sexta-feira, 11 de setembro de 2015

DE QUEM É A CULPA?

"... [Deus perguntou ao homem]: Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? Então disse o homem: A mulher que me destes por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. ... Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi."                          Gênesis capítulo 3, versículos 11 a 13  
Esse é um diálogo que está logo no começo da Bíblia: Deus tinha dito para Adão e a Eva que poderiam fazer qualquer coisa, menos comer da "árvore do bem e do mal". Aí veio a serpente (o Diabo) e tentou a mulher, que comeu e deu para Adão também comer. E isso tudo deu origem à queda do ser humano.

O interessante é que quando Deus questionou Adão, o homem não assumiu a própria culpa e lançou a responsabilidade sobre a mulher. Essa, ao ser questionada, por sua vez, culpou a serpente. A serpente não foi questionada, mas se tivesse sido, talvez tivesse culpado o homem ou devolvesse a bola para a mulher. Um autêntico "jogo de empurra".

Essa é uma situação clássica que acontece a toda hora no âmbito da família, da empresa e até da igreja: ninguém quer ficar com o "mico preto" da culpa e tenta sempre jogá-lo para outra pessoa ou atribuir o problema a uma circunstância fora do seu controle. 

E assim as pessoas vão encontrando formas de viver com seus erros e acalmando suas próprias consciências. Chegam atrasadas não porque saíram depois do horário devido, mas porque o trânsito estava ruim. Deixam de cumprir suas tarefas na igreja não porque lhes falte compromisso com o Reino de Deus, mas porque não têm tempo. Falam mal do próximo não porque são maledicentes, mas porque precisavam alertar os outros contra os pecados de alguém. E assim por diante.

Agora, o pior mesmo acontece quando as pessoas culpam o Diabo pelo seu pecado, como Eva fez. Eu costumo dizer que o Diabo tem "ombros largos" e é culpado até pelo que não faz, embora certamente faça muita coisa ruim. 

É claro que o Diabo usa as fraquezas das pessoas para fazê-las cair - isso é da sua natureza. Mas são as pessoas que escolhem pecar, elas não são forçadas a fazer nada. Por isso a responsabilidade é sempre delas. 

Todos nós erramos e fazemos escolhas ruins. Não há dúvida quanto a isso. Agora, se quando pecamos, não formos capazes de reconhecer nossos erros, se jogarmos a culpa nas outras pessoas, nas circunstâncias ou no Diabo, as coisas só vão piorar. E digo isso por várias razões.

Primeiro, porque a atitude de negar o erro e de se esconder do que foi feito, é prova de arrogância, o que desagrada a Deus.

Depois, porque certamente vamos repetir o pecado que não foi reconhecido como tal. Simples assim.

Em terceiro lugar, porque, como não houve arrependimento, não vamos contar com o perdão de Deus - ou seja, o pecado cometido ficou em aberto.

E finalmente, porque a tentativa de esconder o pecado pode nos levar a cometer outros pecados, como mentir ou lançar falso testemunho contra o próximo. 

O "jogo de empurra" é uma coisa muito perigosa para sua vida espiritual. Fuja dele. Reconheça o que vier a fazer de errado e lute para melhorar. É isso que agrada a Deus.

Com carinho 

Um comentário:

  1. Vamos alargar um bocado as responsabilidades no tema deste publicação? Pode ser?
    E claro que podemos! Porque o contexto neste espaço, como já sabemos, é de inspiração bíblica, sempre! E Deus que eu saiba é omnisciente, no seu firme contexto bíblico não há como refutar o óbvio.

    “Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?”. Ora bem, Deus que criou tudo - omnipotente - pôs aquela “árvore do bem e do mal” mesmo “à mão de semear” das ainda castas criações. Contou sobre a árvore a Adão e Eva e ordenou-lhes que não comesse dela. E agora o mais importante: Deus é omnisciente, sabe tudo, passado, presente e futuro. Então, Deus pôs ali “árvore do bem e do mal” conhecendo perfeitamente o futuro? Explique lá aos seus leitores, na sua interpretação, qual é a quota de responsabilidade, ou ausência dela, por parte do seu Deus cheio de atributos magnânimos nos pecados da sua criação.

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