quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

E SE TENTAM IMPOR PROIBIÇÕES DEMAIS SOBRE SUA VIDA?

Os evangélicos vem gerando diversas polêmicas relacionadas com a proibição de certas práticas de vida. Entraram recentemente nessa polêmica, dentre outros, o uso de enfeites de Natal (veja mais) e a figura do Pai Noel (veja mais). Mas a polêmica vai muito além e inclui itens como festas juninas, comida de origem baiana, vários tipos de música secular, certos filmes ou programas de televisão, dentre outros - o rol é tão grande que até fica difícil enumerar tudo.

O que move os líderes evangélicos que se colocam contra essas cooisas (no todo ou em parte) são duas preocupações importantes, que eu inclusive reconheço serem muitas vezes bem intencionadas: 1) evitar que as pessoas sejam submetidas a influências ruins que as levem ao pecado (a "batalha pela pureza") e 2) evitar que as pessoas, muitas vezes sem saber, possam dar brechas para ação de forças malignas nas suas vidas. 

A batalha pela pureza
Manter-se puro é parte importante da luta do cristão. E um dos segredos do sucesso, sem dúvida, é evitar se expor a tudo aquilo que possa "contaminar" a pessoa, levando-a ao pecado. 

Mas o que verdadeiramente pode contaminar o coração de um cristão? O próprio Jesus respondeu a essa pergunta (Marcos capítulo 7, versículo 15): unicamente o que vem de dentro dele mesmo. Assim, sentimentos como inveja, hipocrisia, luxúria, etc, é o que devemos temer e evitar.

É claro que há práticas de vida que facilitam esses sentimentos ruins prosperarem. Por exemplo, uma pessoa que lute para conseguir status na vida, certamente vai ter mais problemas com a inveja e/ou o orgulho. Se uma pessoa bebe e perde o auto-controle, certamente pode ter mais problemas com a raiva e/ou a luxúria.

Portanto, os cristãos precisam tomar cuidado com os hábitos que adotam, os locais que frequentam, as pessoas com quem convivem, etc. É até uma questão de bom senso.

Mas também fica claro, por aquilo que Jesus falou, que o problema está mesmo dentro das pessoas e, portanto, proibições de natureza geral (tipo "nenhum cristão pode fazer isso ou aquilo") de pouco adiantam. Afinal, o que afeta muito a uma pessoa, pode nada afetar a outra e vice-versa. 

Muito melhor é discipular as pessoas, enisando-lhes o que é certo ou errado e os riscos que correm, para que elas passem a reconhecer aquilo que lhes pode "contaminar" o coração e aprendam a controlar essas tentações. Estando a pessoa corretamente discipulada, ela saberá usar seu livre arbítrio de forma correta. 

Influências malignas
A outra motivação que leva muitos líderes evangélicos a proibirem determinadas práticas, especialmente quando sua origem não seja cristã, é o receio de que elas possam trazer influências malignas sobre a vida das pessoas, fazendo-as correr riscos que nem pesnam existir.

É claro que há alguma verdade nisso tudo. Por exemplo, eu nunca teria na minha casa um objeto consagrado num culto de umbanda, por simples questão de prudência. É claro que posso pedir a Deus que me proteja, e conto com essa proteção, mas cabe a mim não ser imprudente. É como evitar andar de madrugada, sozinho, por uma periferia afastada de uma grande cidade brasileira.

Mas, essas proibições estão ficando, em alguns casos excessivas. E também é preciso usar um pouco de bom senso nessas avaliações. Por exemplo, hoje, para muitos evangélicos, tornou-se proibido quase tudo que se refira ao folclore brasileito, pois as origens dessas manifestações são africanas e/ou índígenas e/ou provenientes de festas religiosas da Igreja Católica. Assim, os brasileiros vão acabar perdendo sua identidade como povo, por renegar quase tudo que está na sua origem.

Outro dia eu conversava com uma pessoa que segue estritamente as leis do Velho Testamento. Por causa disso, ele não come nada preparado no sábado, pois é proibido trabalhar nesse dia. Então ele olha o rótulo de cada alimento que consome para verificar quando foi fabricado e não compra se tiver sido num sábado. 

Aí eu lhe perguntei como ele podia garantir que o alimento que consome não foi transportado num sábado, ou se os ovos das galinhas não foram colhidos ou as vacas ordenhadas nesse dia da semana? É claro que ninguém pode garantir isso numa sociedade como a nossa. Portanto, a luta do meu amigo vai necessariamente até certo ponto e, a partir daí, ele precisa "fechar os olhos" para conseguir viver. 

E assim é com a questão das influências não cristãs na nossa sociedade: são tantas e tão difundidas, que não é possível expurgá-las da nossa vida. Logo, quem tenta ir por esse caminho acaba necessariamente tomando decisões incoerentes: proibe algumas coisas - por exemplo a festa junina - e aceita outras, como comemorar o Natal no dia 24 de dezembro, ou as vestes litúrgicas cristãs, ou ainda o conceito do Verbo Divino, trazido pelo apóstolo João, tomado por empréstimo da filosofia grega, só para citar alguns exemplos.  

Tanto é assim, que Deus não fez esse tipo de exigência quando os israelenses construiram o Templo de Salomão, com base num modelo de arquiteura muito usado pelos pagãos e recorrearm a artesãos desses povos para lhes ensinarem a trabalhar a pedra e a madeira (veja mais).

Outro problema que está se tornando muito comum é ver a ação de Satanás em qualquer coisa e lugar. Meses atrás ouvi um pastor, a quem respeito, dizer que se deixasse uma gota de álcool entrar na sua boca, estaria dando uma brecha (o jargão utilizado foi "legalidade") para Satanás agir contra seu ministério. 

Eu fico me perguntando como isso pode ser verdade, se Jesus bebeu vinho por diversas vezes na sua vida e nunca deu "legalidade" alguma para qualquer ação do Diabo na sua vida. Ou seja, é preciso muito cuidado com esse tipo de afirmação e, ainda mais, com a elaboração de doutrinas sobre esse tipo de coisa.

Palavras finais
Antes de dizer que tal coisa é pecado e/ou proibida por trazer influências malignas, por sua origem pagã, verifique bem o que a Bíblia ensina a respeito. 

Caso contrário você corre o risco de cair no legalismo. E, durante seu ministério, Jesus travou uma luta incessante contra aqueles os fariseus - os legalistas daquela época -, que se preocupavam em controlar tudo na vida das pessoas. 

E Jesus foi implacável com eles, por entender que uma religião desse tipo aprisiona o ser humano, afastando-o de Deus, ou acaba dando espaço para a hipocrisia. E essa não é, e nunca foi, a essência do cristianismo.

Com carinho  

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