quarta-feira, 26 de março de 2014

QUANDO UM LÍDER CRISTÃO MUDA DE POSIÇÃO

A revista Christianity Today noticiou que o Pastor Ulf Ekman, fundador de uma grande igreja evangélica na Suécia, com mais de 3.000 membros, anunciou que está deixando sua denominação para se juntar à Igreja Católica, junto com sua esposa. 

"Cheguei à conclusão que a igreja que representei nos últimos 30 anos, apesar do sucesso e das muitas coisas boas que ocorreram nos seus vários campos missionários, é parte da crescente fragmentação do cristianismo", declarou o Pr. Ekman. 

Ele disse ainda que passou por lenta transformação durante a última década, à medida que pôde conhecer mais profundamente alguns catolícos praticantes pertencentes ao movimento Renovação Carismática e percebeu que não há razão para a maioria das críticas que os evangélicos fazem à Igreja Católica. Segundo ele, "os protestantes precisam conhecer melhor a fé católica".  

A repercussão

O que acontece com uma comunidade religiosa quando o principal líder muda suas convicções? Quais são as repercussões?

Antes de tudo é preciso ter em conta o perigo que existe quando a igreja ou denominação tem um líder carismático, a qual segue fielmente. Uma liderança desse tipo certamente traz grandes vantagens: facilita o crescimento da igreja (baseado no carisma do líder), a liderança forte dá à comunidade um senso de direção e a tomada de decisões é mais rápida e eficiente (pois quase não há contestação).

O problema com esse modelo de liderança é que quando algo de ruim acontece com a pessoa do líder (p. ex. um problema de ordem moral), a vida espiritual da comunidade como um todo sofre muito. Vimos isso acontecer aqui no Brasil, em várias igrejas importantes, nos últimos dez anos. Também houve vários exemplos nos Estados Unidos e recentemente o caso do Pr. Sho, sul coreano, líder de uma das maiores igrejas do mundo, preso por sonegação de impostos.

Uma lidernça muito forte acaba, de certa forma, atrelando o destino da igreja ou denominação à sorte do seu líder. E como todos os seres humanos erram e cometem peacdos, esse caminho é extremamente arriscado para a saúde espiritual da comunidade.

Agora, quando um líder carismático, como o Pr. Ekman, muda de pensamento teológico, passando a aceitar doutrinas que antes rejeitava ou vice versa, o problema pode ficar ainda mais difícil de tratar. Lembro bem quando o principal dirigente de uma denominação cristã deixou de aceitar a ordenação de mulheres, embora sua igreja já contasse com pastoras ordenadas. Imagine a situação dessas pastoras que viram de repente seu chamdo e ministério contestado dentro da própria denominação à qual dedicaram sua vida? Certamente foi muito difícil para elas.  

A mudança de convicção do líder, além de ter consequências práticas ruins, como no exemplo que acabei de dar, coloca dúvidas na mente dos membros da sua comunidade. Alguns deles, por conta da sua confiança irrestrita no líder, vão aceitar as novas idéias, sem questionar muito o que está acontecendo. Mas muitos outros não vão querer mudar suas convicções, por não terem sido convencidos. Mas ainda assim vão ficar com dúvidas quanto a algumas de suas crenças - afinal, o líder que respeitam muito mudou seu pensamento a respeito delas.  

Trata-se de uma situação em que só há perdedores - nada de bom advém de tudo isso. No caso que relatei acima, o Pr. Ekman teve que abandonar sua igreja, pois a maioria dos membros não aceitou suas novas posições. É claro que o impacto na comunidade está sendo muito grande. 

Isso quer dizer que um líder religioso não pode mudar suas convicções? Não pode estudar um assunto em profundidade e chegar a conclusões diferentes? Não pode evoluir? Claro que sim - eu mesmo já mudei algumas de minhas idéias. 

Mas tal tipo de mudança tem limites - eu desconfio muito de grandes mudanças, como a do Pr. Ekman, pois isso não parece razoável na vida de uma pessoa espiritualmente amadurecida. Mudar a interpretação de uma passagem bíblica, por ter evoluído no pensamento, é uma coisa, deixar toda a obra de uma vida para trás, dizendo que ela concorre para a fragmentação do cristianismo, é outra bem diferente. Mudanças tão grandes são, a meu ver, indicação de questões mais profundas na vida do líder que vão muito além do aspecto teológico.

Agora, quando o líder mudar de pensamento, precisa entender bem as consequências de suas atitudes sobre as pessoas que confiaram e acreditaram naquilo que ele ensinou antes. Não me parece que o Pr. Ekman tomou esse cuidado - ele simplesmente saiu da sua denominação e seguiu outro caminho, sem se explicar muito ou perder tempo olhando para trás.

Pessoas que se dispõem a um papel de liderança no meio cristão assumem responsabilidades com os fiéis - tenho isso muito claro na minha mente, no que tange ao papel que exerço aqui no blog. Quando aceitam liderar algum trabalho na obra de Deus, as pessoas precisam estar conscientes dessa responsabilidade. Afinal, Jesus advertiu seriamente aqueles que não entram no céu e concorrem para que os outros não entrem também (Mateus capítulo 23, versículo 13) - essas pessoas serão punidas severamente.

Com carinho

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