sábado, 7 de fevereiro de 2015

OS DOIS LIVROS DE DEUS

Deus fala de si, das suas obras e dos seus planos para a humanidade em dois grandes "livros": o universo (o mundo físico que nos cerca) e a Bíblia. O universo é um "livro" que pode ser visto e apreciado por todos e, por causa disso, tal "livro" é chamado de Revelação Geral. 

A metáfora de tratar a natureza como um "livro" é muito antiga dentro do cristianismo. Por exemplo, Santo Agostinho, que viveu entre 354 e 430 da nossa era, falou sobre isso no seu livro "Confissões". A mesma abordagem se faz presente na obra de muitos outros teólogos cristãos. É bem comum.

O outro livro de Deus é a Bíblia, texto dividido em duas partes. O chamado Velho Testamento (Bíblia Hebraica) conta a história da Aliança que Deus fez com um povo, Israel. É ali que Deus prometeu enviar seu Ungido, o Messias, para liderar a humanidade na restauração da relação com Deus (a salvação). O Novo testamento conta como essa profecia foi cumprida, na figura de Jesus, filho de Deus. Também conta como o ministério de Jesus deu origem à igreja cristã e os primeiros passos dela. 

O que Deus nos conta nas duas partes desse segundo livro é conhecido como "Revelação Especial". É claro que seu conteúdo somente está acessível para quem lê a Bíblia, daí a enorme importância de tornar esse livro disponível para todas as pessoas.

As duas formas de revelação, a Geral e a Especial, os dois livros de Deus, se complementam e reforçam. Isso porque a Revelação de Deus é uma unidade coerente, embora tenha sido transmitida em duas partes. É por causa disso que a Bíblia ensina que a mensagem da Revelação Geral precisa ser tomada seriamente (Salmo 19 e Romanos capítulo 1).  

Agora, as duas Revelações têm suas limitações - nenhuma delas pode conter todas as verdades que emanam de Deus. Por exemplo, a Bíblia nada fala das leis da matemática, da lógica, da química e assim por diante. Mas os conceitos desenvolvidos por essas ciências são tão verdadeiros quanto, por exemplo, a Aliança que Deus fez com Israel.

Já a natureza nada conta sobre a razão pela qual a vida existe, para onde o ser humano vai depois da morte, sobre princípios morais (certo e errado) e assim por diante. Mas a Bíblia tem muito a dizer sobre tudo isso.

E cada um dos livros, no seu campo, tem prioridade. Quando se discute o mundo físico, a natureza, as leis descobertas pela ciência predominam. Elas estabelecem o que vai ou não acontecer no mundo físico. Já no mundo sobrenatural (espiritual), são os ensinamentos da Bíblia que prevalecem.

Há conflito entre os dois livros?
A ciência e as outras disciplinas acadêmicas são as ferramentas que permitem "ler" o livro da natureza. Já a teologia é a ferramenta que lê e interpreta a Bíblia. São livros diferentes e, portanto, as ferramentas para sua interpretação também são distintas - usam métodos e abordagens diferentes. E não seria razoável esperar que fosse diferente.


Agora, muitas vezes as verdades reveladas por Deus podem ser interpretadas tanto pela ciência como pela teologia. E as conclusões acabam por ser até conflitantes. É isso que dá origem aos famosos conflitos entre teologia (religião) e ciência, que tem causado tantos problemas ao longo da história da humanidade. 

Quando a teologia dominava (até a chamada Idade Média), esse tipo de conflito levou cientistas a serem acusados de hereges e até punidos. A partir da chamada Renascença, com o crescente domínio da ciência e da tecnologia, a religião passou a ser vista cada vez mais como antiquada, intolerante e até desnecessária. Hoje em dia, para uma grande quantidade de pessoas, vale apenas o que a ciência consegue explicar. E nada mais importa.

Como tratar as diferenças

É preciso separar a verdade em si, revelada nos dois livros, e sua interpretação feita pelos seres humanos. A primeira vem de Deus e não está sujeita a erros. Mas a segunda é humana e frequentemente erra. É comum, por exemplo, as teorias científicas serem corrigidas ao longo do tempo, assim como conceitos teológicos errados importantes já foram melhor entendido e alterados. 

A ciência não pode corrigir a Bíblia, mas pode sim alertar quando foi feita uma interpretação teológica errada. Por exemplo, existem cristãos que defendem que a terra tem apenas cerca de 10 mil anos de existência. Ora, a geologia já comprovou que a idade da terra é de alguns bilhões de ano. Assim, não é possível, interpretar o relato da criação do mundo, contido no Gênesis, como se referindo a 7 dias literais - é preciso perceber que são períodos de tempo dos quais não conhecemos a duração, chamados de "dias". 

Da mesma maneira, a Bíblia precisa corrigir certas interpretações científicas. Por exemplo, aquela que defende somente existir o mundo físico e não haver campo sobrenatural (espiritual), como defendem os materialistas. A Bíblia pode e deve demonstrar que isso não é verdade. 


Se essa compreensão existir com clareza - cada livro, cada Revelação, tem uma área de predominância e que cada um deve e precisa instruir o outros, esses conflitos acabam por ser minimizados. Afinal, não há contradições naquilo que Deus revelou para nós.  

Com carinho 

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