terça-feira, 7 de julho de 2015

A CORTINA RASGADA

Faça o tabernáculo de acordo com o modelo que lhe foi mostrado no monte. Faça um véu de linho fino trançado e de fios de tecidos azul, roxo e vermelho, e mande bordar nele querubins. Pendure-o com ganchos de ouro em quatro colunas de madeira de acácia revestidas de ouro e fincadas em quatro bases de prata. Pendure o véu pelos colchetes e coloque atrás do véu a arca da aliança. O véu separará o Lugar Santo do Lugar Santíssimo.   Êxodo capítulo 26, versículos 30 a 33
Israel teve dois locais especiais para cultuar a Deus. O primeiro deles foi o Tabernáculo, uma espécie de tenda que foi levada pelo povo durante toda a sua peregrinação pelo deserto do Sinai. O segundo, que substituiu o Tabernáculo, foi o Templo construído por Salomão em Jerusalém (veja mais). Essas locais eram tão importantes que uma série de importantes cerimônias religiosas, como os sacrifícios, somente podiam ser realizadas ali.

Ambos locais tinham sua parte mais sagrada dividida em duas partes: o Santo Lugar, onde ficavam o altar para incenso, o candelabro de sete braços e outros objetos importantes, e o Santo dos Santos, onde ficava apenas a Arca da Aliança. Os sacerdotes de plantão entravam diariamente no Santo Lugar, para realizar suas cerimônias (entoar louvores, queimar incenso, etc) mas no Santo dos Santos só o sumo-sacerdote podia entrar e apenas uma vez durante o ano, no dia do Perdão (Yom Kippur). A diferença do tratamento dado a esses dois lugares devia-se à Shekinah (em hebraico, a "Presença de Deus") - ela se fazia notar especialmente no Santo dos Santos.

A separação física entre esses dois lugares era feita por uma cortina, cujas características estão descritas no texto que abre este post. Deus estabeleceu tudo a respeito dessa cortina: suas cores, tipo de bordado, forma de pendurar, etc. E ela devia ser uma magnífica obra de arte - a tradição dos escritos judaicos (Talmude, Mishná, etc) afirma que essa cortina tinha cerca de 10 cm de espessura. 

Naturalmente, nenhum homem do povo jamais viu essa cortina, pois será necessário entrar no Santo Lugar e somente os sacerdotes tinham esse privilégio. Mas as pessoas sabiam que ela estava lá, separando o local onde Deus se fazia presente daquele onde os sacerdotes realizavam suas práticas diárias por conta dos relatos feitos pelos próprios sacerdotes.  

Agora, havia um simbolismo claro na existência dessa cortina: as pessoas comuns estavam separadas de Deus e a mediação entre os dois lados era feita pela classe sacerdotal. E é exatamente assim que vemos Deus se relacionar com o povo de Israel durante a Antiga Aliança - sempre há um intermediário, como Moisés, Samuel ou o sumo-sacerdote. 

Assim foi durante mais de mil anos, até que Jesus foi crucificado. E aí algo extraordinário aconteceu:

E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol. E rasgou-se ao meio o véu do templo. E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou. Lucas capítulo 23, versículos 44 a 46
O texto acima conta que Jesus agonizou por 3 horas, entre o meio dia e as três da tarde. Houve escuridão e a cortina do Templo rasgou-se sozinha. E Jesus morreu.

Imagine o impacto desse fato no meio do povo - nenhum judeu podia deixar de reconhecer que o fato da cortina ter se rasgado sozinha era um ato sobrenatural. Primeiro, porque nenhum ser humanos conseguiria rasgar com as mãos algo que tinha 10 cm de espessura e depois porque o evento se deu na presença dos sacerdotes de serviço naquela hora. 

Aconteceu ali uma mudança estrutural: Deus mudou a forma de se relacionar com os seres humanos. Para entender o significado disso é preciso relembrar o que a cortina fazia: separava simbolicamente os seres humanos de Deus. E quando a cortina se rasgou por conta própria, Deus tornou-se acessível a qualquer pessoa. Não mais havia necessidade de intermediários (Hebreus capítulo 9 e capítulo 10, versículos 19 a 22). 

Mas não podemos esquecer que o fato que gerou o rompimento da cortina foi a morte de Jesus. Ou seja, foi seu sacrifício na cruz, seu ato de salvação do ser humano, que acabou com tal separação. Em outras palavras, passamos a ter acesso direto a Deus por causa de Jesus, ao aceitá-lo como Salvador.

E nosso acesso a Deus é hoje muito maior do que o do próprio sumo-sacerdote do povo judeu. Afinal, ele só entrava no Santo dos Santos uma vez por ano. Seu acesso a Deus somente se fazia completo nessa data muito especial. Hoje podemos falar com Deus todos os dias, a qualquer hora, em qualquer lugar. Um enorme privilégio.

Gostaria aqui de tecer um comentário paralelo: muitas pessoas afirmam que se tivessem presenciado os milagres que a Bíblia relata, seria mias fácil para elas crer em Jesus Cristo. Assim, se Deus fizesse mais milagres, sua fé aumentaria. Mas isso não é verdade. 

Os judeus daquela época viram os fatos descritos na Bíblia acontecerem - o céu escurecer, a cortina se rasgar e muito mais - e a esmagadora maioria deles preferiu não aceitar Jesus. Não quiseram optar pelo novo, mesmo quando esse novo estava profetizado na Bíblia que liam (o Velho Testamento). Preferiram buscar outras explicações para o que tinham presenciado e continuaram sua vida normal. 

Poucas pessoas (os primeiros cristãos) foram realmente transformadas por aqueles eventos extraordinários e, mesmo sendo poucas, inauguraram uma nova era na história da humanidade.

Com carinho

Um comentário:

  1. Realmente, sempre vão ter alguma desculpa na manga pra não acreditar. Prefiro crer em Jesus :)

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