domingo, 9 de novembro de 2014

AS HERESIAS MAIS COMUNS

Heresias são conceitos teológicos que fogem da doutrina considerada correta (ortodoxia). Em outras palavras, heresias são interpretações da doutrina cristã que fogem daquilo que é o entendimento geral do que seja certo, de acordo com o ensinamento da Bíblia. Por exemplo, dizer que Jesus não é o Salvador da humanidade é uma heresia, pois foge do entendimento geral, dentro do cristianismo. 

Heresias são perigosas porque levam as pessoas a uma fé confusa e a fazer aplicações práticas distorcidas. Portanto, elas precisam ser combatidas. Antigamente, eram combatidas a "ferro e fogo", com punições físicas - as pessoas eram até queimadas - o que é um absurdo. Heresias são ideias e precisam ser combatidas com outras ideias. Somente assim.

Um artigo recente da conhecida revista "Christianity Today" mostrou uma pesquisa sobre as heresias mais comuns entre os evangélicos. É claro que essa pesquisa se refere aos Estados Unidos, mas achei interessante comentar esse assunto aqui por que muitas dessas heresias são comuns também no Brasil.

Todas as heresias relacionadas introduziram controvérsias teológicas bem no início da história da Igreja Cristã (século IV). Naquela época a Igreja ainda não tinha se dividido Católica, Ortodoxa e as inúmeras denominações evangélicas. 

As dúvidas introduzidas geraram muito debate e quase dividiram a Igreja Cristã, o que acabou acontecendo depois, por outras razões. 

Já foram encontradas respostas teológicas, embasadas na Bíblia, para todas essas heresias. Mas ainda assim essas ideias erradas permanecem vivas - eu encontro esse tipo de argumentação a toda hora, nas conversas que mantenho por aí. 



As quatro heresias mais comuns, segundo a pesquisa, listadas a seguir, se referem à Trindade Santa (Pai, Filho e Espírito Santo). Isso significa que as pessoas têm muita dificuldade para entender esse conceito:

Heresia 1: Deus Pai é mais divino do que o Filho (Jesus).
Heresia 2: Jesus foi o primeiro Ser criado por Deus Pai.
Heresia 3: O Espírito Santo não é uma pessoa e sim uma força.
Heresia 4: O Espírito Santo é menos divino do que o Pai e o Filho.



A discussão histórica
As dúvidas sobre a natureza de Jesus nasceram da análise de expressões bíblicas como “unigênito” (João capítulo 3 versículo 16) e “o primogênito de toda a criação” (Colossenses capítulo 1 versículo 15). 



No século IV, um religioso chamado Arius declarou: “Se o Pai gerou o Filho, então aquele que foi gerado teve um início … Portanto, houve um momento que o Filho não existia...”. Em outras palavras, para Arius, Deus Pai seria maior do que Deus Filho. 

Essa análise ganhou suporte entre muitos líderes religiosos da época, mas também enfrentou grande oposição, essa liderada pelo bispo de Alexandria, Atanásio. Os que se opuseram ao chamado arianismo alegaram que sua interpretação negava a divindade plena de Jesus. 

A questão somente foi resolvida em alguns Concílios de bispos da Igreja Cristã, convocados com esse objetivo. O primeiro Concílio aconteceu no ano de 325, na cidade de Niceia. Cerca de 300 bispos rejeitaram o arianismo e reafirmaram que Jesus têm a mesma natureza que Deus Pai - sendo, portanto, não criado. 

Mas foi preciso mais um Concílio, o de Constantinopla, em 381, para por fim às dúvidas. Ali foi aprovado como doutrina oficial da Igreja Cristã (que todas as denominações atuais aceitam) o chamado Credo de Niceia, estabelecendo expressamente que o Filho é da mesma natureza que o Pai. 

A confusão sobre a natureza do Espírito Santo começou quando alguns começaram a defender a tese que o Espírito Santo não era uma pessoa (com raciocínio e vontades próprias) mas apenas uma força (ou poder) e tem natureza diferente de Deus Pai e Filho. A palavra usada para descrever o Espírito Santo no hebraico - Ruach (vento) - parecia dar apoio a essa interpretação. 

No Concílio de Constantinopla, os 150 bispos reunidos reafirmaram que o Espírito Santo tinha a mesma natureza que Deus Pai e Filho e era uma pessoa. Ficou reafirmada assim a doutrina da Trindade. Pela doutrina então afirmada e que continua a ser aceita por praticamente todos os cristãos, as três pessoas da Trindade merecem a mesma honra e detém co-soberania. Oficialmente, as controvérsias para essas questões foram então encerradas.

As razões teológicas
Não falei nada ainda sobre as razões teológicas que levaram aqueles Concílios a decidir pela doutrina da Trindade. Resumo a seguir os principais argumentos usados. E começo por discutir a controvérsia relacionada com Jesus Cristo. 

Se Ele tivesse sido criado, teria natureza limitada e não seria divino, pelo menos não da mesma forma que Deus Pai. Mas, se não fosse divino, seu sacrifício não teria o alcance que teve, o que destruiria toda a doutrina da Salvação. 

Jesus morreu pelos pecados dos seres humanos e seu sacrifício é válido tanto para aqueles que viveram antes d´Ele (aqueles que esperavam a vinda do Messias), para os que conviveram com Ele na terra e também para os que vieram depois d´Ele (como nós). Em outras palavras, o sacrifício de Jesus não tem limites.

Quanto aos termos bíblicos que parecem indicar que Jesus foi criado por Deus, precisamos entender as afirmações bíblicas como formas simplificadas de explicar uma verdade muito complexa. É pela mesma razão que a Bíblia fala dos "braços" ou dos "olhos" de Deus Pai, embora Ele seja um Ser incorpóreo.   

As declarações que parecem indicar que o Filho foi criado, na verdade, procuram explicar o relacionamento do Pai com o Filho - os próprios termos "Pai" e "Filho" apontam para a tentativa de usar conceitos humanos para explicar essa realidade complexa. 



Quanto ao Espírito Santo, a Bíblia é clara ao dizer que Ele intercede por nós junto ao Pai, assim precisa ter raciocínio e vontade. Se fosse apenas uma força - um "vento divino" - não poderia fazer nada disso. Forças da natureza não intercedem pelas pessoas.



Além disso, Jesus disse, pouco antes de voltar para junto do Pai, que o Espírito Santo viria substitui-lo junto à humanidade (João capítulo 14, versículos 16 e 17). Uma simples força não poderia substituir Jesus, que orientou e ensinou as pessoas a seguirem caminhos que agradam a Deus.



Finalmente, a Bíblia ensina que devemos batizar as pessoas no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mateus capítulo 28, versículo 19). Isso indica claramente que estamos falando de três realidades que têm o mesmo significado e importância. 



Com carinho

Um comentário:

  1. se entedencemos quem e o pai o filho e o espirito santo ,seriamos todos batizados em nome de Jesus.

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