quarta-feira, 30 de julho de 2014

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Há um ditado popular muito conhecido que diz: “aos amigos e à família tudo, aos inimigos a lei”. Ou seja, o tratamento dado às pessoas que amamos deve ser melhor do que o previsto nas regras e vale até fazer algo ilegal para beneficiá-las. Para as demais pessoas, a lei deve ser aplicada com rigor.

Esse ditado aponta para um padrão ético duplo. Vivemos debaixo do conceito dos “dois pesos e duas medidas”: o que é permitido para a pessoa de quem gosto, pode até ser proibido para as demais

Esse padrão ético duplo está muito arraigado na nossa sociedade, onde o favorecimento a parentes e amigos é tão comum que chega a ser até esperado. A surpresa quando as pessoas se comportam de forma diferente é tanta que acaba gerando notícia na mídia - esse foi o caso, alguns anos atrás, de Nilza Maria, a mãe que entregou à polícia o filho traficante de drogas, para que ele pudesse mudar de vida. 

O duplo padrão ético vale tanto para as pessoas como para as nações. E os exemplos históricos são muitos. Por exemplo, há hoje uma grande revolta internacional pelo fato do Irã estar adquirindo capacidade de ter uma bomba atômica - quero deixar bem claro, desde já, que não sou favorável ao regime do Irã, nem tão pouco à disseminação de armas nucleares. Mas o fato é que no mundo hoje a situação é a seguinte: umas nações têm a bomba e outras não têm e nem podem ter. A desculpa para essa assimetria é que as nações que têm bombas atômicas são "confiáveis" e não vão fazer uso errado dessas armas.

O Brasil abdicou, corretamente, das armas nucleares. Mas quem garante que um país que as possui não vai nos chantagear para obter alguma vantagem? Na verdade, ninguém deveria poder ter arma nuclear e aí os países teriam moral para cobrar isso uns dos outros. Mas não é isso que ocorre.  

Em outro escala, o mesmo ocorre quando uma família poderosa usa seus contatos para conseguir vantagens indevidas para um dos seus filhos, como um emprego público bem remunerado, em detrimento de quem tem mais mérito. O fato é que quem tem poder e riqueza procura preservar sua posição privilegiada e usa os recursos de que dispõe para conseguir se manter em vantagem em relação às demais pessoas.

O problema com a ética dupla - "dois pesos e duas medidas" - é que a confiança das pessoas (ou das nações), umas nas outras, desaparece e a sociedade como um todo passa a funcionar pior. É por isso que um país sempre acha que o vizinho vai querer tirar vantagem de suas fraquezas e se protege atrás de fronteiras guardadas, barreiras comerciais rigorosas, um exército poderoso e outras coisas mais. 

As pessoas procuram se proteger através de redes de troca de amizade e favores, de leis que as privilegiem (por exemplo, aquela que garante a quem tem diploma superior tratamento diferenciado em caso de cometer crime), de seguranças particulares, etc.

O fato é que o remédio que realmente tornaria o mundo um lugar melhor nunca é usado. Refiro-me à lei do amor ao próximo que Jesus ensinou. Essa lei - "faça com o outro como gostaria que ele fizesse com você" - define um padrão ético único e universal

Se quero me sentir seguro, devo deixar de ameaçar o próximo; se quero viver bem, meu vizinho tem que viver bem também; se não quero ser injustiçado, não devo ser injusto com quem depende de mim; se quero ser apoiado nas aflições, preciso apoiar os outros quando passarem por dificuldades; e assim por diante. 

Imagine como o mundo seria diferente se essa regra simples estivesse em vigor. Mas, por não seguir essa receita, as pessoas vão vivendo um grande engano. Tudo parece estar em ordem na superfície, mas no fundo há graves problemas presentes e suas consequências ruins volta e meia afloram com força destruidora. 

Assim, cinco anos atrás vivemos o desequilíbrio do capitalismo, quando houve perdas econômicas gigantescas na Europa e nos Estados Unidos. Lidamos toda hora com a miséria, a violência urbana, as guerras, o terrorismo, os efeitos nocivos da poluição, etc.

Num quadro como esse, o que cabe a você fazer? A resposta é simples: faça sua parte todos os dias, como se tudo dependesse apenas de você. É claro que a sua (ou a minha) influência no mundo é muito pequena. Mas não importa, faça aquilo que é certo. Sempre. 

Portanto, se você vir alguém necessitado e puder ajudar, não deixe de fazê-lo; tenha cuidado para poluir o mínimo possível; resista ao apelo do consumo desenfreado; ajude quem está caído emocionalmente; apoie as políticas públicas que diminuam a injustiça social; e assim por diante. 

Não espere que os outros façam algo para começar a agir corretamente: afinal, nós, cristãos, precisamos dar o exemplo. E, se milhões de cristãos fizerem o que Deus espera deles, o mundo será bem diferente, pode ter certeza.
 
Com carinho

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