domingo, 7 de dezembro de 2014

A DOR DE UM ESTIGMA

Estigma é uma marca de natureza moral que a pessoa carrega, marca essa normalmente imposta a ela pela sociedade. 

Estigmas causam muito sofrimento e conheço inúmeros casos que comprovam isso. Por exemplo, lembro do caso de uma moça que tem temperamento sanguíneo - ela reage muito rápida e fortemente às provocações ou críticas. É da natureza dela. Mas ela também é extremamente amorosa, dedicada e tem a enorme qualidade de não guardar ressentimentos.

Durante sua juventude, essa característica explosiva foi mais acentuada, pois tudo nos jovens é intenso. Com a maturidade e depois de muito esforço pessoal, ela aprendeu a se controlar melhor. Mas ficou estigmatizada dentro da sua própria família como "criadora de caso". Ainda hoje, toda vez que ela reage com maior intensidade a uma situação ruim, mesmo quando tem toda razão, ouve de imediato a acusação que é encrenqueira. 

E mesmo a evolução por ela obtida não lhe é creditada: a família acha que o mérito é do marido, com quem ela se casou cerca de dez anos atrás. Para a família, foi a boa "influência" dele que resolveu tudo. Resumindo, o lado ruim sempre é responsabilidade dela enquanto os aspectos positivos vão para a "conta" do marido. 

Pessoas estigmatizadas sempre têm dificuldade de se livrar da marca negativa que receberam dos outros. Assim, a artista de televisão que começou a vida fazendo o papel de "gostosa", vai ser sempre classificada nessa categoria, não importa que depois passe a desempenhar papéis mais sérios. Do palhaço que virou deputado federal, todos esperam palhaçadas, embora as verdadeiras "palhaçadas" sejam feitas por pessoas com diploma e "colarinho branco engomado". E, no meio cristão, a pessoa que teve seu pecado sexual exposto nunca mais vai recuperar o respeito e será  sempre olhada de "esguelha" dentro da igreja que frequenta. 

Essa é uma triste realidade. E, por conta dela, a autoestima das pessoas estigmatizadas fica muito reduzida - elas se sentem inseguras, injustiçadas e infelizes.

Agora, se você passa por esse tipo de dificuldade, não desanime. Afinal, vários personagens da Bíblia precisaram enfrentar esse tipo de situação e conseguiram seus estigmas. E você pode aprender com o exemplo deles.

O caso mais doloroso e impressionante é o do próprio Jesus. Maria, sua mãe, apareceu grávida de forma misteriosa e isso gerou uma sombra permanente sobre sua origem. Seria ele um filho bastardo? Quem foi seu pai de sangue?

Os adversários de Jesus chegaram a espalhar boatos de toda ordem sobre sua origem - por exemplo, alguns afirmaram que Maria foi estuprada por um soldado romano e engravidou dele. E nuca podemos esquecer que esse tipo de questão, no meio dos judeus, era muito sério. Para eles, a pureza do sangue era algo inegociável e isso continua a ser verdade até os dias de hoje. 

O estigma de Jesus fica aparente no texto bíblico, por exemplo, quando Ele é chamado de "filho de Maria". Ora, naquela época, as pessoas sempre eram identificadas através da linhagem paterna. Portanto, referir-se a uma pessoa pela linhagem da sua mãe somente fazia sentido quando havia dúvida quanto a quem era de fato seu pai. 

Jesus carregou essa carga terrível por toda a vida, sem dúvida com grande sofrimento pessoal. Mas não foi só Jesus que foi estigmatizado. 

Paulo também passou por sua cota de sofrimento. Antes de se converter, ela perseguiu os cristãos, considerados hereges. Mais adiante, Paulo começou suas viagens missionárias e abraçou a missão de trazer o Evangelho de Jesus para os não judeus. E passou a ser considerado o Apóstolo para os gentios. 

Ocorre que a posição de "apóstolo" estava reservada, em princípio, para os 12 homens escolhidos por Jesus no início do seu ministério, como Pedro e João - esses homens beberam os ensinamentos espirituais diretamente do próprio Mestre.  

Mas Paulo não andou com Jesus, pois se converteu depois da morte e ressurreição d´Ele. Aí, quando Paulo começou a se apresentar como apóstolo, houve reação e muitos entenderam que ele tinha usurpado essa função. 

O estigma de usurpador que Paulo recebeu gerou muitos problemas e, não foi por acaso, que várias das suas cartas dedicam espaço à defesa da sua autoridade apostólica, coisa que Pedro e João, por exemplo, nunca precisaram fazer. 

A resposta para o estigma que eventualmente tenha sido atribuído a você é entender que, para Deus, toda pessoa importa muito. Para o Criador do universo, você tem valor, tanto valor, que Ele enviou seu Filho para morrer no seu lugar.

E Deus nunca vai olhar para você levando em conta os estigmas que a sociedade eventualmente lhe impôs. Você sempre será um(a) filho(a) querido(a) para Deus. E nada, nada mesmo, poderá separar você do amor d´Ele (veja mais).

Com carinho

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