sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O MAIOR LÍDER CRISTÃO DA HISTÓRIA

Acredito que a figura mais importante dos 2.000 anos de história do cristianismo, depois do próprio Jesus, é o apóstolo Paulo. Suas realizações foram impressionantes - basta lembrar que ele escreveu mais da metade do Novo Testamento e foi quem levou o cristianismo até os gentios (não judeus).

Sua vida
Saul (Paulo era um apelido que queria dizer pequeno) nasceu de pais judeus, em Tarso, na Ásia Menor (atual Turquia). Passou o final da sua adolescência em Jerusalém, onde foi aluno do famoso rabino Gamaliel. Por conta disso, até se converter ao cristianismo, foi um rigoroso seguidor das leis Mosaicas, um fariseu.

Paulo era cidadão romano, coisa rara entre os judeus - essa regalia, que costumava ser comprada por boa quantia, foi herdada de seu pai, homem de certas posses. Por conta disso, Paulo era protegido pelas leis romanos, somente podendo ser julgado e condenado pelo próprio imperador, em Roma. E o apóstolo usou dessa regalia diversas vezes para se proteger das perseguições que sofreu ao longo do seu ministério.

Paulo ganhou a vida como fabricante de tendas, profissão essa que garantia nível de sustento razoável. Essa profissão tinha a vantagem de poder ser desenvolvida por pessoas que viajavam muito (caso de Paulo),  pois as ferramentas necessárias eram leves e fáceis de carregar.

O apóstolo não conheceu Jesus pessoalmente, embora tivesse sido seu contemporâneo. Quando os seguidores de Jesus começaram a pregar que Ele era o Messias, ressuscitado dentre os mortos, Paulo, assim como muitos outros judeus, enfureceu-se, considerando essa crença uma heresia. Esses judeus começaram a perseguir os cristãos, cometendo muitas ações violentas, algumas das quais terminaram com a morte de pessoas, como o diácono Estevão. E Paulo participou ativamente dessas agressões.

Em dado momento, o apóstolo foi enviado pelos principais sacerdotes judeus até Damasco, na Síria, para liderar a perseguição aos cristãos naquela cidade. No caminho, Paulo teve uma visão de Jesus e se converteu ao cristianismo. A partir daí, passou a ser outra pessoa.

Paulo fez três grandes viagens missonárias, durante seu ministério, com duração de alguns anos cada uma delas, cobrindo toda a Ásia Menor e a Grécia. Durante essas missões, ele fundou igrejas em Corinto, Éfeso, Filipos, Colossos, Tessalônica, etc, e pastoreou essas comunidades, ajudando as pessoas a manterem sua fé, em meio a perseguições e conflitos doutrinários.

Mais para o final da sua vida, Paulo foi preso em Jerusalém, a pedido dos líderes judeus, sob acusação de heresia. Como era cidadão romano, foi enviado para Roma, para ser julgado pelo imperador. Ficou lá, sob prisão domiciliar, por dois anos, sempre pregando o Evangelho. Acabou solto e tentou ir até a Espanha, mas não sabemos se conseguiu realizar esse intento. 

Foi preso novamente, em meio a uma nova grande onda de perseguição aos cristãos, essa promovida pelo próprio imperador romano Nero. Foi decapitado provavelmente no ano 66 da era cristã.

Seu legado
A contribuição teológica de Paulo foi imensa. Devemos a ele a explicação de conceitos como a salvação pela Graça, mediante a fé em Jesus Cristo. E não há como entender realmente o cristianismo sem passar pelas suas cartas aos Romanos, aos Coríntios (duas), aos Efésios e aos Gálatas. É razoável dizer que foi Paulo quem organizou e codificou a doutrina cristã.

Agora, seus textos não são de fácil entendimento. Isto tanto se deve aos conceitos complexos com os quais lidou, como principalmente pelo seu próprio estilo de escrita, que é meio tortuoso, cheio de frases longas e expressões sofisticadas. É preciso paciência e dedicação para entender o que Paulo ensinou, mas esse esforço é plenamente recompensado, pois suas cartas contêm verdadeiros tesouros de sabedoria.

As cartas de Paulo começaram a ser escritas por volta do final da década de 40 da era cristã e são os textos mais antigos do Novo Testamento - em comparação, o primeiro Evangelho (Marcos) foi tornado público cerca de 15 anos depois.

Paulo foi muito criticado por ter assumido o título de apóstolo, porque esse título estava reservado para aqueles que tivessem sido discípulos diretos de Jesus, coisa que ele não foi. Mas Paulo se justificou, dizendo que recebeu ensinamentos diretos de Jesus nas visões que teve. Portanto, entendia ter a mesma autoridade espiritual que os demais apóstolos. 

A maioria dos cristãos aceitou essa alegação como verdadeira, tendo em conta as credenciais de um ministério abençoado por Deus que Paulo demonstrou ter ao longo de cerca de 30 anos. Mas algumas pessoas insistiram em questioná-lo, o que magoou muito o apóstolo - podemos perceber isso claramente nos seus escritos.  

Suas cartas foram quase que imediatamente reconhecidas como textos inspirados por Deus, ou seja parte das Escrituras. Os demais apóstolos, como Pedro, deram taribuiram de imediato esse "selo de qualidade" para o que Paulo escreveu.

Foi chamdo de "apóstolo para os gentios", pois levou o Evangelho para os não judeus da Ásia Menor e da Grécia. Mas também porque foi grande defensor da tese que as pessoas podiam se tornar cristãs sem precisar seguir as exigências da lei Mosaica (por exemplo, circuncisão ou abstinência de certos alimentos). Essa tese acabou sendo aceita pela liderança cristã, no Primeiro Concílio da Igreja, em Jerusalém, liderado por Paulo, Pedro e Tiago, irmão de Jesus. E isso foi fundamental para que o cristianismo se espalhasse rapidamente - afinal, medidas como a circuncisão não eram nada populares.

Paulo foi homem de enorme espiritualidade e sua dedicação à causa cristã somente encontra paralelo em poucas pessoas em toda história da igreja cristã. Sofreu muito ao longo do seu ministério, tendo passado por prisão, açoites, fome, naufrágios e outros perigos, mas nunca desanimou. 

Portanto, mais do que desenvolver uma teologia muito importante, Paulo viveu verdadeiramente aquilo que pregou. Um grande homem, sem dúvida. Nós, cristãos, devemos muito a ele.

Com carinho

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