quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

NÃO MATARÁS: ANALISANDO O SEXTO MANDAMENTO

Parte de uma série sobre os Dez Mandamentos

O sexto mandamento – “não matarás” (Êxodo capítulo 20, versículo 13) – inicia a parte dos Dez Mandamentos que se refere ao relacionamento dos seres humanos entre si, estabelecendo as bases mínimas para a vida em sociedade. 

O princípio seguido por Deus ao estabelecer esses mandamentos é o respeito incondicional pela dignidade humana, mais especialmente pela vida, que a Bíblia considera um dom de Deus. 

O sexto mandamento parece ser bem fácil de cumprir: não podemos matar e pronto. Mas a realidade é mais complexa do que parece à primeira vista e há vários dilemas éticos – situações em que é difícil diferenciar o que está certo do que está errado - a serem considerados.

Pena de morte
A Bíblia tem diversas leis estabelecendo pena de morte, o que significa que há crimes que merecem esse tipo de punição. Sendo assim, fica difícil ser filosoficamente contra tal tipo de punição.

A primeira consequência dessa conclusão é que o significado real do sexto mandamento é não assassinarás, em outras palavras, não matarás de forma ilegal. Assim, por exemplo, é aceitável matar em autodefesa ou na defesa de outra pessoa. O mesmo pode ser dito sobre a guerra.

A Bíblia não questiona a validade da pena de morte em si mas discute a forma pela qual ela é decretada e aplicada. Há alguns princípios a serem seguidos. Primeiro,  a pena de morte somente pode ser decretada por quem tem autoridade legal e também moral para fazer isso. E há uma passagem que exemplifica esses conceitos com clareza. 

Uma mulher adúltera, que pela Lei Mosaica deveria ser morta por apedrejamento, é trazida até Jesus. E os homens questionam Jesus sobre o que deveria ser feito. Aí Jesus lhes disse: "...aquele que dentre vós estiver sem pecado,  seja o primeiro que lhe atire a pedra" (João capítulo 8, versículo 7).  Em outras palavras, a pena de morte, naquele caso, era legal, ou seja seguia a Lei, mas os homens que iriam aplicá-la não tinham autoridade moral para executar aquele ato. É claro que ninguém atirou pedra na mulher adúltera.

É exatamente por causa disso que sou contra a pena de morte: não vejo nos sistemas legais dos diferentes países, e muito menos ainda no Brasil, legitimidade moral para aplicar esse tipo de pena. Vale lembrar que, se tivermos pena de morte no Brasil, certamente vamos acabar matando pessoas inocentes, porque os erros judicias são uma realidade em nosso país.

Concluindo a pena de morte não viola o sexto mandamento. Mas sua aplicação precisa seguir princípios de legalidade e moralidade que raramente estão presentes na prática.

Suicídio
Aos olhos da Bíblia o suicídio é errado porque o suicida considera que sua vida é um "bem" sobre o qual ele(a) tem total direito e controle. Mas o dom da vida é dádiva de Deus e os seres humanos são apenas "fiéis depositários" desse dom. 

Por isso não somente o suicídio é errado, como também vai contra a vontade de Deus abusar do próprio corpo com práticas como fumo, bebida, excesso de comida, etc.  

Aborto
Acredito que nenhum cristão possa ser a favor do aborto, especialmente depois de ver filmes de fetos sendo extraídos do útero materno – são imagens que causam arrepios.

Mas há situações que envolvem dilemas éticos. Vou tratar pelo menos dois casos. O primeiro deles é aquele em que a vida da mãe corre risco por conta da gravidez. Há aí uma escolha: qual vida deve ser preservada? Sei de situações desse tipo em que a mãe resolveu dar continuidade à gravidez e algumas até se sacrificaram pelos filhos. Em outros casos as mães escolheram interromper a gravidez. É uma decisão difícil.

Minha opinião é que cabe à mãe (se ela estiver lúcida) decidir o que fazer, com o apoio do pai. E ninguém tem direito de passar julgamento sobre a decisão tomada - não há nada na Bíblia que critique uma mãe que decida preservar sua vida em risco.

Outra situação complexa é a gravidez decorrente de estupro. O estupro é crime hediondo, que traumatiza fortemente as mulheres vítimas dele. Ora, quando ao estupro se junta uma gravidez indesejada pela mulher, o problema é de grande seriedade.


Os homens não têm condição de avaliar como uma mulher se sente em uma situação como essa, assim como não podem avaliar o que é dar à luz. Por isso discordo frontalmente do Arcebispo Católico, que anos atrás excomungou uma menina que abortou, depois de ter sido estuprada pelo padrasto. Essa menina foi vitimada duas vezes, uma pelo seu agressor e a outra pela sua igreja.

Obrigar uma mulher a levar a termo uma gravidez que lhe lembrará a cada segundo a violência de que foi vítima, é desumano – eu não faria isso com uma filha minha. Por outro lado, a criança sendo gestada não tem culpa do que aconteceu e tem tanto direito de viver como você ou eu. 

Novamente trata-se de situação que somente pode ser resolvida pela própria mulher que vive esse tipo de experiência. E ela precisará contar muito com o apoio e o aconselhamento dos seus líderes espirituais e pais. E, mais uma vez, a ninguém mais cabe julgar a decisão tomada.

Eutanásia
Há duas situações a considerar. A primeira delas é a orto-eutanásia, ou seja aquela situação em que os médicos deixam de fazer novos procedimentos, que prolongariam a vida da pessoa de forma artificial. Em outras palavras, deixa-se a natureza seguir seu curso sem intervenções externas. 

Como todos vão morrer mesmo, essa é uma posição aceitável e que não contraria o que diz a Bíblia. A maioria das igrejas cristãs concorda com essa posição.

A outra situação é quando a morte é provocada, para diminuir o sofrimento, por exemplo, através de uma injeção letal. Entendo que essa postura viola o sexto mandamento e não deve ser aceita. As razões teológicas para essa posição são parecidas com a do suicídio.

Palavras finais
Há muitas outras situações não abordadas aqui, mas que poderiam ser discutidas: aborto no caso de feto sem cérebro, uso de cobaias humanas para testar tratamentos novos, as guerras injustas, etc. 

Não tenho espaço para discutir cada uma dessas possibilidades aqui, mas acredito que meus comentários anteriores tenham ajudado você a entender como aplicar o sexto mandamento na prática. 

Com carinho

Um comentário:

  1. naõ concordo com nada vc esta dizendo q so devemos nos importar com nos mesmos. por favor sou evangélico e so quero le ajudar aceite aa minha opinião.

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