terça-feira, 5 de agosto de 2014

DESAFIOS PARA INTERPRETAR A BÍBLIA

A Bíblia é a Palavra de Deus, a revelação que deu para os seres humanos sobre uma série de coisas muito importantes, tais como a forma do ser humano se relacionar com Ele, o que é certo (ou errado) fazer e assim por diante. Trata-se de um livro fundamental para os cristãos, pois toda sua fé é construída em cima dos ensinamentos nele contidos. 

Sendo assim, a capacidade de interpretar corretamente os textos bíblicos é de grande importância. Uma interpretação errada, mesmo que feita com as melhores intenções, pode ser um desastre. Por exemplo, veja os depoimentos colocados neste blog sobre a questão do divórcio, que muitos cristãos consideram pecado - as pessoas separadas que pensam assim sofrem muito, especialmente se entram em outros relacionamentos. 

Gostaria de concentrar este post em dois aspectos importantes da interpretação bíblica. São verdadeiros desafios que todas as pessoas enfrentam no processo de interpretar bem a Bíblia.

O desafio da passagem do tempo
O primeiro desafio tem a ver com a passagem do tempo. Isso porque não há como deixar de reconhecer que a Bíblia retrata os costumes da época em que os autores dos seus textos viveram  - entre 2.000 e 3.500 anos atrás. 

Essa ancoragem numa época bem antiga gera o desafio de saber usar ensinamentos originalmente dirigidos para o povo daquele tempo nos dias de hoje, pois quase tudo mudou. Por exemplo, na época em que os Dez Mandamentos foram dados a Moisés, a sociedade admitia poligamia. Ora, num ambiente assim, é claro que a questão do adultério era encarada de forma diferente da hoje hoje. 

Outro bom exemplo refere-se aos contratos de casamento. Nos tempos bíblicos eram feitos com base em negociações entre o homem que tinha posse de uma mulher (seu pai ou irmão mais velho) e o candidato à mão dela (ou seu representante). Essas negociações sempre envolviam pagamentos, pois se tratava essencialmente de um negócio - não havia qualquer espaço para considerar os eventuais sentimentos do casal um pelo outro. Hoje as pessoas buscam essencialmente encontrar a própria felicidade no casamento, através do “par perfeito”. 

E se essa felicidade não for encontrada, as pessoas se sentem livres para romper o vínculo matrimonial e tentar novo casamento. Ora, isso era impossível na época bíblica, quando a mulher sempre era propriedade de alguém - depois de casada, pertencia ao marido. Portanto, é preciso muito cuidado ao transportar para os dias de hoje as regras de vida sobre o casamento que foram estabelecidas na Bíblia. Simples assim.  

O mesmo pode ser dito sobre uma série de outras coisas, como a moralidade sexual, a compra de propriedades, a forma de governo ou a organização da religião. 

As diferenças na forma de viver são tantas que é até surpreendente os ensinamentos bíblicos continuarem relevantes para as pessoas hoje em dia. E acredito que isso somente acontece por duas razões simples. A primeira é que a essência dos seres humanos não mudou ao longo do tempo – seus desejos, suas falhas de caráter (inveja, cobiça), etc são os mesmos hoje que eram milhares de anos atrás. 

A segunda razão é os textos bíblicos nasceram de uma iniciativa de Deus, sendo assim seus escritores foram inspirados a escrever coisas que seriam sempre relevantes. Nesse sentido, a Bíblia não deixa de ser um pequeno milagre com o qual temos contato diariamente.

Concluindo, sempre que olharmos para os textos bíblicos é preciso perguntar qual é o significado que eles teriam para as pessoas da época em que foram escritos e construir, a partir daí, o sentido correto para os dias de hoje.

O desafio do tipo literário
Há outro desafio para a interpretação correta dos textos bíblicos. Trata-se da existência de diferentes tipos literários entre os 66 livros que compõem a Bíblia, como poesia (Salmos), relatos históricos (por exemplo, Êxodo, Samuel, Reis ou Atos dos Apóstolos), pensamentos (Eclesiastes e Provérbios), visões (Apocalipse), estudos teológicos (Romanos) e até literatura erótica (Cantares de Salomão). É um conjunto bem variado e interessante.

Acho que ninguém tem dúvida que não se deve interpretar uma poesia da mesma forma que um texto histórico. Poesias usam linguagem simbólica para passar seu significado, enquanto um texto histórico pretende apenas descrever, da forma mais fiel possível, como determinados fatos ocorreram. São propósitos diferentes.

Por conta disso, um texto histórico deve ser interpretado literalmente, isso é entendido exatamente como foi escrito. Assim, se está escrito que o rei montou num cavalo, a interpretação correta é que uma pessoa subiu num animal para se locomover de um lado para o outro. Já se o mesmo está escrito numa poesia, o significado correto pode se referir a coisa bem diferente. Um bom exemplo são os 4 cavalos descritos no Apocalipse que significam morte, fome, guerra e peste.

Infelizmente o tipo literário muitas vezes não é levado em conta quando as pessoas tentam interpretar a Bíblia. Já cansei de ver pregadores lerem um salmo (poesia) e buscarem nele a descrição de um fato. Por causa disso, há pessoas que pensam que Deus tem braços ou olhos porque há salmos que dizem para nos “aninharmos nos braços do Pai” ou sabermos que “seus olhos enxergam tudo”.

Palavras finais
Concluindo, quando você estudar um texto da Bíblia sempre leve em conta esses dois aspectos: a diferença entre os costumes da época e os costumes atuais, e a variação de estilos literários. São providencias simples que podem interpretações da Bíblia totalmente erradas. 

Com carinho

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