quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

AS FESTAS RELIGIOSAS DA BÍBLIA

Recentemente comentei que o entendimento pleno da figura de Jesus somente pode ser alcançado se for levado em conta o contexto judaico em que Ele viveu (veja mais). E, como para os judeus nada era mais importante do que as festas religiosas anuais, deve haver uma correlação forte entre essas festas e Jesus, na condição do Messias tão esperado pelos judeus. E de fato há, como vou demonstrar. 

As festas judaicas

Os judes comemoravam no tempo de Jesus - e ainda comemoram - sete grandes festas relifgiosas. E como seu calendário é contado com base nas fases da lua, elas não caem sempre no mesmo dia do ano. Vejamos o significado de cada uma delas.


Páscoa

A Páscoa foi comemorada pela primeira vez na noite anterior ao dia em que o povo de Israel saiu da escravidão no Egito. Deus mandou que cada família comesse um cordeiro assado, juntamente com ervas amargas e pães sem fermento, representando a aflição que passaram no Egito e a pressa que tiveram em sair dali. O sangue daquele cordeiro deveria ser pintado na porta da casa para que o anjo da morte não causasse nenhum mal ao passar para cumprir a décima praga, a morte dos primogênitos (Êxodo capítulo 12).



A Páscoa sempre teve uma relação muito forte com o Messias: os judeus sempre acreditaram que assim como Deus salvou seu povo da escravidão no Egito na Páscoa, usando Moisés como instrumento, uma nova salvação viria naquela mesma data, através do Messias. 



Ora, a libertação veio sim na Páscoa, pois Jesus foi preso logo depois de comer a refeição da Páscoa, quando instituiu o sacramento da Santa Ceia. E o simbolismo do derramento do sangue do "Cordeiro de Deus" na cruz, que aconteceu no dia seguinte à Páscoa, tem tudo a ver com o sangue que marcou as casas dos judeus para livrá-los do anjo da morte. 



Mas é preciso lembrar que, diferentemente do que os udeus esperavam, Jesus libertou sim o ser humano, embora não do domínio de uma potência militar, como os romanos, mas da escravidão do pecado. 


Pães Ázimos
Essa festa devia começar na ceia da Páscoa, onde já eram servido pães sem fermento (ázimos). E por sete dias os judeus somente podem comer pães e outros alimentos sem fermento (Deuteronômio capítulo 16, versículos 1 a 3). 



O fermento é como uma "infecção" que faz com que a massa cresça e fique aerada (micro-organismos que nascem, crescem e depois morrem). E, para os judeus, o fermento sempre foi relacionado com as "infecções" causadas por pecados como orgulho e hipocrisia - lembre-se que Jesus chamou esses pecados de "fermento" dos fariseus (Lucas capítulo 12, versículo 1). E como o fermento tinha essa conotação negativa, nenhuma oferta de alimento feita para Deus podia conter tal ingrediente (Levítico capítulo 2, versículo 11 e capítulo 6, versículo 17).



O pão ázimo também era chamado de "pão da aflição" (Deuteronômio capítulo 16, versículo 3), por conta do período de escravidão no Egito. 



Ora, Jesus foi uma pessoa sem pecado e passou por grande sofrimento (aflição) e, portanto, seu corpo é perfeitamente representado pelo pão ázimo. Logo, não é surpresa que ele tenha morrido exatemente no dia em que essa festa começou a ser comemroada. 



Primeiros Frutos  

Era comemorada no primeiro dia depois do sábado que se seguia à Páscoa. Celebrava o primeiro dia da colheita da cevada e assim uma pequena parte do cereal colhido era oferecida a Deus. E, no sábado que precedia essa festa, a passagem lida nas sinagogas vinha de Ezequiel capítulo 37, versículo 5, quando o profeta pregou para um monte de ossos secos: 
"Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós e vivereis". 
No ano em que Jesus morreu, a Páscoa ocorreu na quinta feira, portanto a festa dos Primeiros Frutos caiu no domingo (contado a partir do cair do sol no sábado). Ora, no sábado, quando o texto de Ezequiel citado acima foi lido nas sinagogas, Jesus estava morto e enterrado. E nele Ezequiel profetizou a ressurreição que aconteceu exatamente no dia seguinte, dia dos Primeiros Frutos. 



Quando Paulo, em 1 Coríntios (capítulo 15, versículos 20 a 23), disse que Jesus era como "os primeiros frutos daqueles que dormem", os judeus da época de Jesus certamente fizeram a ligação entre o que acontecera com Ele e a festa comemorada no dia da sua ressurreição.



Pentecostes (semanas)

Sete semanas após a festa dos Primeiros Frutos vinha o Pentecostes (Deuteronomio capítulo 16, versículos 9 a 12). Foi nesse mesmo dia em que a igreja cristã teve início, quando o Espírito Santo chegou e as pessoas falaram em línguas que não conheciam (Atos capítulo 2, versículos 1 a 4).


Essa festa comemora o dia em que os israelitas chegaram ao Monte Sinai, depois de sair do Egito (na Páscoa). Foi nesse dia em que eles receberam a Lei de Deus (os Dez Mandamentos), conforme o relato de Êxodo (capítulo 19, versículos 1 a 20). E Lei é o símbolo da Primeira Aliança (ou Velha Aliança), aquela que Deus fez com o povo judeu.




O episódio em que Deus apareceu para dar a Lei aos judeus é marcado por fogo e outros sinais maravilhosos. E o texto ensinado nas sinagogas no dia da festa do Pentecostes está em Ezequiel (capítulos 1 e 2), onde o profeta teve uma visão caracterizada por ventos e fogo.



O Pentecostes para os cristãos foi a chegada do Espírito Santo, em meio a forte vento, quando apareceram línguas de fogo sobre as cabeças das pessoas. E é isso que marca o início da Nova Aliança, a inauguração da história da igreja. Mas, ao invés de inscrever seus mandamentos em tábuas de pedra, como fez no Monte Sinai, desta vez Deus escreveu seus mandamentos nos corações dos seres humanos, através do Espírito Santo. 



Ano Novo (Trombetas)

A festa de Ano Novo abre um segundo ciclo de festas, que acontece cerca de seis meses depois das outras quatro festas. Nesse dia os judeus começam a contar seu ano civil. Essa festa também é conhecida como Trombetas, pois tem início com o toque do shofar (veja mais). 



O Ano Novo comemora a criação do mundo, por isso o texto de Gênesis onde isto é relatado (capítulo 1) é lido em todas as sinagogas. E tem início aí o período de dez dias em que os judeus precisam examinar seu comportamento no ano que passou, como preparação para o dia do Perdão.



Para o cristão, essa festa marca a esperança de que Cristo vai voltar, ao som da tombeta, conforme Paulo nos ensinou em 1 Corintios (capítulo 15, versículos 51 e 52). Mas sua chegada não vai ser apenas motivo de alegria, pois ainda haverá o Julgamento Final. 



Perdão

Já escrevi detalhadamente sobre esse dia (veja mais), o mais solene do ano judaico, oportunidade em que os judeus pedem perdão pelos seus pecados individuais e coletivos.


Para o cristão, o Yom Kippur simboliza o dia do Julgamento Final, quando Deus pedirá contas a cada ser humano.



Tendas

Essa festa ocorre cinco dias depois do Yom Kippur. Nos dias de Jesus, acontecia uma grande celebração no Templo de Jerusalém, com duração de sete dias. A festa comemora o período que o povo passou no deserto do Sinai, quando Deus cuidou de todas suas necessidades, mandando comida e água (Deuteronomio capítulo 16, versículos 13 a 17). 


Por isso, as pessoas habitavam cabanas provisórias (hoje em dia obviamente isso já não acontece) - ao não terem paredes sólidas ao seu redor, a ideia é que as pessoas lembrassem que a segurança vem apenas de Deus. 



Essa festa também comemorava a principal colheita do ano (trigo), marcando o fim de período seco anual na Palestina, que dura seis meses, quando não cai uma gota de chuva. Por causa disso, no final da festa, os sacerdotes faziam uma libação com água, pedindo a chegada da chuva - a água que trazia vida. 



E foi exatamente num dia desses que Jesus disse para as pessoas que quem viesse até Ele nunca mais teria sede (João capítulo 7, versículos 37 e 38). Mas essa é uma verdade que somente vai se tornar plena no final dos tempos, quando os salvos irão residir permanentemente com Jesus. 



Resumo

As sete grandes festas judaicas relebravam periodicamente para os judeus fatos importantes da sua relação com Deus. Os cristãos copiaram a ideia de ter um calendário litúrgico (Sexta Feira Santa, Páscoa, Pentecostes, Natal e outros dias mais), com grande sucesso. 



Todas as festas judaicas tem grande relação com Jesus Cristo. As quatro primeiras (Páscoa, Pães Ázimos, Primeiros Frutos e Pentecostes) falam diretamente sobre sua morte e sacrifício, bem como a respeito da Nova Aliança que sua morte estabeleceu. 



Já as três outras (Ano Novo, Perdão e Tendas) se relacionam com fatos que ainda vão acontecer, no Final dos Tempos.



Com carinho 

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