quarta-feira, 23 de setembro de 2015

CUIDADO! HÁ PODER EM SUAS PALAVRAS

Lembro-me do caso de um senhor que vivia em conflito permanente com seu filho mais velho. Muito rígido e bastante autoritário - tinha formação militar -, não aceitava que o filho não seguisse o padrão de pessoa que tinha idealizado. E sempre que podia, demonstrava seu desagrado, chamando o filho de burro e afirmando que ele nunca seria mais do que simples carroceiro. É claro que o rapaz teve enormes dificuldades na sua vida estudantil e profissional, parcialmente superadas à custa de muita terapia, oração e sofrimento. E algumas marcas nunca foram apagadas. 

Infelizmente esse tipo de situação é muito mais comum do que se pensa.  Já presenciei esse tipo de coisa diversas vezes, em alguns casos de forma mais sutil, mas sempre com efeitos devastadores sobre os(as) filhos(as). 

E o estrago causado não decorre somente da carga emocional lançada sobre o(a) filho(a) atacado(a). Há mais, muito mais. Há também uma questão espiritual envolvida. 

Ocorre que os pais têm autoridade espiritual sobre os(as) filhos(as), tanto para abençoá-los(as), como para amaldiçoá-los. E quando ficam profetizando coisas ruins para a vida deles(as), trazem maldição para eles(as), mesmo sem perceber.

O problema não está restrito aos pais com relação aos(às) filhos(as). Qualquer pessoa que tenha alguma autoridade espiritual sobre outra - como maridos sobre suas esposas (e vice–versa) e pastores sobre membros do seu rebanho - pode cometer o mesmo tipo de erro. Por isso é preciso ter cuidado com o que se fala, especialmente nos momentos de raiva e amargura.

Um exemplo chocante
Há um exemplo na Bíblia que comprova o que acabei de dizer e tudo aconteceu com Jacó. 

Raquel, a mulher amada por ele (dentre as quatro que teve), morreu muito jovem, no parto de Benjamim, seu segundo filho (e caçula de Jacó). E a raiz dessa desgraça, segundo o relato bíblico, pode ser encontrada numa maldição que Jacó sem perceber lançou sobre ela.

O problema começou quando Raquel roubou os ídolos domésticos do seu pai, Labão, como vingança pelo fato dele ter dado preferência a Lia, sua irmã mais velha, para se casar com Jacó. Isso ocorreu pouco antes de toda a família de Jacó partir de Harã de volta para Canaã, sua terra natal (Gênesis, capítulo 31).

Quando percebeu que tinha sido roubado, Labão perseguiu a família de Jacó e o confrontou. Sem saber o que tinha acontecido, Jacó mostrou-se muito ofendido e fez um juramento: se entre os membros da sua família fosse encontrado o(a) ladrão(a), tal pessoa morreria (Gênesis capítulo 31, versículo 32). Mas nada foi encontrado, pois Raquel escondera muito bem as imagens roubadas. Ela, por sua vez, não ficou sabendo da promessa de Jacó, pois estava na sua tenda com o primeiro filho (José). 

E o juramento de Jacó teve consequências catastróficas para Raquel. Ao chegaram a Betel, Jacó mandou que os membros da sua família se livrassem de todos os objetos ligados a cultos estranhos e se purificassem, antes de encontrar Deus (Gênesis capítulo  35, versículo 32). Certamente foi aí que Raquel mostrou a Jacó o que havia roubado e ele ficou sabendo que, sem perceber, amaldiçoara a própria mulher. Deve ter ficado com medo também das consequências da sua promessa sobre seus filhos com Raquel (Benjamim ainda estava no seu ventre). Logo após, ela deu a luz e morreu, embora Benjamim tenha sobrevivido (Gênesis capítulo 35, versículos 18 e 19).  

Todo esse drama ajuda a explicar por que, cerca de 15 anos depois, Jacó ficou tão devastado com a suposta morte de José, no episodio em que os irmãos o venderam como escravo (Gênesis capítulo 37, versículo 34). Explica, também, porque ele relutou tanto em deixar que Benjamim, fosse com os outros irmãos para o Egito, buscar comida. Jacó temia que a maldição atingisse também a Benjamim.

A culpa certamente acompanhou Jacó por todo o resto da sua vida. Tanto foi assim que, no seu leito de morte, ao abençoar os filhos de José, Jacó lembrou da morte de Raquel (Gênesis capítulo 48, versículo 7)

Palavras finais
Há poder nas palavras que falamos, mesmo nos momentos de raiva e de forma impensada. Especialmente quando essas palavras são dirigidas contra alguém sobre quem temos autoridade espiritual, como filhos(as), esposo(a), etc. 

É preciso ter muito cuidado com o que falamos. Tenha isso sempre em mente.

Com carinho

4 comentários:

  1. Oi, Vinicius. Seu blog é uma bênção!

    Posso te dar uma dica de post? Gostaria que vc escrevesse algo sobre o medo de envelhecer. Estou passando pela crise dos 30, inclusive sentindo fisicamente isso. Mas não sei se é coisa da minha cabeça, se é a força das palavras mesmo, como vc fala no seu post. Enfim...

    Se puder falar algo sobre, eu agradeço.

    Um abraço!

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    1. Boa dica. Vou colocar na minha lista de temas a serem tratados.

      Abs
      Vinicius

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  2. Fiquei preocupada com essa postagem, pois acredito que durante a minha infância fui muito "amaldiçoada" por minha mãe, em forma de palavrões, e diante disso, talvez seja a justificativa de não ter sido abençoada em alguns sonhos até em dias de hoje. E faz como em uma situação como essa?

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    1. A Bíblia nos diz que Jesus levou sobre si nossas doenças e maldições. Ou seja, as consequências espirituais desse tipo de situação não são definitivas. Há remédio.

      Essas influências negativas podem ser neutralizadas através de orações de libertação. Você precisa encontrar alguém que tenha experiência nessas questões para orar junto com você. Pode ter certeza que o problema pode ser superado.

      Agora, mesmo que as influências espirituais sejam neutralizadas, existe também um lado emocional. A criança que é ofendida, abusada verbalmente, fica com cicatrizes emocionais que podem prejudicar sua vida e lhe impedir de manter relacionamentos estáveis e gratificantes.

      Nesse caso o remédio é terapia - procure um profissional sério que lhe possa ajudar a superar essa situação ruim.

      Abs
      Vinicius

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