segunda-feira, 14 de abril de 2014

OS ÚLTIMOS DIAS DE JESUS

Como preparação para a Sexta Feira da Paixão, aí vai um relato resumido dos últimos dias de Jesus. 

Duas procissões entraram em Jerusalém no domingo que antecedeu à Páscoa dos judeus (hoje conhecido como Domingo de Ramos) - comemoramos esse dia ontem. Em uma delas, Jesus ia montado num burro, saudado pelo povo (ver Marcos capítulo 11, versículos 1 a 11). Em outra Poncio Pilatos, Governador da Judéia, trazia tropas para reforçar a guarnição de Jerusalém durante a época da Páscoa - os romanos tinham medo de possíveis desordens pois a festa seria frequentada por milhares de peregrinos.

Pilatos foi recebido com frieza e antagonismo, pois representava o opressor, enquanto Jesus foi saudado com gritos de “Hosana”, que significava, na língua hebraica, “salva-nos por favor” (hosha = salva ou ajuda; na = por favor). Era um grito de socorro dos judeus oprimidos pelo jugo romano para que Deus interviesse. 


E é preciso ainda lembrar que o nome de Jesus (Yehoshua) significava “Deus salva” (hoshua= vem da mesma raiz da palavra hosana e Yeho= Deus). Certamente os judeus daquela época fizeram a conexão entre as duas palavras: o grito de socorro do povo (hosana) e o nome de quem iria socorrer a todos (Yehoshua).
 

Na segunda feira, Jesus purificou simbolicamente o Templo de Jerusalém, ao expulsar os comerciantes e cambistas que faziam comércio naquele lugar, desvirtuando seu sentido de casa de adoração (Marcos capítulo 11, versículos 15 a 19).

Na terça feira, houve uma grande batalha espiritual entre Jesus e as autoridades religiosas judaicas, fruto do que tinha acontecido no domingo e segunda. Ocorreram vários embates verbais, sempre com a liderança religiosa questionando a autoridade de Jesus (Marcos capítulo 12, versículos 13 a 17 e 27 a 34). Jesus, como sempre, se saiu brilhantemente.

Dois fatos marcaram a quarta feira. O primeiro foi o pacto de traição que Judas fez com as autoridades religiosas (Marcos capítulo 14, versículos 1 a 11), pelo qual ele recebeu trinta moedas de prata. A traição de um colaborador de Jesus era imprescindível pois alguém precisaria identificar quem Jesus era, pois a cidade estava cheia de peregrinos para a Páscoa, o que tornava muito difícil reconhecê-lo. Além disso, seria necessário prendê-lo de forma discreta, para evitar uma revolta dos seus muitos simpatizantes, logo seria preciso contar com alguém que conhecesse os hábitos de Jesus, para poder aproveitar o momento adequado para agir.

Ainda na quarta feira, Jesus foi ungido por Maria, irmã de Lázaro (Marcos capítulo 14, versículos 3 a 9). Ela usou um perfume muito caro e recebeu críticas de alguns discípulos, especialmente de Judas, pois a fragrância usada custava o equivalente a 10 meses de trabalho de um operário e o valor correspondente poderia ter sido dado aos pobres. Apesar da murmuração, Jesus aprovou a ação de Maria, pois sabia que simbolicamente ela o estava ungindo em preparação para seu sepultamento próximo.

A quinta feira marcou o início do período da Páscoa (Marcos capítulo 14, versículos 12 a 16). Jesus orientou alguns discípulos que fossem à Jerusalém e conversassem com determinada pessoa, com quem Ele já havia feito, em sigilo, um acerto para a realização da ceia - o sigilo era importante, pois caso Judas soubesse antecipadamente o local da ceia, poderia precipitar a prisão de Jesus. 


A ceia de Páscoa celebrava a saída do povo judeu do cativeiro do Egito (Êxodo 12) e era comemorada em família e todos comiam um cordeiro, sacrificado de acordo com os ritos apropriados. Jesus expandiu o significado dessa cerimônia para abranger o seu Sacrifício, instituindo a Santa Ceia, que tomamos até hoje, onde o pão significa seu corpo e o vinho seu sangue (Marcos capítulo 14, versículos 22 a 26).

Ao terminar a ceia, Jesus e os onze discípulos restantes (Judas saíra, antes para cumprir seu papel diabólico) foram rumo ao Jardim que ficava no monte das Oliveiras. Ali, algum tempo depois, Jesus foi preso por soldados do Templo de Jerusalém, que foram guiados por Judas - o traidor deu um beijo em Jesus, o sinal combinado para sua identificação. 


Pedro, sabendo que Jesus tinha sido levado para a casa do Sumo-sacerdote, seguiu-o até lá. Em dado momento, questionado por uma serva - pessoa que estava na camada mais baixa da sociedade judaica - se era discípulo de Jesus, Pedro o negou três vezes, pois teve medo (Marcos capítulo 14, versículos 66 a 72).

Na madrugada da sexta feira, houve um simulacro de julgamento de Jesus (Marcos capítulo 14, versículos 53 a 65), onde os procedimentos legais não foram seguidos, pois os líderes religiosos judeus tinham pressa de condená-lo.

Por volta das 6 horas da manhã, Jesus foi levado a Pilatos, sob o pretexto de que os líderes judeus não tinham poderes para condená-lo á morte - nada mais falso, pois Estevão foi apedrejado (Atos dos Apóstolos capítulo 4, versículo 5 até capítulo 6, versículo 15). Na verdade, o Sumo-sacerdote sabia que estava fazendo algo errado e queria dividir a culpa com os romanos. 


Pilatos ficou diante do dilema: devia seguir seu dever, pois não via crime em Jesus; ou seu interesse, pois seria de boa política atender os líderes religiosos? Acabou ficando com seu interesse e entregou Jesus para a crucificação (Marcos capítulo 15, versículos 1 a 15).

A crucificação era um suplício horrível, no qual a vítima morria lentamente, por asfixia. No caso de Jesus, ainda houve um componente adicional: a carga espiritual. Ele estava tomando sobre si os nossos pecados e se fez maldição por nós (Gálatas capítulo 3, versículo 13). Jesus ficou 6 horas na cruz, mais ou menos, entre 9:00 e 15:00 horas. Durante sua agonia, houve trevas sobre a terra (Marcos capítulo 15, versículos 33 a 41), caracterizando aquele como o mais terrível dia da história humana. O véu do Templo de Jerusalém, que separava o Santo Lugar do Santíssimo Lugar (onde ninguém podia entrar), se rompeu (Marcos capítulo 15, versículos 38 e 39), significando que, a partir de então, por causa do sacrifício de Jesus, o ser humano passou a poder chegar diretamente a Deus, sem intermediários.

Depois que Jesus morreu, seus seguidores tinham a difícil tarefa de conseguir realizar seu sepultamento em apenas 3 horas, pois após as 18:00 horas começava o Sábado e tudo teria que ser paralisado e o corpo de Jesus ficaria na cruz ao sabor das aves de rapina e dos cães vadios.

José de Arimatéia, seguidor de Jesus, pediu então a Pilatos a liberação do corpo e cedeu a sepultura da sua família, que ainda não tinha sido usada (Marcos capítulo 15, versículos 42 a 47). E Jesus foi enterrado no exato tempo disponível.


Com seu sacrifício, Jesus mudou a história da humanidade! Não se esqueça de agradecer a Deus por isso.

Com carinho

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