domingo, 13 de setembro de 2015

AS PARÁBOLAS DO REINO DE DEUS

Jesus usou muitas parábolas – pequenas estórias que simbolizam determinadas verdades – nas suas pregações. As parábolas de Jesus cobrem os mais diversos assuntos e variam muito no tamanho e complexidade.

Ele falava sobre o mesmo tema em diferentes momentos e lugares, contando parábolas diferentes. Mas a mensagem de fundo era a mesma. Por causa disso, as suas parábolas podem ser agrupadas por assunto -  p. exe. Salvação e Reino de Deus – que é a melhor forma de estudá-las, pois uma estória ajuda a explicar e iluminar a outra.

O Reino de Deus foi um dos assuntos preferidos de Jesus. E o que é isso? O Reino de Deus é todo local e/ou circunstância onde a vontade d´Ele é feita. Simples assim. Isso está bem claro na oração do Pai Nosso, onde Jesus nos ensinou a pedir: “...venha a nós o teu Reino e seja feita sua vontade assim na terra como nos céus...” (Mateus capítulo 6, versículo 10). Em outras palavras, Jesus devemos pedir que o Reino de Deus se faça presente nas nossas vidas, e quando isso acontecer, sua vontade será feita aqui na terra da mesma forma como já é feita nos céus.

A Bíblia relata no livro de Atos dos Apóstolos (capítulo 2) a chegada do Reino de Deus, a partir da descida do Espírito Santo durante a festa de Pentecostes. O mesmo evento também marcou o início da Igreja Cristã. Assim, é possível dizer que a história da Igreja relata a implantação do Reino de Deus na terra.

Há pelo menos oito parábolas de Jesus onde Ele tratou do Reino de Deus:
  • A semente, contada aos discípulos (Marcos capítulo 4, versículos 26 a 29)
  • O semeador, contada a uma multidão (Mateus capítulo 13, versículos 3 a 9)
  • O joio e o trigo, contada a uma multidão (Mateus capítulo 13, versículos 24 a 30)
  • A rede, contada aos discípulos (Mateus capítulo 13, versículos 47 a 50)
  • O grão de mostarda, contada a uma multidão (Mateus capítulo 13, versículos 31 e 32)
  • O fermento, contada a uma multidão (Mateus capítulo 13, versículo 33)
  • O juiz iníquo, contada aos fariseus (Lucas capítulo 18, versículos 2 a 8)
  • O amigo que pede ajuda, contada aos discípulos (Lucas capítulo 11, versículos 5 a 10)

Nas suas parábolas, Jesus deixou claro que embora o Reino de Deus tenha chegado com a descida do Espírito Santo e venha frutificando ao longo da história humana, somente vai alcançar sua plenitude no final dos tempos, depois do julgamento final, quando todos os salvos estarão enfim reunidos. Por isso várias parábolas desse grupo temático apontam para o juízo final.

Vamos ver em algum detalhe o que cada uma dessas oito parábolas diz:

1. A definição do Reino de Deus (parábola da semente)
Jesus usou uma imagem rural – o agricultor que lança uma semente na terra e espera o crescimento da planta – para descrever como é o Reino de Deus.

A semente é a Palavra, logo o semeador é aquele(a) que prega o Evangelho de Jesus. O crescimento da planta é desenvolvimento da fé nos corações das pessoas e sua mudança de vida, gerando crescimento do Reino aqui na terra. A colheita tanto é o resultado que essas pessoas convertidas geram na sociedade onde vivem, fruto das suas boas obras, como também o resultado a ser obtido por Deus no final dos tempos.

Para a planta frutificar, a semente precisa ser enterrada e morrer. É exatamente a mesma coisa simbolizada no batismo: a velha natureza humana, dominada pelo pecado, morre e “nasce” uma nova pessoa, em Jesus Cristo.

E ao agricultor, uma vez feita a semeadura, só resta aguardar as plantas germinarem. Isso quer dizer que o(a) pregador(a) deve passar a mensagem para as pessoas, mas a conversão não é obra dele(a) e sim do Espírito Santo.

Jesus contou essa parábola porque seus discípulos lhe cobravam ação mais concreta porque tinham a ideia errada que o Messias seria como Moisés, cabendo-lhe libertar fisicamente o povo judeu da opressão do Império Romana. Jesus veio sim libertar seu povo, mas da escravidão do pecado – seu Reino era espiritual e não material.

Essa parábola procura passar confiança para os(as) ouvintes: o resultado final (a colheita) virá, sem dúvida, uma vez que a semeadura tenha sido feita. Tudo sempre irá ocorrer de acordo com os planos de Deus.
  
2.  A chegada do Reino (parábola do semeador)
As técnicas usadas para semear hoje em dia são muito diferentes e mais eficazes do que as de 2.000 anos atrás. Hoje, o agricultor estuda previamente o solo onde vai plantar para ver onde as sementes devem ser jogadas. Mas época de Jesus, o semeador saia a semear e jogava as sementes por onde ia passando. Assim, elas caiam em todo tipo de solo. Quando caiam em solo ruim, as plantas não germinavam ou logo morriam, quando eram lançadas em solo bom, aí sim produziam bom resultado.

Lembrando que a semente é a Palavra de Deus e a planta que cresce são as pessoas que se convertem e passam a andar nos caminhos de d´Ele, a semeadura em solo ruim representa as pessoas não receptivas à mensagem do Evangelho – com elas nenhum resultado é gerado. Resultado diferente acontece quando a pregação é feita para pessoas receptivas ao Evangelho. E essa diferença no resultado é normal pois as pessoas têm livre arbítrio.

Essa parábola foi usada por Jesus para tirar dúvidas quanto ao resultado do seu ministério. Nem sempre as pessoas se convertiam (Mateus capítulo 6, versículo 5). Muitas vezes havia descrença (João capítulo 6, versículo 60) e até inimizades foram geradas (Marcos capítulo 3, versículo 6).

3. A consolidação do Reino (parábolas do fermento e do grão de mostarda)
Essas parábolas responderam uma pergunta importante: será que as pessoas que Jesus convertia – pescadores, prostitutas, camponeses pobres, dentre outras – poderiam consolidar o Reino de Deus? Ou seria preciso pregar para as elites econômicas e religiosa?

A parábola do fermento enfatiza o poder transformador da Palavra de Deus: uma pequena quantidade de fermento leveda toda a massa (símbolo do povo, como em Romanos capítulo 11, versículo 6). 

Já a parábola da mostarda fala de uma semente muito pequena que cresce até virar uma enorme árvore. O ensinamento aí é que o potencial de crescimento do Reino é gigantesco: poucas pessoas, mesmo as mais simples, dedicadas realmente a difundir a palavra podem causar um enorme impacto na sociedade. E foi exatamente isso que aconteceu na história do cristianismo.

4. Os perigos para o Reino (parábolas do joio/trigo e da rede)
Uma plantação que mistura trigo (planta boa) e joio (ruim) corre risco E como o joio venenoso é muito parecido com o trigo em grão, quando as plantas são pequenas, é difícil destruir as plantas ruins, sem danificar as boas. Daí, passa a ser necessário deixar as plantas crescerem para poder separar o joio do trigo.

O joio é o(a) cristão(ã) não sincero e o trigo o(a) cristão(ã) verdadeiro(a). E olhadas de fora, eles(as) podem ser muito parecidos(as). Ambos(a) podem frequentar a mesma igreja e participar das mesmas cerimônias, comportando-se nelas de forma muito semelhante.  Assim, a comunidade cristã nunca vai conseguir diferenciar bem um caso do outro - se tentar, vai errar e cometer injustiças. Somente Deus, que conhece o interior das pessoas, consegue fazer isso.

O Inimigo (Diabo) somente semeou o joio (a mensagem ruim) porque quem devia cuidar da plantação estava dormindo. Em outras palavras, o pastor do rebanho bobeou e deu margem à ação do Inimigo que fez um estrago na plantação.

E será preciso ter paciência - deixar as plantas crescerem – para poder separar a coisa boa da ruim. Perceba também que o joio é poupado por causa do trigo. Ou seja, o lavrador poderia atear fogo à plantação e acabar com o joio, antes mesmo das plantas crescerem, mas aí mataria também as plantas boas. E por causa do trigo, dos(as) cristãos(ãs) sinceros(as) que Deus tem paciência com as plantas ruins.

Jesus sabia que o joio se encontra em todo lugar – mesmo sua pequena comunidade de discípulos não era homogênea na sua sinceridade (Mateus capítulo 7, versículos 21 a 23). Basta lembrar que quando a parábola foi contada, Judas Iscariotes ainda fazia parte do grupo de apóstolos.

A parábola da rede trata do mesmo tema, mas a imagem usada é outra – uma rede cheia de peixes. O mar (lago) da Galiléia tinha 24 espécies de peixes, sendo que várias delas não podiam ser comidas pelos judeus (Levítico capítulo 11, versículo 10).  Assim, o pescador lançava a rede e arrastava para a margem tudo que conseguia pegar. Somente quando chegava ali conseguia identificar os peixes que lhe interessavam.

Os peixes ruins têm o mesmo papel do joio e os bons do trigo. A separação dentre os peixes na margem é como a separação das plantas na colheita. Trata-se do mesmo ensinamento.
  
5. Por que podemos confiar? (parábolas do juiz iníquo e do amigo que pede ajuda)
Na parábola do juiz iníquo, é contada a estória de uma viúva que procurou por um juiz incansavelmente, pedindo-lhe que julgasse sua causa – como ela se dirigia ao juiz e não ao tribunal devia ser um assunto de dinheiro, segundo os costumes da época. A viúva era pobre e não tinha como dar “presentes” para acelerar seu processo, assim só lhe restava incomodar o juiz. E ele só julgou a causa logo para ficar livre da amolação.

Deus é o juiz e a mola que move sua ação é a perseverança da pessoa, provocada pela confiança (fé) n´Ele. Essa parábola foi dirigida a alguns discípulos que ficaram angustiados quando Jesus começou a contar sobre os sofrimentos pelos quais haveria de passar. A discussão entre os discípulos era sobre quem conseguiria se manter firme, daí o ensinamento sobre a perseverança

A outra parábola fala de um amigo que pede ajuda, já tarde da noite, quando todos estavam deitados, porque tinha necessidade real e imediata. Ora, naquela época, a família dormia toda junta, num único cômodo, e atender o amigo que solicitava ajuda significava acordar a todos, inclusive as crianças pequenas, o que era um grande incômodo. Mas ainda assim a ajuda foi fornecida.

O ensinamento, neste caso, está no final da parábola (Lucas capítulo 11, versículos 9 e 10):  quem pede, recebe; quem bate tem a porta aberta. Ao que pede, Deus dá.

Com carinho

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