terça-feira, 10 de junho de 2014

PAI OU JUIZ: QUAL A MELHOR FORMA DE ENTENDER DEUS?

O Deus que me ensinaram a conhecer na infância era muito diferente da figura aceita nos dias de hoje. Era uma figura severa, que tudo via e julgava - era como se vivêssemos na casa do "Big Brother", sendo a audiência formada por Deus e seus anjos. Deus era visto essencialmente como um Juiz e o medo da sua condenação - do inferno - era uma realidade muito presente e os sermões dominicais falavam sobre isso com frequência. 

Mas houve uma grande mudança na forma de ver Deus ao longo dos últimos 50 anos. E acredito que para melhor, alguns exageros à parte. O que prevalece na imagem atual de Deus é a figura do Pai. E os ensinamentos cristãos procuram aproximar as pessoas desse Pai e incentivar um relacionamento amoroso e agradável com Ele. 

Basta ver os hinos que cantamos hoje, em comparação com aqueles que cantávamos antes. Antigamente os hinos descreviam Deus e sempre apontavam para a distância que há entre Ele e os homens. Um hino famoso da época diz assim: "Santo, Santo, Santo, Deus onipotente ... Deus soberano, Excelso Criador".

Boa parte dos hinos de hoje falam da relação do cristão com Deus e da necessidade que temos da presença d´Ele. Um exemplo típico é: "Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai...". O tom é bem diferente.

Penso que isso é um avanço e por duas razões. Primeiro porque é muito mais fácil se aproximar e amar um Deus que é Pai. Ou seja, o cristianismo hoje chega de forma positiva aos corações e mentes das pessoas, não mais pelo medo de uma condenação, mas pela alegria de ter a vida preenchida por um Ser magnífico. 

E eu gosto de ver as pessoas mais relaxadas na igreja. Rindo e brincando e comportando-se como se estivessem na sua própria casa. Afinal, é isso mesmo que a igreja deve ser: o lar da família em Cristo. 

Depois porque gosto também de saber que tenho um Pai a quem posso recorrer. Saber que existe um "colo" onde posso me recolher, quando estiver inseguro. E ter certeza que há alguém que se alegra com as minhas alegrias e se entristece com minhas derrotas.

Mas (sempre há um "mas") existe um problema com essa abordagem mais "light" de Deus: a falta de  percepção da sua Majestade e Glória. Embora seja um Pai especial, Deus também é o criador de tudo que existe, um Ser sagrado e puro, que não suporta o pecado.

E a perda da percepção da nossa pequenez diante de um Ser tão fabuloso acarreta na excessiva informalidade e na percepção errada que Deus vai atender tudo que pedimos, como se fosse nosso auxiliar de luxo, e perdoar qualquer ação nossa. E como Deus não funciona assim, existe o risco de que as pessoas tentem construir um relacionamento desequilibrado com Ele.

Pai sim, mas um ser sagrado, puro e que não tolera o pecado. Essa é uma visão mais equilibrada de Deus.

Com carinho 

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