sábado, 12 de janeiro de 2013

A RELAÇÃO DA IGREJA CRISTÃ COM O PODER

A mídia noticiou que a Rede Globo está cada vez mais tentando se aproximar do público evangélico, especialmente no mercado do Rio de Janeiro: passaram a patrocinar um show de música gospel e uma feira de produtos evangélicos, bem como vão abrir cada vez mais espaço para noticiar eventos do tipo "marcha para Jesus".

Ora, essa mudança de posição de uma Rede com a força da Globo, que sempre se notabilizou por tratar os evangélicos como cidadãos de segunda classe - basta ver como os pastores e os fiéis sempre foram retratados nas novelas e programas humorísticos - parece para muitos ser boa notícia para o povo cristão.

Mas, no fundo, não é. Primeiro, porque essa mudança deve-se unicamente a aspectos comerciais - reflete o crescimento do público consumidor evangélico, que em centros como o Rio de Janeiro já chega a um terço do total.

Ou seja, não houve qualquer mudança de cunho ideológico - como, por exemplo, ter passado a considear o crisitanismo uma influência positiva para a sociedade. Não mesmo. No que tange ao aspecto ideológico, a Globo continua a avaliar os evangélicos como sempre avaliou, isto é, negativamente. O objetivo é simplesmente faturar mais e evitar que outras Redes, tradicionalmente mais amigáveis para os evangélicos, aumentem seu espaço. Simples assim.

A segunda razão que me faz olhar para essa notícia com olhos negativos, é que a igreja cristã nunca se dá bem quando se aproxima do poder secular. E não vamos nos iludir: a Rede Globo está no centro do poder no Brasil há muitos anos.

Toda vez que a igreja cristã se aproxima do poder, quem sai perdendo é ela. Pois acaba tendo que comprometer seus princípios espirituais e morais, pois negociações com centros de poder sempre passam por concessões de parte a parte - é o chamado "princípio de São Francisco": "é dando que se recebe".

Jesus deixou claro que deve haver separação entre a sua igreja e o poder temporal, quando nos ensinou: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Traduzindo: cada um deve ficar na sua.

O papel da igreja é converter pessoas e ajudá-las a se tornar verdadeiros discípulos de Cristo. É óbvio que a igreja cristã pode e deve participar de debates públicos que tratem de questões que impactem seu rebanho: violência urbana, desigualdade social, discriminação, etc. Mas o papel da igreja deve se limitar a defender e apoiar idéias, nunca polos de poder (partidos ou grupos de interesse econômico). E jamais oferecer apoio ou adesão incondicional a quem quer que seja - isso fica reservado para Jesus Cristo e somente para Ele.

Infelizmente, vamos ver muitos/as artístas evangélicos/as comprometendo seus princípios para se adequar ao "padrão Global de qualidade" e aparecer mais na televisão; eventos evangélicos perdendo sua espontaneidade para ficarem mais de acordo com as pesquisas do IBOPE e assim por diante. Se isso ocorrer, será mesmo uma pena.

Com carinho 

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