domingo, 8 de junho de 2014

ÀS VEZES É MELHOR NÃO ATENDER QUANDO PEDEM AJUDA

Volta e meia recebemos apelos para ajudar organizações que precisam de apoio material.  E muitas vezes nos motivamos a ajudar, pensando estar contribuindo para fazer a obra de Deus. 

Mas, infelizmente, a melhor resposta que o cristão(ã) pode dar ao apelo recebido não é ajudar de olhos fechados, apenas levado(a) pela emoção. É preciso se preocupar com o destino real da ajuda que for dada. Por exemplo, lembro-me bem dos donativos enviados para ajudar os flagelados pela enchente da região serrana do Rio de Janeiro de 3 anos atrás que foram desviados. 

Aprendi há muito tempo que é preciso ter o máximo de cuidado com o dinheiro usado na obra de Deus. Esse dinheiro é sagrado e precisa ser tratado com toda consideração. E cabe a quem doa se certificar que seu uso é adequado. Portanto, o correto não é dar e se esquecer do que foi feito.

E não basta verificar que as intenções da obra em busca de ajuda sejam boas. É preciso muito mais. Recentemente deparei-me com o caso de um entidade beneficente, voltada para ajudar dependentes químicos, que funciona de forma irregular, sem respeitar a legislação fiscal e de saúde, o que é inaceitável para uma instituição cristã. 

Por causa disso sempre procuro saber a história da entidade: o que ela verdadeiramente faz, a quem ajuda e como trabalha. Sempre procuro verificar se há mau uso e/ou desperdício dos seus recursos. Também verifico se a instituição funciona de maneira regular. Quem sabe, ao conhecer melhor a entidade, você poderá até se convencer a dar mais do que lhe pediram e/ou até investir seu tempo para ajudar.

E quando percebo que não existe a necessária seriedade, não colaboro com aquela obra e nem recomendo que outros o façam. E não importa se a causa defendida é nobre e/ou as intenções são boas.

Outro aspecto que costumo verificar é se a ajuda dada gera acomodação de quem a recebe. É claro que há pessoas que praticamente nada podem fazer em prol delas mesmas – doentes terminais, deficientes graves, crianças pequenas, etc - mas, excluindo esses casos, todas as demais pessoas podem fazer alguma coisa. 

Quando Jesus realizou o milagre da ressurreição de Lázaro, Ele pediu que os discípulos removessem a pedra que tapava a entrada da sepultura (João capítulo 11, versículos 39 a 44). É claro que Ele tinha poder para também remover a pedra, mas ele não ia fazer pelas pessoas aquilo que elas podiam fazer por si mesmas. E esse é um ensinamento muito importante.

Essa questão me lembra de uma piada. Um médico do interior conseguiu formar seu filho numa faculdade de medicina da capital e o filho voltou para ajudar o pai na sua clínica. Aí o pai resolveu tirar férias pela primeira vez em trinta anos. Antes de sair, recomendou ao filho tratar bens os clientes e, em especial, a dona Marocas, senhora abastada, cliente havia mais de 30 anos. Terminadas as férias, o pai voltou e perguntou ao filho se estava tudo bem. E o filho todo orgulhoso respondeu: “Correu tudo muito bem. Consegui até curar aquela ferida que a dona Marocas tinha na perna há décadas.” E o pai apavorado respondeu: “Meu filho, você matou a galinha dos ovos de ouro. Foi tratando dessa ferida que consegui dinheiro para custear seus estudos”. Há muito líder de igreja e dirigente de ONG que agem exatamente como o médico dessa piada.

Concluindo, nunca reaja apenas pela emoção e pelo sentimento de culpa que muitas vezes aparece quando o apelo por ajuda é feito. Apelos emocionados podem ser somente isso mesmo: chantagem emocional. 

Com carinho

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