sexta-feira, 1 de agosto de 2014

E QUANDO DECEPCIONAMOS OS OUTROS...

Jesus passou por duas grandes crises pessoais ao longo dos trinta e poucos anos de sua vida. Uma delas teve a ver com sua família e a outra com seus seguidores. Ambas causaram ferimentos emocionais em Jesus, conforme podemos depreender da leitura da Bíblia. 

E o que aconteceu com Jesus não é muito diferente do que pode vir a acontecer (ou está acontecendo) comigo ou com você. Daí a importância de estudar o que aconteceu com Ele, para podermos aprender ensinamentos valiosos.

Os papéis que desempenhamos na sociedade
Mas antes de tudo, preciso falar sobre o conceito dos "papéis" desempenhados por determinada pessoa dentro da sociedade. 

Todos desempenhamos vários papéis: pai(mãe), filho(a), funcionário(a), amigo(a), chefe, etc. E passamos a vida tentando conciliar os compromissos que esses papéis geram, ora dando mais atenção a um papel ora a outro. 

Crises relacionadas com um ou mais desses papéis podem gerar problemas sérios, impactando toda a vida da pessoa. Por exemplo, uma mãe em crise com sua filha adolescente pode perder até a alegria de viver.

É importante entender que os papéis vividos por qualquer pessoa estão sempre mudando - por exemplo, não posso ser o mesmo pai que já fui, pois hoje meus filhos são adultos. Novos papéis vão sendo acrescentados (por exemplo, um recém casado agrega o papel de "esposo" à sua vida), enquanto outros papéis desaparecem (por exemplo, meus pai morreram e eu deixei de ser filho). 

E que muitas vezes há conflitos entre os diferentes papéis - por exemplo, para a pessoa ser um(a) funcionário(a) extremamente bem sucedido(a) talvez ele(a) tenha que sacrificar seu papel de pai(mãe). 

Crises relacionadas com expectativas erradas
Esse tipo de crise aparece quando aqueles(as) no entorno de determinada pessoa - família, amigos, colegas de trabalho, etc - por algum motivo criam expectativas muito diferentes dela mesma sobre determinado papel. Aí cria-se um abismo entre a expectativa externa e o pensamento da própria pessoa a respeito da execução desse papel. 

Por exemplo, se a concepção de certo homem sobre o que é preciso fazer para ser um bom pai for muito diferente daquilo que a sociedade espera dele, ele passará a ser criticado e, no limite, poderá até sofrer um processo judicial, perdendo a guarda de seus filhos. Não importa quais sejam as intenções desse pai, a diferença de expectativas certamente vai impactar sua vida. 

Da mesma forma, se os frequentadores de uma igreja tiverem uma percepção muito diferente do seu pastor quanto à forma correta de um ministro de Deus agir, pode até acabar havendo uma ruptura no relacionamento desse pastor com sua congregação - já vi isso acontecer várias vezes.

Jesus passou por duas crises geradas por diferenças de expectativas entre o que as pessoas pensavam e o que Ele entendia ser o certo a fazer em relação a dois papéis cruciais na sua vida, um deles relacionado com sua família e outro com seu ministério. Vamos começar discutindo a crise familiar.

Jesus era o filho mais velho e, assim, todos os seus familiares e amigos próximos entendiam caber a Ele cuidar da sua família depois da morte do pai (José). E Jesus fez isso por bom tempo, até mais ou menos os 30 anos. 

Mas a partir daí, seu ministério na obra de Deus passou a ter prioridade e Ele deixou tudo para trás, tanto seu trabalho como sua família. Foi como se, em dado momento, Ele tivesse assumido que sua missão com a família estava cumprida e houvesse outra missão mais importante à sua frente. 

É óbvio que sua família não se conformou e tentou de todas as formas trazê-lo de volta, inclusive alegando que Jesus não gozava de suas faculdades normais. Isso gerou uma grande tensão, ao ponto que, quando sua família chegava onde Jesus estava e era a anunciada, Ele afirmava que sua família verdadeira era composta por aqueles que o seguiam (Mateus capítulo 12, versículos 46 a 50). 

A outra crise de papel que Jesus enfrentou teve a ver com seu ministério. A sociedade judaica esperava havia séculos a chegada de um líder, o Messias, para libertá-la do jugo dos dominadores que, sucessivamente, iam se revezando na tarefa de oprimi-la - no tempo de Jesus, os romanos eram os opressores. 

Quando Jesus começou a ser reconhecido por alguns judeus como o Messias tão esperado - por exemplo, no Domingo de Ramos, quando Ele entrou em Jerusalém saudado por todos -, as pessoas passaram a esperar que Ele preenchesse o papel de Messias conforme o entendiam - um líder militar que iria promover uma revolta armada. 

Mas, Jesus preencheu o papel de Messias de forma totalmente diferente - Ele veio para falar da libertação do ser humano do pecado, dar às pessoas acesso à salvação e inaugurar a chegada do Reino de Deus na terra. Por causa disso, muitos dos seus seguidores se decepcionaram (João capítulo 6, versículos 60 a 66) e alguns, como Judas Iscariotes, até se voltaram contra Ele. 

O ensinamento que fica
Todos, incluindo você e eu, vivem crises de papéis geradas pelas diferenças entre as expectativas daqueles(as) em volta e as que estabelecem para si mesmos(as). O que fazer quando você passa por esse tipo de situação? 

Primeiro é preciso ver de onde vem essa diferença de expectativas: por que as pessoas esperam de você algo que vai além da sua capacidade ou vontade de fazer?  

Se a diferença de ponto de vista dever-se ao fato que você tem uma expectativa errada do que deva fazer para cumprir bem determinado papel, a Bíblia ensina que cabe a você ter humildade, reconhecer seu erro e mudar. Em outras palavras, você precisa corrigir seus caminhos.

Mas há outra possibilidade: a diferença de expectativas pode dever-se a erros de percepção daqueles que estão à sua volta, como aconteceu com Jesus. E pode ser que, por conta disso, você sofra críticas injustas. 

Lembro-me do caso de uma mulher que se converteu a Jesus e o marido não. Aquele homem era machista e esperava que a mulher estivesse sempre à sua disposição. E como a esposa passou a ir à igreja aos domingos pela manhã, o marido ficou ressentido e começou a reclamar e fazer ameças. Suas reclamações encontraram apoio junto ao seu sogro e sua sogra, preocupados que a filha viesse a perder um bom marido por conta do seu "erro" de conduta. E a pobre mulher foi pressionada de todos os lados, o que gerou muito sofrimento para ela.

Quando você enfrentar uma situação em que as pessoas esperem de você aquilo que não seja justo ou correto, é preciso seguir o exemplo de Jesus. Continuar a fazer o que é certo e confiar que Deus haverá de mudar as circunstâncias que o afetam. 

Por isso Jesus não mudou seu ministério para torná-lo mais adequado ao gosto dos judeus daquela época - continuou a desempenhar sua missão da forma como Deus definira. Da mesma forma, não mudou o que precisava fazer por conta das pressões da sua família. Persistiu no seu caminho. E o mesmo fez a esposa do exemplo que dei acima - resistiu a todas as pressões, até que o marido se converteu.

Portanto, não mude sua vida naquilo que está certo para satisfazer as opiniões e as pressões daqueles(as) que estão à sua volta. É claro que isso tem um preço, pois há grande desconforto em decepcionar as pessoas, especialmente aquelas de quem gostamos. Mas mudar apenas para ficar bem com os outros é ainda pior. 

Se você estiver vivendo esse tipo de situação, fique firme e peça ajuda a Deus para suportar as pressões. Resista e pode ter certeza que a vontade de Deus na sua vida vai prevalecer, sempre.

Com carinho 

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