terça-feira, 28 de outubro de 2014

O CHAMADO DE CADA UM

A Bíblia conta diversos eventos onde Deus chamou pessoas para desenvolver sua obra. E essas situações têm muito a nos ensinar. Vejamos três exemplos.

O primeiro envolveu Moisés, no episódio da "sarça ardente". Ele pastoreava rebanhos do sogro quando viu algo estranho no Monte Sinai. Subiu e encontrou um arbusto ardendo em chamas, mas que não se consumia. De dentro da sarça ardente, Deus falou com Moisés e lhe deu a missão de libertar o povo de Israel da escravidão no Egito (Êxodo capítulo 3).

O segundo exemplo aconteceu com Isaías: o profeta teve uma visão do trono de Deus. Um anjo purificou sua boca com uma brasa viva e Deus o enviou para anunciar sua vontade para o povo de Israel (capítulo 6, versículos 1 a 10).

O terceiro caso envolveu Jesus e um de seus apóstolos, Pedro, aquele que o negou três vezes. Os discípulos vinham num barco e se aproximavam da praia, quando viram um homem - o próprio Jesus ressuscitado - assando peixes num braseiro. Pedro reconheceu seu Senhor e nadou até a praia para encontrá-lo. Ali, Jesus lhe pediu, por três vezes, para pastorear suas ovelhas (João capítulo 21).

Repare bem nas diferenças entre os três casos. Isaías era um sacerdote e a visão que teve fez referência à liturgia usada no Templo de Jerusalém, coisa que o profeta conhecia bem. Moisés falou com Deus pela primeira vez em um monte, perto de onde pastoreava animais - sua atenção foi chamada por uma planta que lhe pareceu estranha. Jesus falou com Pedro numa praia, onde uma refeição simples estava sendo preparada, cenário bem familiar para pescadores. 

Deus fala com cada um respeitando sua forma de ser, suas necessidades, as circunstâncias em que vive e assim por diante. Isso prova que Ele respeita as pessoas integralmente. 

O fato é que somos chamados por Deus para atuar na sua obra da maneira que somos. Ele somente espera que venhamos a mudar, passando a viver mais de acordo com aquilo que a Bíblia ensina, depois que esse chamado é aceito. E essa mudança será uma decorrência natural da intimidade que a pessoa passa a ter com o Espírito Santo ao fazer a obra de Deus.  

Lembro-me de ouvir, certa vez, um rapaz, afastado da igreja, dizer que precisava corrigir seus caminhos antes de voltar. Ele pensava que era preciso primeiro mudar para depois poder se aproximar de Deus. Esse é erro terrível - se tentar agir assim, nunca vai conseguir voltar a conviver com Deus. A forma correta é exatamente a oposta: a mudança vem justamente como consequência da proximidade com Deus.

Cada um de nós é chamado por Deus para atuar na sua obra exatamente nas condições em que nos encontramos - com as falhas e limitações que enfrentamos. E precisamos seguir em frente a partir desse chamado. Sem hesitações.

Com carinho      

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