sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A ESCOLHA

Certa vez Jesus conversou com um "doutor da lei" (o equivalente naquela época aos teólogos atuais), conforme o relato de Lucas capítulo 10, versículos 25 a 28. Jesus perguntou-lhe sobre o que o ser humano precisa fazer para herdar o Reino de Deus. E o teólogo respondeu corretamente, citando a lei do Amor: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. 

O interessante é que depois de dar a resposta correta o teólogo perguntou a Jesus algo surpreendente: quis saber quem era seu próximo. Ou seja, ele conhecia as filigranas da teologia, mas desconhecia como proceder na prática: o teólogo não sabia a quem deveria amar. 

A resposta de Jesus foi ainda mais surpreendente: contou uma parábola, a do bom samaritano (Lucas capítulo 10, versículos 29 a 37). A parábola fala de um samaritano, homem pertencente a um povo desprezado pelos judeus, que ajudou um homem judeu caído à beira da estrada, ferido durante um assalto. E já tinham passado pelo homem caído um sacerdote e um levita e nenhum deles fez nada. Só o samaritano teve compaixão do homem caído.

Depois de contar a parábola, Jesus perguntou ao teólogo: quem você acha que foi o próximo do homem em sofrimento? O teólogo respondeu corretamente: aquele que teve misericórdia. Repare que a pergunta inicial do teólogo foi quem era o próximo dele. E a pergunta de Jesus foi ligeiramente diferente: quem foi o próximo do homem que sofria? 

O teólogo colocou a referencia nele mesmo, enquanto Jesus colocou a referencia naquele que sofria. Jesus ensinou que meu próximo é todo aquele que precisa de mim e por quem eu posso fazer algo. Não sou eu quem escolho o meu próximo. É a necessidade de quem cruza meu caminho que me "escolhe". 

A prática
Dias atrás ocorreu um enorme incêndio numa favela em São Paulo, que desabrigou cerca de 500 famílias - algo como 2.000 pessoas. 

Esse incêndio impactou-me de perto porque a comunidade atingida é a mesma com a qual a igreja que frequento trabalha há muitos anos. Grande número de famílias extremamente pobres perdeu o pouco que tinha. Os que já eram despossuídos, ficaram ainda mais carentes ainda.

Naturalmente toda a igreja se mobilizou para ajudar, assim como fizeram outras igrejas cristãs, de diferentes denominações, que também apoiam a mesma comunidade. O poder público, como sempre, agiu de forma impessoal e a ajuda dada foi muito pequena.

Nesse processo, a atuação das pessoas trouxe-me muitos ensinamentos. Muitas pessoas conhecendo, ou intuindo, o ensinamento de Jesus de amar ao próximo, mobilizaram-se de maneira admirável e deram enorme contribuição para minorar o sofrimento do próximo. Já outros agiram como se não fosse com eles(as), não demonstrando qualquer interesse em ajudar, agindo de forma muito parecida com o teólogo que conversou com Jesus.

Resultado final
Agora, a conversa que Jesus teve com o doutor da lei tinha a ver com o que devia ser feito para herdar o Reino de Deus. Ou seja, o tema era salvação. E Jesus disse explicitamente para seu interlocutor: "faça isto e viverás".

Não foi dito diretamente o que acontece quando a pessoa não segue a Lei do Amor mas acho que a conclusão é direta e nem precisa ser explicada aqui. 

Concluindo, a vida coloca várias escolhas diante de cada pessoa do tipo: "amar" ou "deixar de amar". E são escolhas cujo resultado é crucial na vida da pessoa. É fundamental escolher certo. Simples assim.

Com carinho 

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