terça-feira, 6 de janeiro de 2015

OS DEZ MANDAMENTOS ONTEM E HOJE

A Bíblia está cheia de mandamentos de diversas naturezas, regulando as vidas das pessoas quanto a como se relacionar umas com as outras pessoas e com o próprio Deus. 

Os "Dez Mandamentos" (Decálogo) são os mais conhecidos dentre eles e por causa disso escrevi uma série de posts, que irão ser publicados aos poucos, tratando de cada um individualmente. Meu objetivo é mostrar que eles continuam extremamente válidos nos dias de hoje, não estando em absoluto superados. 

Mas antes de fazer a discussão individual dos mandamentos, pretendo fazer hoje aqui uma reflexão sobre o conjunto deles e sobre seu significado para a vida dos cristãos. Algo como uma introdução para os dez posts que irão se suceder nos próximos dias.

Por que há necessidade de mandamentos?
Há pelo menos três razões pelas quais mandamentos são necessários. A primeira tem como ponto de partida a constatação de haver muitas coisas que o ser humano nunca faria se fosse deixado por sua própria conta. Precisa ser obrigado a ir na direção certa.

Basta perceber não haver necessidade de mandamentos regulando aquilo que as pessoas já fazem por sua própria iniciativa - por exemplo, não é preciso mandar as mães amarem seus próprios filhos ou as pessoas defenderem seus interesses pessoais. 

Mas é preciso ensinar as pessoas a amar o próximo pois isso não é algo natural nelas. E assim ocorre com muitas outras coisas. 

A segunda razão é baseada num princípio jurídico bem conhecido: sem lei não há transgressão. Ou seja, se a autoridade constituída não estabelecer através de uma lei que determinado ato é errado (ilegal), não haveria como punir uma pessoa que o praticasse. É simples assim. 

Um bom exemplo são alguns atos reprováveis realizados pelas pessoas na Internet que têm ficado sem punição porque não estão tipificados em qualquer lei por se tratar de matéria muito nova.

Sendo assim, Deus estabeleceu leis que estabelecem com precisão sua orientação sobre como deve ser o comportamento das pessoas. Por exemplo, elas sabem que é preciso honrar pai e mãe porque Deus estabeleceu isso com clareza. 

A terceira razão para haver necessidade de mandamentos é fazer as pessoas perceberem que, por conta própria, sem a ajuda do Espírito Santo, nunca preencherão os padrões de comportamento estabelecidos por Deus pois eles são muito, mas muito, elevados. Basta lembrar o ensinamento de Jesus sobre o pecado: ele pode ser cometido não apenas pelo que a pessoa faz mas também pelo que pensa e/ou fala. 

E é essa percepção que faz as pessoas perceberem precisar do perdão e da Graça de Deus (caracterizada por Jesus morrendo por nós na cruz). 

Mandamentos negativos e positivos
Deus estabeleceu dois tipos de leis: negativas, o que não deve ser feito (não matar, não roubar, etc), e positivas, o que precisa ser feito (honrar pai e mãe, guardar o sábado, etc). 

O primeiro tipo de lei é mais fácil de cumprir: basta evitar aquilo que é proibido. Já o segundo tipo é mais abrangente e, portanto, difícil de atender. Nesse caso sempre fica a dúvida se o que está sendo feito é suficiente para atender a lei estabelecida. Por outro lado, é a lei positiva que verdadeiramente molda o caráter das pessoas, pois as obriga a refletir sobre o alcance e as consequências dos seus pensamentos, das suas palavras e das suas ações.

Oito dentre os dez mandamentos do Decálogo são do tipo negativo e apenas dois (honrar pai e mãe e guardar o sábado) são positivos. E é por acaso que o mandamento de guardar o sábado tenha sido aquele que mais gerou discussão entre os israelitas (os primeiros a receber os Dez Mandamentos de Deus), tendo dado origem a um corpo complementar de leis, essas estabelecidas pelos homens, para definir o que seria na prática guardar o sábado. Por exemplo, a distância máxima que alguém poderia caminhar no sábado sem caracterizar estar trabalhando. 

Organização dos Dez Mandamentos
Os dez mandamentos estão divididos em dois grupos: um deles trata do relacionamento do ser humano com Deus, abrangendo os mandamentos um a quatro (não ter outros deuses, não fazer imagens de escultura, não tomar o santo nome de Deus em vão e guardar o dia do sábado), enquanto o outro trata do relacionamento das pessoas entre si, abrangendo os mandamentos seis a dez (não matar, não furtar, não adulterar, não dizer falso testemunho e não cobiçar o que é do próximo).

O quinto mandamento – honrar pai e mãe – pertence aos dois grupos, sendo uma espécie de fronteira entre eles. Isso porque os pais são parte da vida em sociedade mas também são agentes do ato de criação de Deus (quando geram filhos). Portanto, respeitá-los também é respeitar o processo criador de Deus.

Punições e recompensas
É interessante observar que nenhum dos mandamentos traz automaticamente ligado a si uma punição, pelo seu descumprimento, ou uma recompensa, no caso contrário, exceto no caso do quinto mandamento (honrar pai e mãe). 

Essa omissão pode parecer estranha à primeira vista mas é fácil de explicar. Punições e recompensas terrenas têm cunho social muito forte, ou seja elas se ligam fortemente às práticas sociais em vigor. Portanto, seu valor varia muito ao longo do tempo. 

Por exemplo, nos tempos bíblicos, o principal objetivo da vida de uma mulher era procriar - naquela época a esterilidade seria uma terrível punição. Hoje as mulheres muitas vezes escolhem não ter filhos. Ou seja, o que seria punição nos tempos bíblicos poderia não o ser hoje em dia.  

Assim, de forma muito sábia, Deus evitou ligar os dez mandamentos a punições ou recompensas específicas, mantendo essas leis válidas em qualquer tempo e local. A exceção é a recompensa ligada ao mandamento para honrar pai e mãe: o prolongamento da vida na terra. Nesse caso, trata-se de uma recompensa atemporal - sempre foi e será desejada independentemente da cultura em vigor. 

É claro que o relato bíblico mostra ter havido punições pela violação dos dez mandamentos – por exemplo, quando alguns israelitas adoraram o bezerro de ouro, durante o êxodo do Egito, os idólatras foram destruídos pois poderiam desencaminhar todo o restante do povo. 

Mas a punição para essas violações foi estabelecida por Deus caso a caso. Considerando as circunstâncias e as intenções das pessoas.

Por ora é só. Voltarei ao tema nos próximos dias ao discutir cada um dos mandamentos. Até lá.

Com carinho

Um comentário:

  1. Muito bom os seus comentários introdutorios sobre o decálogo. Linguagem simples e objetiva.

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