quinta-feira, 15 de outubro de 2015

CUIDADO COM O JOGO DOS "SES"

Muitas pessoas vivem dentro de um eterno jogo dos "ses”, que lhes causa muito mal:   
  • O “se” voltado para o passado: “se tal coisa não tivesse acontecido comigo ou se eu tivesse agido de outra forma minha situação hoje seria melhor”. Esse tipo de percepção pode causar frustração, rancor, tristeza e até depressão. 
  • O “se” voltado para o futuro: “se tal coisa acontecer preciso agir de tal e qual forma para evitar ter problemas”. Nesse caso, as consequências podem ser insegurança, ansiedade e medo.
Pessoas que vivem presas no passado sofrem por aquilo que já passou e não pode ser mudado – a única coisa que ainda pode ser alterada é a percepção da pessoa sobre o que aconteceu no seu passado. 

Já pessoas excessivamente preocupadas com o futuro tentam desesperadamente controlar as variáveis da sua vida para garantir, por exemplo, segurança e estabilidade. Mas essa é uma luta interminável pois as circunstâncias que influenciam sua vida mudam a partir de forças que não estão debaixo do seu controle (crises, doenças, desastres naturais, etc).

Agora, há dois ensinamentos importantes a tirar dessa reflexão sobre o jogo dos "ses". E o primeiro é aprender a viver mais no presente e menos no passado ou no futuro. A realidade é o presente, o momento que você vive e precisa ser bem aproveitado. Jesus falou sobre isso, num ensinamento sobre a ansiedade, quando afirmou: “basta a cada dia o seu mal...” (Mateus capítulo 6, versículo 34).

O segundo ensinamento a ser tirado é concentrar nossa mente numa uma terceira alternativa, um outro tipo de "se", muito melhor. E o episódio da ressurreição de Lázaro demonstra bem que alternativa é essa - fala de outra forma de jogar o jogo dos "ses". 

Jesus chegou à casa de Lázaro  cerca de 4 dias depois da morte dele. Marta, irmã do falecido, recebeu Jesus com um “se” voltado para o passado: afirmou que se Jesus tivesse chegado antes, Lázaro não teria morrido (João capítulo 11, versículo 21). Agora, Jesus lidou com a situação de forma totalmente inesperada e disse para Marta (João capítulo 11, versículo 40): se você tiver fé, verá Deus agir. E ressuscitou Lázaro. 

O terceiro tipo “se”, ao qual me refiro aqui, leva o ser humano a focar sua atenção em Deus e não em si mesmo e nas suas circunstâncias de vida, que determinaram seu passado e indicam qual será seu futuro. Esse outro "se" leva a pessoa a depositar sua confiança em Deus. Assim, ela não congela sua vida num passado problemático nem fica ansiosa pela tentativa inútil de controlar um futuro que teima em não se deixar domesticar. 

É claro que essa terceira via não é fácil: confiar e descansar em Deus vai contra nossa natureza. Queremos agir, ser protagonistas e não ficar aguardando. Mas um esforço consciente nessa direção pode trazer grandes resultados. 

Pode fazer você aprender a viver melhor o dia de hoje. Passar a se preocupar apenas com "o pão nosso de cada dia", como está na oração do Pai Nosso. Fazendo sim a sua parte, mas confiando que Deus cuida e vai continuar a cuidar de você. 

Com carinho

2 comentários:

  1. Lindo esse texto. Acho que isso se deve muitas vezes a um certo complexo de superhomem. E esquecemos que temos essa mão carinhosa - de Deus - que nos cuida sempre. Gostei de incluir esse "se" em minhas reflexões e principalmente em minhas preocupações. Abraços! Roberta

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  2. Robi

    É isto mesmo. Nós achamos que somos mais do que verdadeiramente somos. Achamos que podemos ter controle, que podemos julgar o que é certo e errado, e por aí vai. Perceber a própria limitação é um dos aprendizados mais difíceis na vida de qualquer cristão.

    Beijo

    Vinicius

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