domingo, 12 de outubro de 2014

É JUSTO QUE A SALVAÇÃO SEJA IGUAL PARA TODOS?

Certa vez um grande amigo fez-me a seguinte pergunta:
"Como é possível que o criminoso crucificado ao lado de Jesus tenha ido para o mesmo céu que o apóstolo Paulo? Isso não parece justo."
A pergunta faz todo sentido. Afinal, o criminoso crucificado ao lado de Jesus somente se converteu na hora da sua morte e ele tinha reconhecido que seus pecados tinham sido enormes, justificando sua condenação à morte. Já o apóstolo Paulo passou a maior parte da sua vida pregando o Evangelho e ajudando na fundação de igrejas cristãs. E escreveu cerca de 60% do Novo Testamento. Como os dois podem ter recebido a mesma recompensa de Deus? Não parece justo.

A parábola dos boia fria
Jesus sabia que essa tipo de dúvida iria ocorrer e se antecipou a ela, contando uma parábola muito interessante (Mateus capítulo 20, versículos 1 a 16). É a estória de um dono de terras que procurou alguns boia-fria para trabalhar uma diária na sua lavoura. E combinou com eles um preço mais do que justo pela sua jornada de trabalho. 

Passaram-se algumas horas e o dono de terras viu que ia precisar de mais mão de obra e foi contratar trabalhadores adicionais, para completar a jornada de trabalho. Mas, surpreendendo a todos, combinou pagar o mesmo salário para esses novos trabalhadores, embora o tempo de trabalho deles fosse ser bem menor. E fez isso de novo, algumas horas depois.

No final do dia, o dono de terras pagou todos os trabalhadores a mesma quantia, conforme combinado com eles. Mas os que trabalharam mais horas se queixaram do contratante por entender que havia sido cometida uma injustiça - trabalharam mais e receberam o mesmo. 

Aí o dono de terras perguntou a esses trabalhadores onde estava a injustiça, pois ele tinha pago exatamente o combinado com cada um. Ele tinha cumprido exatamente o que tinha prometido. E, acrescentou, se quis beneficiar os trabalhadores que trabalharam menos tempo usando seu próprio dinheiro, e sem prejudicar os demais, quem tinha direito de questioná-lo? 

Nessa parábola, o dono de terras é Deus e os boia-fria somos nós e o salário é a salvação. Portanto, a estória trata da mesma questão levantada acima: como é possível que pessoas com histórias de vida diferentes possam ir para o mesmo céu?

E a resposta de Jesus para essa questão foi simples: a salvação não é merecida por ninguém. Trata-se de um presente dado por Deus, pela sua Graça (veja mais). Logo, se é um presente, ninguém pode se queixar de como esse presente é distribuído. Cada um de nós deveria ficar feliz de receber essa Graça não merecida e não pode se preocupar com o que acontece com quem está ao lado.

O problema real 
Na verdade, a pergunta que meu amigo fez se baseia na percepção errada das pessoas quanto à salvação. Bem lá no fundo, elas acham que a salvação deveria ser alcançada por mérito e, se fosse assim, seria injusto que alguém com mais méritos recebesse o mesmo que outra pessoa com menos méritos.

Portanto, esse tipo de questionamento somente vai desaparecer quando as pessoas entenderem como a salvação se dá de fato. Quando deixarem de tentar ganhá-la e entenderem que não a fazem por merecer isso. Quem teve merecimento foi Jesus, que morreu por nós na cruz. Simples assim. Nosso papel é simplesmente aceitar isso, reconhecendo-o como Salvador.

Com carinho

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