segunda-feira, 27 de julho de 2015

QUANDO FALTA CADA VEZ MAIS MÊS NO FINAL DO SALÁRIO

Eu apresentei este texto antes. Mas com a crise econômica batendo às portas de todos nós, entendo que essa reflexão merece ser retomada, pois ela está mais atual do que nunca.
Mais de 95% das pessoas têm problemas financeiros – estão sempre lutando para fazer frente a seus compromissos mensais. E para fechar a conta vale tudo: parcelar o cartão de crédito, entrar no cheque especial, apelar para crédito consignado, pedir socorro a parentes ou amigos, etc. 

E isso ocorre tanto entre as pessoas com rendimentos mais baixos, que mal conseguem preencher suas necessidades básicas, onde essa situação seria mesmo de se esperar, mas também nas chamadas classe média e média-alta. Na verdade, essa é uma doença da sociedade moderna. O que está acontecendo? 

O problema
O ser humano sempre quer satisfazer suas necessidades: as básicas (comida, abrigo, saúde, segurança, etc) e as outras, essas desenvolvidas com base em sentimentos como inveja ou busca de status.

O efeito da inveja é bastante conhecido: as pessoas querem ter aquilo que as outras têm. As pesquisas sempre mostram que as pessoas sentem estar ganhando bem quando recebem mais do que aquelas que estão à sua volta, não importando muito o valor efetivo que recebam – por isso é mais fácil ser pobre numa região do interior do Nordeste brasileiro do que em Nova Iorque.

O desejo de ter status parte do princípio de quem está acima na escala social é mais passível de admiração e reconhecimento. Quem alcança um nível social maior, deve ser intrinsecamente melhor.  

O fato é que vivemos na sociedade do “ter” (quando deveríamos nos preocupar mais em “ser”) e essa é uma tendência que parece ter se solidificado. E as campanhas de marketing trabalham essas questões a seu favor e levam as pessoas a desejar consumir cada vez mais. 

Juntando tudo isso a uma grande facilidade de obter financiamento – o cartão de crédito, por exemplo, permite que as pessoas gastem sem que perceber que estão fazendo isso -, é fácil explicar porque a maioria das pessoas vive com dificuldades financeiras.

Na prática, quase todo mundo acaba por escolher viver um padrão de vida que constantemente pressiona seus rendimentos. Tanto é assim que, quando uma pessoa recebe um bom aumento de salário, sente momentaneamente um alívio financeiro, mas depois, lentamente, vai elevando novamente seu padrão de consumo e acaba por consumir a folga que tinha e volta à situação anterior.

A solução
Algumas poucas pessoas vivem com tranquilidade financeira porque escolheram conscientemente viver num padrão de vida menor do que poderiam ter. Não são muito afetadas pelo marketing – embora consumam – e não se preocupam muito com seu status social. Sendo assim, sempre têm folga para enfrentar qualquer contratempo da vida. 

Conheço uma senhora que tem rendimentos elevados, mas escolheu viver no mesmo apartamento há mais de 35 anos, mobiliado de forma confortável, mas absolutamente sem luxo. Não compra de grifes famosas e não troca de carro a todo ano. Em consequência, sempre tem dinheiro e ainda ajuda toda sua família. 

Em contrapartida, sou amigo de um casal - ambos executivos com cargos importantes e rendimentos altos - que gastam o seu rendimento para manter o alto padrão de vida da família. Têm uma vida bem mais confortável do que a senhora a que me referi acima, mas vivem apertados e  estressados com a possibilidade de perder o emprego. 

Baixar voluntariamente o padrão de consumo e deixar de gastar em coisas que parecem imprescindíveis, mas não são, é a única soluçãoEu dei esse passo, de forma consciente, cerca de cinco anos atrás e posso garantir que minha qualidade de vida melhorou muito. Sou muito menos preocupado e estressado.

E a Bíblia dá todo suporte a esse tipo de decisão. Aliás, foi assim que Jesus agiu quando andou por esse mundo. E assim como Ele, os apóstolos também viveram de forma modesta.

Todos os ensinamentos de Jesus nos incentiva a juntar tesouros espirituais e não materiais (Mateus capítulo 6, versículos 19 a 21). A vida deve ser vivida de forma mais simples e sem tantas preocupações - Jesus chegou a dizer para que olhássemos as flores do campo ou os pássaros do céu, que vivem de forma simples e são cuidadas pelo nosso Pai (Mateus capítulo 6, versículos 25 a 34).

Afinal, a luta por alcançar e manter o status social e por conseguir tudo o que se deseja em termos materiais, consome muito tempo e esforço - quase todas as energias da pessoa acabam investidas nessa direção. 

Aí sobra pouco tempo para aproveitar a convivência com o(a) esposo(a), com os filhos(as), com os amigos(as), etc. E não há tempo nem disposição para olhar o céu numa noite de lua, para observar uma flor, enfim para curtir as coisas simples e belas da vida. E principalmente não sobra tempo para adquirir e conservar uma intimidade maior com Deus.

Com carinho

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