sábado, 10 de janeiro de 2015

AS RAZÕES PARA O SEGUNDO MANDAMENTO

Parte de uma série sobre os Dez Mandamentos

O segundo mandamento – “não farás para ti imagens de escultura..., não as adorarás, nem lhes darás culto” (Êxodo capítulo 20, versículos 4 e 5) – é bastante controvertido. Isso porque uma boa parcela do cristianismo – os católicos romanos e os ortodoxos – têm e usam regularmente nos seus cultos imagens e figuras consideradas sagradas. Já os evangélicos criticam fortemente essa prática e a consideram uma violação clara do mandamento.

Por que será que Deus estabeleceu essa proibição? Quem está certo nessa polêmica? Para tentar esclarecer, vou começar analisando o que leva uma pessoa a fazer uma imagem ou uma figura de Deus (ou Jesus) e usá-la num culto. É importante ficar claro que estou deixando de fora da discussão as imagens ou figuras feita puramente por razões artísticas - por exemplo, uma gravura que venha a ilustrar um artigo de uma revista. Tal coisa, no meu entender, não é proibida e a maioria dos cristãos provavelmente concorda comigo.

As imagens e figuras de Deus usadas em cultos tornaram-se comuns porque não é fácil para a maioria das pessoas adorar um Ser que não conseguem ver. E esses objetos são usados para tornar mais concreta a presença de Deus. 

Agora, essa prática gera três tipos de problemas. Em primeiro lugar, a concepção que qualquer ser humano, mesmo o melhor dos artistas, pode fazer de Deus é muito limitada. Assim, qualquer imagem ou gravura, mesmo as mais bonitas, sempre é uma visão distorcida da realidade. 

E como as pessoas se acostumam com essas representações, elas acabam por vir a perceber Deus através dos olhos dos artistas – não é por acaso, por exemplo, que a maioria das pessoas entende Deus como um velho bonito, de longas barbas brancas, forma como Ele foi representado por Michelangelo nas pinturas do teto da Capela Sistina, no Vaticano. É claro que Deus não é assim.

O que as pessoas não percebem de imediato é como as imagens distorcidas de Deus geram consequências ruins. Por exemplo, como Ele foi sempre retratado pelos artistas como homem, as pessoas tendem a vê-lo como pertencendo ao sexo masculino, o que não é verdade. E essa percepção incentivou a noção que o sexo masculino é superior e gerou todo um esquema de dominação da mulher, pelo homem, ao longo da história. O mesmo pode ser dito de Deus ser retratado como de cor branca, reforçando a noção que pessoas com essa cor de pele são superiores às demais.

Em segundo lugar, as imagens ou gravuras usadas nos cultos frequentemente acabam se tornando sagradas, corporificações da Divindade. Esse tipo de erro é visto com muita frequência na igreja Católica Romana. 

Ora, Deus não se agrada disso - a adoração deve ser reservada a Ele e a Ele somente. E há um exemplo bíblico que ilustra bem isso. 

O terceiro problema está relacionado com o poder adquirido pelos sacerdotes que controlam os objetos sagrados. Há vários exemplos na história de situações em que alguns padres católicos negaram aos fiéis acesso às imagens consideradas sagradas para obrigar as pessoas a se curvarem à sua vontade. Ora ninguém pode ter esse tipo de poder. Ninguém.

Resumindo, acho que ficou claro haver boas razões para proibir o uso de imagens e gravuras em cultos. O problema não está nas imagens e gravuras em si, mas sim no uso errado que as pessoas inevitavelmente acabam fazendo delas. 

Com carinho

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