terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O USO DE SÍMBOLOS

O uso de símbolos é uma das coisas que distingue o ser humano dos demais animais. Por exemplo, todos os animais se alimentam, mas apenas os seres humanos fazem refeições à luz de velas, com música ambiente, louça bonita, tudo para criar um clima romântico. Animais alimentam-se apenas para matar a fome, mas os humanos podem dar ao ato de comer um significado simbólico bem diferente. 

Estudos sociológicos mostram que símbolos dão sentido à vida humana. Criam identidade para as pessoas. Bandeiras, por exemplo, são muito mais do que simples pedaços de pano coloridos, elas representam entidades, como times de futebol ou países, com as quais as pessoas se identificam. Por isso as bandeiras são tão populares.


Deus tem feito grande uso de símbolos para tornar sua relação com os seres humanos mais concreta, mais física. Afinal, Ele sabe que não é fácil para as pessoas sentirem a presença de um Ser invisível nas suas vidas, especialmente nos momentos de maior ansiedade. 

Símbolos que Deus estabeleceu
Esses símbolos aparecem tanto no Velho Testamento, sendo voltados para o povo de Israel, quanto no Novo Testamento, nesse caso voltados para os cristãos. 

No caso do Velho Testamento, gostaria de citar dois exemplos. O primeiro é a Arca da Aliança, pequena urna de cerca de 1 metro comprimento por meio metro de largura, feita de madeira, coberta por placas de ouro, que simbolizava a presença de Deus em meio ao povo de Israel. O outro símbolo é a ceia da Páscoa, cerimônia na qual cada família judaica come um cordeiro assado, acompanhado de ervas amargas e pães sem fermento, simbolizando a libertação de Israel do cativeiro no Egito. 

No Novo Testamento, Jesus estabeleceu a Santa Ceia como um símbolo do seu sacrifício em prol da salvação da humanidade: o pão representa seu corpo e o vinho seu sangue. Já o 
batismo simboliza a morte daquele que se converte para a velha vida, dominada pelo pecado, e o nascimento para uma nova existência, em Cristo. 

Agora, nem todos os símbolos religiosos com os quais nos identificamos foram estabelecidos diretamente por Deus. Ao longo da história, líderes religiosos perceberam a importância desse tipo de recurso e estabeleceram alguns símbolos, como a cruz vazia, que identifica o cristianismo em qualquer lugar do mundo hoje em dia - no seu início, o cristianismo era simbolizado pelo peixe. 

O problema 
Símbolos podem ser, e frequentemente são, abusados. A primeira forma de abuso é a instituição de símbolos indevidos. Por exemplo, são bem conhecidas as relíquias humanas - línguas, pedaços de ossos, cabelos - atribuídas a santos, veneradas por muitos católicos. Não me parece que tais itens sejam símbolos saudáveis para a fé cristã.

O segundo problema é a atribuição aos símbolos um papel que não podem ter. Muitas vezes as pessoas são incentivadas a considerar os símbolos como coisas sagradas e não uma simples representação de algo maior. Esse tipo de postura pode levar à idolatria, coisa que a Bíblia condena com ênfase. 

Aliás, Deus demonstrou preocupação com essa possibilidade, segundo o relato da Bíblia. Por exemplo, mandou que Moisés destruisse a serpente de bronze feita, por instrução d´Ele mesmo, para proteger os judeus das picadas de cobra, durante sua jornada de 40 anos pelo deserto do Sinai. Com isso evitou que aquele artefato virasse uma relíquia adorada pelos judeus. Foi por isso também que Deus nunca revelou o local onde Moisés foi enterrado.

O terceiro problema é o mau uso dos símbolos visando obter poder ou vantagens indevidas, o que é feito normalmente por quem tem controle sobre esses mesmos símbolos. Por exemplo, o governador romano da Judeia, na época de Jesus, mantinha sequestrado a vestimenta cerimonial que o sumo-sacerdote precisava usar quando dirigia determinadas cerimônias, como o Yom Kippur, para garantir a obediência dos líderes religiosos judeus. 

Esse tipo de abuso também pode ter origem  em interesses financeiros escusos. Por exemplo, ainda na época de Jesus, os principais sacerdotes judeus cobravam uma taxa anual de todo homem adulto para garantir-lhes acesso ao Templo de Jerusalém, centro simbólico da religião judaica.  

Seja qual for a motivação - simples uso indevido de poder, ganho financeiro ou de outras vantagens - continuamos a ver o mau uso dos símbolos religiosos cristãos hoje em dia. Por exemplo, na imposição de restrições indevidas para que as pessoas recebam os sacramentos (batismo ou ceia) ou na venda de relíquias sem sentido (por exemplo, àgua "miraculosa" do rio Jordão ou óleo "ungido"). 

Palavras finais
Precisamos de símbolos para ajudar a definir nossa identidade, para encontrar sentido no mundo que nos cerca e, especialmente, para nos sentirmos mais próximos de Deus. 

Símbolos, quando bem usados, são muito importantes. Na verdade, não podemos viver sem eles - mesmo Deus recorreu com frequência ao uso de símbolos.

O perigo mora no abuso desse recursos. Muito cuidado com isso. 

Com carinho

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