terça-feira, 24 de junho de 2014

QUANDO O POUCO TEM MUITO VALOR

Não há dúvida que Deus requer que todos os cristãos trabalhem na sua obra. Mas não é isso que acontece na prática, tanto assim que o próprio Jesus alertou que a “seara é grande mas são poucos os trabalhadores” (Lucas capítulo 10, versículos 1 e 2). 

Por que será que esse chamado de Deus é tão pouco ouvido? Penso que há inúmeras razões, como a falta de compromisso com as coisas de Deus. Mas gostaria de falar aqui sobre outra razão, talvez menos abordada, que tem grande impacto negativo. 

Refiro-me à perspectiva errada das pessoas que os trabalhos pequenos, sem maior peso aparente, não têm importam muito. Sendo assim, quando a pessoa só pode contribuir na obra de Deus com algo aparentemente sem muita importância, muitas vezes ela acaba por pensar que não vai conseguir fazer a diferença e deixa de ajudar naquilo que pode.

Ora, não há trabalhos maiores ou menores aos olhos de Deus. Todos são importantes. E Ele sempre leva em conta a capacidade da pessoa de contribuir na sua obra. O que verdadeiramente importa é que a pessoa faça o máximo ao seu alcance.

Esse ensinamento ficou claro numa situação que Jesus viveu, quando estava no Templo de Jerusalém, perto do local onde as ofertas eram recolhidas. Duas pessoas se aproximaram e depositaram suas ofertas: um homem rico deu uma grande quantia, enquanto uma viúva pobre deu umas poucas moedas de valor muito baixo. Jesus alertou seus discípulos que a viúva tinha dado muito mais, porque ela deu daquilo que lhe faltava, enquanto o homem rico daquilo que lhe sobrava (Lucas capítulo 21, versículos 2 a 4).

Se sua contribuição na obra de Deus for pequena, mas feita com dedicação e amor, pode ter certeza que ela dará frutos importantes e será reconhecida e valorizada por Deus, tal como aconteceu com aquela viúva.

Lembro de vários exemplos de situações desse tipo para repartir com vocês. Na minha época de infância, na Igreja Metodista do Catete, no Rio de Janeiro, uma senhora, todo domingo bem cedo, saia de casa, comprava flores numa feira ali perto e enfeitava a igreja com lindos arranjos. Aquela era a tarefa dela. Fez aquilo por décadas, sem nunca ter recebido muito reconhecimento da comunidade. Mas o legado que deixou foi uma igreja sempre linda e cheirosa, pronta para o culto a Deus, nos domingos pela manhã.

Uma tia minha, quando ficou velha e não podia fazer muito mais, passou a comprar dezenas de exemplares do "Cenáculo" - revista que contém reflexões cristãs diárias - e os distribuía pelo correio para pessoas de todo o Brasil. Ela personalizava cada cópia com mensagens - por exemplo, no dia do aniversário da pessoa. Perdi a conta do número de testemunhos de pessoas que chegaram até Jesus ou foram consoladas nas suas dificuldades por causa daquele trabalho tão simples.

Na igreja que hoje frequento, existe uma moça que tem deficiências mentais evidentes – é até difícil entender o que ela fala. Mesmo assim, está sempre na igreja e frequenta uma das classes da Escola Bíblica, mesmo com dificuldade para entender o conteúdo que é transmitido. E ela, por conta própria, achou uma maneira de ajudar: antes de começar a aula, ela vai até o bebedouro e enche um copo com água gelada e o leva para o professor da classe. Inúmeras vezes refresquei minha garganta com aquele copo de água tão bem vindo.

Certa vez participei de um retiro espiritual com duração de três dias. Havia pouca gente da minha igreja para ajudar e, como eu não conhecia bem a dinâmica do evento, não tinha muito como colaborar no seu conteúdo. Assim, fui escalado para ajudar no relógio de oração – grupo de pessoas que ora, em revezamento, 24 horas por dia, para cobrir o evento no aspecto espiritual. Minha escala, acreditem, ficou para as 3 horas da manhã, eu orava andando em torno da piscina para não dormir. Pediram-me também que ajudasse na organização das correspondências que precisavam chegar nas mãos dos participantes do retiro. Ambas as tarefas eram bem simples, mas lembro-me da satisfação que tive em realizá-las e ser parte de uma obra maior, que mudou a vida de várias pessoas.

Concluindo, todos podem ajudar de alguma forma. Sempre há uma tarefa ao seu alcance, não importa seu conhecimento, tempo disponível ou grau de desenvolvimento espiritual. Por exemplo, você pode ajudar montando cestas básicas para distribuição. Ou anotando a presença das classes da escola Bíblica. Ou distribuindo literatura bíblica para quem precisa. Ou ainda dando uma palavra de consolo para um vizinho que está sofrendo. Não falta o que fazer.

Torne-se um voluntário na obra de Deus e faça aquilo que lhe couber com dedicação, zelo e carinho. Você verá crescer frutos que nunca imaginou que poderiam surgir no seu caminho e, no final da sua vida, receberá a justa recompensa de Deus. 

Com carinho  

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