sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

MODERNIZAR SEM PERDER A ESSÊNCIA

Frequento classes de Escola Dominical há mais de 50 anos e as aulas hoje em dia continuam a ser conduzidas como o eram meio século atrásParece que vídeo-games, Internet, tablets, celulares inteligentes e outras maravilhas da tecnologia moderna não podem ser usados dentro das igrejas, o que é uma pena. Esse é um problema comum na vida das igrejas cristãs: a dificuldade em acompanhar a modernização das sociedades nas quais estão inseridas. 

É claro que dá para continuar a ensinar o Evangelho de Jesus Cristo da forma tradicional - a falta de modernização das Escolas Dominicais não é tão problemática assim. Mas as consequências da falta de modernização especialmente no campo das ideias é bem mais grave. Vale aqui um ditado conhecido: "idéias têm consequências".

Basta lembrar, por exemplo, o que vem acontecendo com a igreja Católica, que perde membros na maior parte dos países por conta de sua ideologia antiquada, problema que foi reconhecido pelo próprio Papa Francisco. Excessiva centralização do poder, levando quase à paralisia da organização; tratamento dado ao líder máximo equivalente ao de um semideus, impedindo que seus erros sejam apontados e questionados; mulheres totalmente alienadas das posições de liderança, desperdiçando uma enorme quantidade de talento, são algumas das consequências negativas dessa ideologia atrasada.

A falta de modernidade não é privilégio dos católicos, podendo ser encontrada também em muitas denominações evangélicas. Um bom exemplo está relacionado com os ensinamentos sobre a família. Na esmagadora maioria das igrejas cristãs, eles levam em conta apenas o padrão tradicional - um núcleo formado pelo pai (provedor), pela mãe e pelos(as) filhos(as) desse casal. Mas a realidade atual das famílias brasileiras é bem mais complexa. Mais de 50% delas contam com um único cabeça (pai ou mãe) e/ou mantém filhos(as) oriundos de diferentes casamentos convivendo sob o mesmo teto. E quase nada é feito para atender as questões específicas desses outros tipos de arranjos familiares.  

Outros exemplos de idéias antiquadas são a proibição do uso de métodos anticoncepcionais, a teimosa defesa da tese que a mulher deve ser submissa ao marido, ou ainda a demonização do divórcio (com frequência tornado equivalente ao adultério). 

Ideias antiquadas, além de gerarem ineficiência, causam o afastamento das pessoas, especialmente daquelas com maior capacidade de pensamento crítico - ao ficarem insatisfeitas com os ensinamentos recebidos e os compromissos que lhes são impostos, as pessoas procuram outros caminhos para sua vida. E assim as igrejas vão aos poucos se tornando irrelevantes, como já vem acontecendo em boa parte da Europa Ocidental. 

A dificuldade para a modernização nasce no medo que muitas pessoas têm de mudar - de cometer erros durante o processo de mudança. E de serem rejeitadas por Deus por conta disso. Aí as pessoas preferem se manter onde estão, seguindo as mesmas idéias e práticas por medida de segurança.

Não tenha medo de mudar, de aceitar idéias que lhe pareçam novas, de sair da sua zona de conforto. Essa é uma necessidade real da vida. Afinal, aquilo que não muda, acaba por perder a vitalidade.

O outro lado da mesma moeda
Agora, a modernização de idéias não pode ser feita às custas do abandono dos princípios fundamentais do cristianismo. Um bom exemplo desse tipo de erro é aceitar a tese que "todos os caminhos levam a Deus", para evitar parecer intolerante. Ora, a doutrina cristã estabelece com clareza que Jesus Cristo é o único caminho para a salvação do ser humano - Ele mesmo nos ensinou isso. Deixar esse ensinamento de lado, para parecer "moderno", é comprometer a essência do crisitianismo. 

Outros exemplos importantes de compromissos que não deveriam ser feitos são a plena aceitação de práticas sexuais promíscuas e do aborto, o uso de técnicas de marketing para facilitar a "venda" dos serviços religiosos e o tratamento das igrejas como negócios.

Ao deixarem de lado as verdades básicas do cristianismo que pareçam incômodas, as igrejas cristãs correm sério risco de ficarem parecidas demais com o mundo que as cerca. De perderem sua razão de ser, pois não mais poderão servir de contraponto para esse mesmo mundo, apontando suas falhas e lutando para corrigi-las. 

E ficar parecido demais com o mundo significa, para o cristianismo, perder a "guerra" pelo coração e mente das pessoas - em igualdade de condições, elas sempre preferirão o mundo por ser bem mais interessante.

Não tenha medo de defender as idéias centrais do cristianismo. De parecer intolerante ou atrasado(a). De ser diferente do mundo que o(a) cerca. Muitos cristãos passaram por esse mesmo desafio e conseguiram vencer. 

Com carinho

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