sábado, 28 de junho de 2014

O QUE INFLUENCIA SUA ESCOLHAS?

Qual é a referencia que as pessoas usam para definir o que é bom ou ruim, certo ou errado? A experiência mostra que há três caminhos possíveis: 
  • a preferencia vai para aquilo que é melhor para elas mesmas, aquilo que melhor preenche suas próprias necessidades;
  • o bom é aquilo que mais contribui para o bem estar da coletividade, do grupo social ao qual as pessoas pertencem; 
  • o certo é aquilo que Deus determinou. 
Pessoas diferentes escolhem alternativas distintas, conforme sua formação, fé e entendimento. E vem daí a grande divergência de opiniões que existe na sociedade, especialmente no que tange a questões polêmicas como pena de morte, aborto, eutanásia, homossexualismo, ações afirmativas para redução da desigualdade social e outras assim.

A necessidade pessoal é o mais importante
Algumas pessoas pensam que devem dar sempre preferencia àquilo que contribui para melhor preencher suas necessidades pessoais (reais ou imaginadas). Em outras palavras, acham que as pessoas devem ter liberdade para buscarem aquilo que for melhor para si mesmas, naturalmente desde que isso não prejudique a liberdade (o mesmo direito) dos outros. 

A ideia de capitalismo é um bom exemplo desse tipo de pensamento - ela envolve a noção que os agentes econômicos devem ser inteiramente livres para tomar suas decisões (o que comprar, vender ou produzir), que naturalmente serão tomadas visando o máximo ganho possível para eles mesmos. 

Para quem pensa assim, qualquer lei que procure regular o livre mercado - por exemplo, estabelecendo o preço máximo pelo qual determinada coisa pode ser vendida - é uma perda de liberdade que nunca deveria existir. 

Outro bom exemplo aparece na discussão da eutanásia. Muitos defendem a tese de que a pessoa deve ter a liberdade de escolher quando deseja morrer, pois a vida é um bem que pertence apenas a ela mesma. 

O bem comum é o mais importante 
A segunda possibilidade é estabelecer que o mais importante é o bem comum do grupo social. E que cabe a esse grupo definir, provavelmente através de leis apropriadas, o que é ou não certo fazer. 

Naturalmente, essas leis reduzem a liberdade das pessoas de fazerem suas próprias escolhas. O bem comum sempre vem às custas da liberdade pessoal.

Por exemplo, na China, o governo se acha no direito de definir quantos filhos as famílias podem ter para evitar a superpopulação. Ele pode até obrigar mulheres grávidas a abortar. Em outra palavras, viola-se a liberdade individual de escolher quantos filhos se quer ter em prol do controle do crescimento da população. 

Outros exemplos são as leis trabalhistas, as regras para defender o meio ambiente ou os controles de preços de alguns produtos, estabelecidas para reduzir as injustiças sociais e/ou garantir os direitos humanos.  

Obedecer a Deus é o mais importante
A terceira possibilidade é definir que Deus já estabeleceu o que é certo ou errado, bom ou mal. Quem escolhe esse caminho entende que Deus sabe melhor do que ninguém o que deve ser feito pois foi Ele mesmo quem criou as pessoas. 

É claro que as leis de Deus - como a que manda amar o próximo - podem até concorrer para o bem comum, mas o motivo principal para segui-las é a obediência a Ele. Não há dúvida também que as leis de Deus reduzem consideravelmente a liberdade humana - ela nunca deve ser vista como a coisa mais importante.

As incoerências humanas
Há três caminhos que as pessoas podem escolher: dar prioridade à liberdade pessoal (às necessidades pessoais), ao bem comum (à coletividade) ou à obediência a Deus. Comentei também que, conforme o caminho escolhido, as conclusões às quais as pessoas vão chegar, quanto ao que é bom ou ruim, certo ou errado, vai variar muito. Até aí tudo bem.

O problema é que as pessoas não costumam ser consistentes quanto ao caminho que escolhem - ora escolhem uma prioridade e ora outra. Em algumas situações privilegiam a liberdade pessoal, enquanto em outras podem escolher obedecer a Deus ou dar preferencia ao bem comum. E isso gera muita confusão.

Por exemplo, os Estados Unidos são um país fortemente cristão e, por conta disso, boa parte da população é contra o aborto - nessa questão a obediência a Deus é mais importante do que a preservação da liberdade de escolha da mãe. Mas boa parte dessas mesmas pessoas, quando lidam com questões de natureza econômica, defendem a liberdade total dos mercados (o capitalismo), esquecendo-se que a Bíblia ensina coisa bem diferente - Deus regulamentou uma série de questões da vida econômica do povo de Israel, caracterizando que os agentes econômicos não podem ser totalmente livres. 

Mas esse tipo de incoerência não é privilégio dos americanos. Isso também está fortemente presente na sociedade brasileira. Por exemplo, muitas pessoas ditas de esquerda defendem que a liberdade de escolha do ser humano precisa prevalecer em questões como a eutanásia ou o aborto. Por outro lado, defendem que o governo intervenha bastante no mercado, atropelando a liberdade dos agentes econômicos para promover a justiça social. 

Evidentemente essa mistura de prioridades causa muita confusão. Afinal, como saber o que é mesmo certo ou errado, bom ou ruim, se a forma de abordar  cada questão, a prioridade dada em cada situação varia ao sabor das circunstâncias?  

O que fazer?
Acho que todos os cristãos deveriam concordar com a tese que a obediência a Deus precisa ser sempre o ponto de referencia para suas vidas. Mas como fazer isso na prática? Como manter a a coerências nas várias situações? Aí vão algumas sugestões que acredito possam ser úteis.

Em primeiro lugar, toda vez que precisar tomar posição sobre uma questão polêmica, procure entender qual é a orientação real de Deus para aquela questão. E tome muito cuidado para não tomar uma posição primeiro e depois tentar encontrar versículos bíblicos que deem suporte ao que você pensa. Isso infelizmente é muito comum.

Em segundo lugar, aceite a realidade que ser coerente com sua fé, isto é obedecer ao que Deus estabeleceu, muitas vezes é difícil ou até pouco simpático. Por exemplo, quando uma pessoa não cristã afirma que "todos os caminhos levam a Deus", não é simpático corrigi-la e dizer que Jesus é o único caminho para Deus, conforme a Bíblia ensina. Também não é fácil alertar alguém que ele(a) está cometendo um pecado à luz do que diz a Bíblia - claro que não devo fazer isso a partir de uma posição de superioridade e sim do reconhecimento que também peco. 

A obediência a Deus deve ser o que guia você, sempre, mesmo que haja um preço a pagar em termos da aceitação pelos outros e da necessidade de deixar de lado suas preferencias pessoais para aceitar o que Deus diz (por exemplo, eu preferia que o Inferno não existisse, mas a Bíblia diz que isso existe)

Em terceiro lugar, procure evitar pensar que você é o "dono da verdade". Isso significa estar sempre aberto a discutir suas razões para pensar de uma forma e não de outra. Afinal, mesmo o seu entendimento do que venha a ser a vontade de Deus certamente pode variar ao longo do tempo - afinal, o ser humano é limitado e influenciado pelas suas circunstâncias e experiências pessoais. 

Eu mesmo já mudei de opinião e aprendi ao longo da minha vida religiosa - até ateus e pessoas que professam outras religiões me ensinaram coisas importantes. Não deixei de acreditar em Jesus, como meu Salvador, ao longo desse processo de refinamento do meu pensamento, mas consegui deixei de lado vários "penduricalhos" teológicos que tinha aceitado sem questionar direito.

Finalmente, tenha coragem para mudar seu pensamento quando perceber que está errado. Essa talvez seja a parte mais difícil, especialmente se você tiver investido muito tempo e esforço defendendo certa ideia ou posição que de repente percebeu ser inadequada. É preciso humildade e coragem intelectual para dar fazer isso. 

Com carinho 

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