domingo, 10 de fevereiro de 2013

O PALHAÇO DESILUDIDO

Tiririca já era muito conhecido como palhaço quando resolver se candidatar à Câmara de Deputados. Foi escolhido por uma dessas legendas políticas de "aluguel" para conseguir muitos votos e contribuir para eleger uma bancada de vários deputados. E assim aconteceu, pois ele foi o candidato a deputado federal mais votado em todo o país.  

Confesso que quando vi o Tiririca ser eleito, fiquei desapontado. Não via nele a menor condição de ser um deputado que viesse verdadeiramente a contribuir positivamente para a democracia brasileira. Talvez meu julgamento tenha tido um certo fundo de preconceito - não vou negar - como acontece com quase todos os seres humanos (veja mais).

O fato é que Tiririca levou a função de deputado federal a sério - passou a frequentar todas as sessões da Câmara e tentou dar uma contribuição real. E, depois de dois anos de mandato, descobriu que pouco podia fazer, a menos que fizesse parte dos esquemas de poder ali existentes. desiludido, veio a público nessa semana para dizer que não vai tentar se re-eleger ao fim do seu mandato.

E quando pouco ou quase nada dá para fazer?
Mas o ponto que gostaria de discutir aqui não é a inadequação do sistema político brasileiro e sim a questão do desânimo que leva ao abandono da luta. 

Todas as organizações têm seus problemas, maiores ou menores - a política, as empresas, os orgãos públicos ou até as igrejas. E aqueles que pretendem melhorar alguma coisa muitas vezes encontram resitências de todos os tipos - lembro que no começo da minha carreira de engenheiro, quando trabalhava numa grande empresa, ouvi o seguinte: "aqui as coisas são feitas assim, não tente mudar nada".

E o desânimo vem, pois não deveria haver resistência para melhroar as coisas. Mas há e por todos os motivos, que não vem ao caso discutir aqui. O fato é que, quando você quiser fazer algo, mesmo com a melhor intenção, vai encontrar resistências daqueles que não querem ver as coisas mudadas. 

Mas desanimar e largar a luta, como está fazendo o palhaço bem intencionado, também não resolve nada. Apenas deixa o caminho livre para aqueles que não querem fazer nada.

Jesus enfrentou uma situação desse tipo na sociedade judaica, onde viveu. Havia dois grupos religiosos que dominavam essa sociedade: os fairseus e os saduceus.

Os primeiros criavam e impunham regras e mais regras sobre os judeus, transformando a vida das pessoas numa verdadeira prisão. Os saduceus (grupo formado pelos principais sacedotes) se aliaram aos conquistadores Romanos e usavam essa relação política para ganhar dinheiro, com base nas práticas religiosas existentes (p. ex. a venda de animais para sacrifícios). 

E, no meio disso tudo, ficava o povo: espremido, de um lado, pelo legalismo dos fariseus e, por outro, pela exploração dos sacerdotes. E as pessoas acabavam se conformando, pois entendiam não ter forças para lutar.

Jesus entrou de cabeça essa situação: usou sua autoridade para mostrar aos judeus que não precisavam se sujeitar às regras de vida impostas pelos fariseus, pois essa não era a vontade de Deus - chegou a dizer que a religião dessas pessoas era pura hipocrisia. E também denunciou a exploração dos saduceus, como no incidente em que expulsou os vendilhões do Templo de Jerusalém, fato que contribuiu muito para que os principais sacerdotes conspirassem contra Ele.

Por conta dessa ação, uma nova realidade acabou nascendo no meio do judaismo, primeiro pequena, formada por um punhado de discípulos de Jesus, mas que cresceu e acabou impactando toda sociedade da época. 

O "sistema" desse mundo tenta dominar os seres humanos, em proveito de uns poucos - sempre foi e sempre será assim. Mas o exemplo de Jesus e o ensinamento de Paulo nos ensinaram a manter a fé e a não nos conformarmos com essa situação (Romanos capítulo 12, versículo 2) - temos que continuar a lutar para transformá-lo mediante nosso exemplo e atitudes. 

Com carinho  


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