas que normalmente são feitas, dentre as muitas existentes, para desacreditar a descrição da criação feita pela Bíblia, e como elas podem ser tranquilamente respondidas, sem contrariar a ciência:

Pergunta 1: O mundo foi criado em 6 dias de 24 horas?  
É claro que não e nem a Bíblia diz isso. Na verdade a palavra em hebraico que pode ser traduzida como "dia", também pode ser entendida como "espaço de tempo". Ou seja, os seis dias da criação são, na verdade, seis "espaços de tempo" ou seja seis fases de criação. Logo, não há nada na Bíblia que contrarie o fato do universo ter quase 14 bilhões de anos.

Pergunta 2: A Bíblia comete um erro científico ao descrever que os céus e a terra foram criados juntos?
Gênesis capítulo 1, versículo 1, diz: "No princípio criou Deus os céus e a terra". Sem dúvida, parece estar sendo descrita aí a criação conjunta do universo (céus) e da Terra. Mas como há uma diferença de tempo muito grande entre o Big Bang (origem do universo) e a criação da Terra - quase dez bilhões de anos - parece haver um grave erro na descrição bíblica. 

O problema, nesse caso, decorre do fato de que o Hebraico antigo (lingua usada no Velho Testamento) ter um número reduzido de palavras, muito menos do que o Português: por exemplo, não há palavras equivalentes a "cosmos" ou "universo" no Hebraico antigo. Essa dificuldade era então resolvido mediante o uso de expressões compostas: p. ex. "os céus e a terra" significava o conjunto de todas as coisas físicas do universo, incluindo matéria e energia (radiações).  Portanto, o versículo do Gênesis citado se refere apenas ao "Big Bang", ou seja quando tudo começou. 

Pergunta 3: Como as plantas, criadas no terceiro "dia", poderiam ter sobrevivido sem o sol, criado depois?
Realmente, o Gênesis descreve que muitas plantas foram criadas no terceiro "dia" (capítulo 1, versículos 9 a 13), enqaunto o sol apenas no quarto "dia" (versículos 14 a 19), o que contraria as leis da biologia, pois as plantas precisam da radiação solar para fazer a fotosíntese.

Mas, se olharmos com cuidado o texto, no primeiro "dia" (versículos 2 a 5) é descrito que a Terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre sua superfície. Ora, essa escuridão podia ser fruto de duas coisas: falta de luz ou impossibilidade dessa radiação (na faixa do espectro visível) chegar até a superfície da terra. 

Como Deus tinha dito literalmente "haja luz" (versículo 1) e a luz se fez - desde a explosão do "Big Bang", a radiação luminosa (visível ou não) passou a ser emitida por uma série de corpos celestes (p. ex. estrelas) -, a resposta deve estar na segunda opção: a radiação luminosa visível não chegava até a superície da Terra. E a descrição encontrada no livro de Jó capítulo 38,  versículos 4 e 9, confirma essa interpretação: 
"Onde estavas tu [Jó] quando eu [Deus] lançava os fundamentos da Terra... quando eu lhe pus as nuvens por vestidura, e a escuridão por fraldas."
Ou seja, nuvens formavam uma barreira tão espessa que não deixava a luz visível passar - o que não quer dizer, por exemplo, que a chamada luz "ultravioleta" não conseguisse Atravessar. Somente aos poucos é que essa atmosfera foi sendo limpa. Aliás, é exatamente esse o relato que a ciência faz da formação da atmosfera terrestre. Portanto, não há nada na descrição bíblica que contrarie a ciência.

Conclusão
Assim com em todas as demais coisas, a Bíblia também está correta na descrição da criação, desde que a leitura seja feita entendendo o espírito do texto, que usa símbolos e metáforas. 

Com carinho

Um comentário: