segunda-feira, 28 de julho de 2014

O DESAFIO DA GRAÇA DE DEUS

Os estudos sobre as religiões têm avançado muito na área que trata da comparação entre as diferentes crenças. Isso se explica porque hoje em dia é muito comum a ideia que não há um único caminho que leva à Verdade. E encontrar pontos comuns nas diferentes religiões ajuda a comprovar essa ideia.

E, por conta disso, cada vez mais os cristãos são desafiados a demonstrar porque pensam que sua crença é superior, por exemplo, ao budismo ou aos muitos movimentos exotéricos. Para fazer frente a esse desafio, os cristãos precisam primeiro dar resposta a uma pergunta crucial: o que o cristianismo tem que nenhuma outra religião apresenta? Afinal, se você e eu defendemos que o cristianismo é especial, torna-se preciso demonstrar que essa crença responde melhor aos dilemas da vida.


O que só o cristianismo tem
Os estudos aos quais me referi acima mostram que há um conceito teológico exclusivo do cristianismo: a Graça de Deus. E, portanto, se nenhuma outra religião fala sobre algo parecido, esse conceito deve encapsular aquilo que o cristianismo tem de melhor. E não há como escapar disso.

A Graça de Deus é algo que ninguém merece – existe porque Deus assim o quer. Ela é gerada e alimentada pela sua misericórdia e amor por nós. 

E é pela Graça, e não pelos seus méritos, que as pessoas têm acesso a Deus. Isso porque todas elas são imperfeitas demais para agradar a Ele unicamente por conta dos seus atos. 

A Graça funciona assim: Deus mandou seu Filho, Jesus, morrer por nós numa cruz. E essa morte pagou o preço dos nossos pecados. Assim, todo aquele que reconhecer seus pecados e aceitar Jesus como seu Salvador, é perdoado, mediante a Graça, e pode ser salvo (João capítulo 3, versículo 16).

Conforme comentei, nenhuma outra religião prega tal tipo de coisa. Algumas religiões - por exemplo, o budismo e o espiritismo - pregam um processo de aperfeiçoamento interior constante, alcançado através de múltiplas experiências de vida. As pessoas vão melhorando, na base da tentativa e erro, e terão tantas chances (novas vidas) quantas forem necessárias para fazer esse aprendizado. Se aprenderam mais depressa, melhor para elas.

Numa visão desse tipo, a Graça de Deus não se faz necessária. Na verdade, não espaço para ela. A pessoa passa por um processo de aperfeiçoamento e seu mérito é reconhecido. 

O desafio gerado pela Graça
Mas aqui cabe uma pergunta: por que a Graça é necessária? Simplesmente porque um esquema baseado no mérito, onde as pessoas conquistam sua salvação pelo bem que fazem, não é viável. Simples assim. E Deus explicou o por quê. 

Primeiro, Ele nos deu a lei – aquela transmitida aos israelitas por Moisés, detalhada por diversos outros profetas e, finalmente, Jesus e Paulo. É isso que Deus espera que as pessoas cumpram para atender seus requisitos mínimos. Até aí tudo bem.

O problema é que a esses requisitos são impossíveis de atingir. Basta, por exemplo, pensar na exigência de amar o próximo como a si mesmo. Você conhece alguém assim? Eu não conheço.

As pessoas foram se conscientizando disso aos poucos e perguntaram para Deus: “E agora, o que vamos fazer? Assim, ninguém vai ser salvo”. E Deus, em resposta a esse grito angustiado, mostrou o caminho da Graça - basta a pessoa reconhecer seus pecados e aceitar aquilo que lhe é dado sem qualquer custo. Ou seja, a pessoa precisa entender que a salvação não é e nem poderia ser por mérito.

Parece simples e fácil, não? Afinal, como diz um famoso ditado: “de graça, até injeção na veia...”. Deveria ser fácil para todos aceitarem a Graça de Deus e serem sempre gratos por isso. 

Por que, então, tantas pessoas deixam de aceitar essa Graça ao rejeitar Jesus? O problema é que, ao aceitar a Graça de Deus, as pessoas precisam também aceitar diversas outras coisas que são consequência direta dessa Graça. E isso as pessoas têm dificuldade em fazer. 

A primeira delas é que se a salvação vem sem mérito pessoal, Deus tem direito de salvar quem quiser e ninguém pode questionar o que Ele vier a fazer. Mas as pessoas questionam isso a todo momento: por exemplo, quando vêem alguém particularmente ruim encontrar o caminho da salvação, acham isso injusto.

Outro aspecto que afasta as pessoas de Jesus é a percepção de que é preciso fé em Cristo para fazer a Graça de Deus efetiva nas suas vidas. E essa fé não é, como pode parecer à primeira vista, uma simples declaração de intenções, feita num momento de emoção, como ocorre com frequência nas igrejas, depois de pregações inspiradas. 

Essa fé precisa mudar a pessoa, transformar sua forma de ser e a levar a viver mais de acordo com aquilo que Deus deseja do ser humano. Em outras palavras, essa fé precisa gerar obras (Tiago capítulo 2, versículos 14 a 26). 

Não são as obras que salvam e sim a fé. Mas as obras são um termômetro da fé que a pessoa tem. Se elas não existem, isso comprova que a fé também não existe de verdade e a porta da Graça não está aberta.

A questão real, nesse caso, é que muitas pessoas não querem mudar. Não desejam deixar seus caminhos que desagradam a Deus ou não acreditam que isso seja necessário. Assim, permanecem nos seus caminhos e a Graça não se faz presente na vida delas. Essa talvez seja a causa mais comum da falta de aceitação de Jesus pelas pessoas. 

Concluindo, a Graça de Deus é a resposta à pergunta sobre o que faz o cristianismo especial. Trata-se de algo maravilhoso, oferecido às pessoas sem qualquer custo. Não existe nada no mundo que seja assim, afinal tudo o mais tem seu "custo", sua contrapartida. 

Mas, não há dúvida que aceitar essa Graça também é um desafio na vida das pessoas. E esse é o verdadeiro desafio de ser cristão.

Com carinho

Um comentário:

  1. Boa tarde!

    Eu às vezes fico tremendamente chocado com a falta de espírito crítico quanto às palavras e à forma prolixa do discurso apresentado. Reparemos na frase “Deus mandou seu Filho, Jesus, morrer por nós numa cruz. E essa morte pagou o preço dos nossos pecados.” A imagem que acabou de apresentar do seu “Deus” foi de uma de uma entidade sádica e masoquista que ordenou ao seu filho que se entregasse à morte pelos supostos pecados dos Humanos. O mesmo que dizer que não haveriam outros meios menos violentos, como mostrar-se e dizer de si aos seus súbditos, e evitar de utilização um bode expiatório para salvar aqueles foram criados à imagem dele, em pecado, e agora são comandados a purificar-se. Grande paradoxo, não?

    A sua primeira premissa que suporta o resto do seu raciocínio é falaciosa e assim mesmo conduz de forma falaciosa o leitor para o resto da sua argumentação a favor da Graça de Deus que por sinal a distingue das outras religiões na Graça de Deus. Qual é a Verdade? Existe Deus, e a sua verdadeira face assenta no paradigma cristão? Não em outras crenças religiosas?
    Não existem provas que refutem a existência de “Deus” mas também não existem provas que suportem a sua existência. Na falta de conhecimento não se apela à presumível divina existência, suspende-se o julgamento…

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