terça-feira, 29 de abril de 2014

JESUS VEIO NOS LIBERTAR DE QUE?

Jesus contou qual era o conteúdo da sua missão na terra quando foi pregar na sinagoga da cidade onde tinha sido criado, logo no começo do seu ministério. Ali Ele disse que tinha vindo "libertar os cativos" (veja mais).

Mas a que tipo de cativeiro Ele se referiu? Vou me concentrar aqui nos dois aspectos que me parecem ser os mais importantes - mas há outros que não vou ter espaço aqui para discutir. O primeiro deles é a prisão do pecado - para aqueles que não se deram conta ainda, o pecado continuado acorrenta o ser humano - basta pensar como uma dependência química domina a vida da pessoa viciada. 

Mas não é só esse tipo de dependência que causa estrago. Pense na escravidão gerada pela ansia de consumir cada vez mais, na prisão causada pela inveja ao próximo, nas correntes que prendem as pessoas que lutam para ter (e conservar) o poder e assim por diante.

O pecado aprisiona e Jesus sabia disso. E durante sua missão Ele nos apresentou um caminho para nossa libertação do pecado e das suas consequências devastadoras.

Mas há outra prisão da qual fomos por Ele libertados(as): uma religião legalista e dominadora

O judaismo, à época de Jesus, tinha se tornado uma religião muito legalista, especialmente por conta dos fariseus. Eram tantas as leis e as minúcias de como cumpri-las, que coisas simples - como aproveitar o sábado, o dia de descanso - tornaram-se altamente regulamentadas.

E tal tipo de legalismo transferia um enorme poder para as mãos dos líderes religiosos, que estabeleciam as leis e, mais importante ainda, interpretavam o que elas diziam e comunicavam às pessoas se elas estavam ou não violando a "vontade" de Deus. E as pessoas tornaram-se escravas desse poder, sem nem perceber.

Infelizmente esse tipo de poder opressor continua a existir na vida da maioria das denominações cristãs. Outro dia eu conversava com uma pessoa adepta do catolicismo, que considerava que a Igreja Católica não é tão rígida assim no trato da questão dos métodos anti-concepcionais. E citou um exemplo, na sua família, onde um padre foi consultado por uma esposa com dúvidas a respeito dos métodos anti-concepcionais que poderia adotar e teve uma postura liberal com aquela mulher.

O que a pessoa que conversava comigo não consegue perceber é que o jugo já está imposto no próprio fato da mulher precisar conversar com um padre a respeito de métodos anticoncepcionais "permitidos", pois nenhuma religião deveria se imiscuir nesse tipo de assunto. Simples assim. Aí, quando um padre dá uma orientação que parece liberal, isso é motivo de elogio, quando na verdade a simples necessidade da orientação de um padre indica escravidão.

Jesus sabia disso e lutou muito contra esse legalismo todo. Por exemplo, Ele afirmou que o sábado tinha sido feito para o homem e não o contrário. Isso porque o dia de descanso tinha sido estabelecido por Deus para que o ser humano não se transformasse num simples animal de carga, trabalhando sete dias por semana, sem tempo para descansar, cuidar da família, lazer e, principalmente, louvar e adorar a Deus. O dia de descanso foi um presente para o ser humano, mas as excessivas regras tornaram as pessoas reféns do sábado.

Hoje em dia, os pastores se acham cada vez mais no direito de regular como os membros das  suas igrejas devem ou não viver. Sob a desculpa de cuidar do seu rebanho e ver que ninguém se perca, estabelecem uma série de regras de vida, incluindo como os jovens devem namorar, as músicas que podem ou não ouvir, os lugares que estão liberados para frequentar e assim por diante. 

O papel dos líderes cristãos é difundir informações, explicar o que o Evangelho requer de cada um de nós e mostrar os caminhos para fazermos aquilo que agrada a Deus. Mas não impor posturas e comportamentos às pessoas, especialmente quando não se leva em conta as circunstâncias que elas vivem. 

Imagine que fosse tornado público que certo líder religioso, de grande prestígio, forneceu cerca de 200 litros de bebida alcoólica para uma festa à qual esteve presente. Eu não tenho dúvidas que haveria uma grande onda de críticas a essa pessoa - correria até o risco de ser expulso da igreja que frequentasse. Mas, e se eu disser que foi exatamente isso que Jesus fez, quando transformou água em vinho na festa de casamento em Caná, na Galiléia, o que devemos pensar? Quem ousaria "atirar a primera pedra"?

É preciso tomar muito cuidado ao impor regras e juízos de valor às pessoas, pois o impacto espiritual sobre elas pode ser enorme. Já perdi a conta das vezes em que fui procurado - tanto aqui neste blog, como pessoalmente - por gente angustiada, sentindo-se culpados(as) por conta desse ou daquele pecado que lhes foi atribuído.

O cristianismo precisa ser uma religião que promova a libertação do ser humano de tudo aquilo que o escraviza. Essa é a missão que foi dada a Jesus e Ele deixou como legado para quem deseja segui-lo. 

E Que Deus nos ajude a cumprir essa tarefa.

Com carinho

2 comentários:

  1. Oi, Vinicius. Posso te dar uma dica? Pq vc não coloca tags nos seus posts? Facilitaria a pesquisa por assunto. Abraço.

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    1. Querida Blueberry

      Boa dica. Vou tentar decobrir como fazer isso.

      Nunca se esqueça que você está lidando com um "velhinho", mais de 60 anos e às vezes me atrapalho com essas novidades tecnológicas ... rsrsrs

      Mas valeu a ajuda.

      Vinicius

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