quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A RAIZ DE TODOS OS MALES: O DÉCIMO MANDAMENTO

Parte de uma série sobre os Dez Mandamentos

"Eu não posso evitar que um passarinho pouse na minha cabeça, mas posso evitar que faça ninho." Ditado popular
O último mandamento não trata de atos concretos e sim de um determinado tipo de pensamento: o desejo por algo que não se deveria desejar por pertencer a outra pessoa. É a isso que a Bíblia chama "cobiçar". O décimo mandamento diz: "Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença a teu próximo." (Êxodo capítulo 20 versículo 17). 

É interessante perceber que os demais mandamentos proíbem determinadas ações (matar, roubar, mentir, adulterar, etc) ou cobram que as pessoas façam determinadas coisas (honrar pai e mãe ou guardar o sábado). Mas o décimo mandamento é diferente. Procura prevenir pensamentos errados para que eles não venham se materializar em ações erradas.

E o ditado que dá início a este post explica a razão. O "passarinho" é a tentação, o pensamento errado. Ninguém consegue evitar tal tipo de pensamento. Volta e meia ele cruza a mente de todo mundo - "pousa na cabeça" de qualquer pessoa. 

O problema não está em ter tal tipo de pensamento, porque isso é inevitável, e sim deixá-lo criar raízes na mente - fazer "ninho". É isso que o décimo mandamento pretende combater.

Para evitar a formação de "ninho", a pessoa precisa conseguir perceber quando um "passarinho" pousou na sua "cabeça" para poder "espantá-lo" logo. Em outras palavras, conseguir perceber que a tentação se faz presente. 

Pode parecer meio desnecessário dizer isso, mas não é. Na verdade, as pessoas costumam ter muita tolerância consigo mesmas. Tendem a justificar as coisas erradas que pensam e/ou com todo tipo de justificativas como "isso não vai ser tão errado assim", ou "vou fazer por pouco tempo, depois paro"São desculpas desse tipo que permitem o "ninho" se formar, os pensamentos errados criarem raízes.

O texto do décimo mandamento proíbe cobiçar coisas que são propriedade de outra pessoa. Mas parece estranho que sejam citados como exemplos de propriedades a mulher e os servos, mas é fácil de explicar a razão. Nos tempos bíblicos, as mulheres pertenciam aos homens e era admissível ter servos (escravos). Não se trata de aprovação dessas coisas mas simples reconhecimento de uma realidade. 

Como são citadas propriedades parece ser que a grande preocupação do décimo mandamento é evitar o roubo, mas ele vai muito além. Afinal, a cobiça acaba por ser raiz de quase todos os males. Por exemplo, cobiçar a mulher do próximo pode levar ao adultério, a vontade de se apossar de algo pertencente a outra pessoa pode levar à violência física ou à inveja (e daí a fofocas) e assim por diante. 

Visto dessa perspectiva, o décimo mandamento é uma "lei de cerca", ou seja um mandamento para evitar que outros mandamentos sejam violados. Afinal, é mais fácil combater a tentação enquanto ainda não se enraizou na mente da pessoa do que lidar com atos concretos e suas consequências reais.

Por conta disso tudo, o décimo mandamento é muito importante. Bem mais do que possa parecer à primeira vista. 

Com carinho 

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