terça-feira, 10 de novembro de 2015

QUAIS NORMAS SOCIAIS VOCÊ SEGUE?

Você segue uma série de normas sociais que talvez nem se dê conta de obedecer? Por exemplo, quando entra no elevador, fica sempre de frente para a porta pois seria considerado pouco educado ficar encarando as outras pessoas. Mas, no metrô, fica encara as outras pessoas e ninguém reclama.

Normas sociais são diferentes de país para país e é por isso que às vezes torna-se tão difícil se adaptar à vida num país estranho. Aqui no Brasil, se você for convidada para uma festa às oito da noite, calibrará sua chegada para mais ou menos meia hora depois. Nos Estados Unidos ou na Alemanha, esse atraso seria considerado falta de educação.

Seguimos muitas normas sociais e elas de certa forma controlam nossas vidas.

E elas acabam impactando também a vida das comunidades cristãs. Por exemplo, quando alguns jovens da igreja metodista do Catete, no Rio de Janeiro, cerca de 50 anos atrás, quiseram introduzir guitarras e bateria no louvor, até então restrito ao tradicional órgão, foram execrados e alguns deles(as) até saíram da igreja de tão decepcionados(as). Dois anos depois, a mesma igreja instituiu o culto jovem, onde eles(as) passaram a usar esses mesmos instrumentos. E hoje quase toda a música cantada nas igrejas evangélicas usa os mesmos instrumentos - o órgão ficou restrito a ocasiões bem especiais.

Normais sociais geram também um jargão - basta ver como os jovens se comunicam por mensagens. E os evangélicos não são diferentes: “graça e paz” serve como saudação e  “benção pura” refere-se a uma coisa boa.

Agora, há hoje uma norma social muito seguida pelo público evangélico: evangélicos(as) fazem negócios ou se relacionam de preferencia com outros(as) evangélicos(as). Assim, evangélico(a) deve votar em candidato(a) evangélico(a) porque ele(a) defenderá causas que são importantes para o público evangélico, embora a maioria da chamada "bancada evangélica" tenha um comportamento ético lamentável no Congresso nacional.

A mesma norma diz que evangélico(a) só deve fazer terapia com profissional cristão para ter garantia que seu pensamento não vai ser subvertido. Mas há vários terapeutas evangélicos(as) mal formados, que frequentaram cursos simples de aconselhamento cristão, e conduzem terapias totalmente inadequadas. Já vi isso acontecer.

Mais recentemente essa norma foi levada ao ponto que evangélico(a) deve comprar roupa de loja evangélica, porque aí são fabricadas roupas apropriadas para mulheres e jovens cristãs. Sem contar que esse tipo de loja faz patrocínio de conjuntos de música gospel e realiza ações de evangelização. 

Agora, tempos atrás, o programa Profissão Repórter, da Globo, fez uma corajosa denúncia sobre trabalho escravo no ramo de confecção. E na denúncia apareceu uma das mais importantes lojas de roupas evangélicas, revendendo tranquilamente produtos que tinham sido fabricados com base em trabalho escravo.  Questionados, os donos da tal grife negaram saber que seus fornecedores cometiam esse crime - portanto, ou eram completamente desavisados ou lucravam de forma incompatível com os ensinamentos cristãos.

Para mim, a norma "evangélico(a) faz negócios e se relaciona de preferencia com evangélicos(as)" é totalmente furada. Devemos fazer negócios com pessoas sérias e competentes e se forem evangélicos, melhor ainda. Mas ser evangélico não deve ser passaporte para ninguém, pois há muita hipocrisia por aí.

E há outras normas furadas operando nas igrejas como, por exemplo, "ninguém toca nos ungidos de Deus" (leia-se pastores(as) não podem ser criticados façam o que fizerem) ou toda atividade que tenha o rótulo "gospel" torna-se santificada. E tome de "balada gospel", "carnaval gospel" e talvez venhamos chegar a ter "inferno gospel", como bem me alertou um amigo meu outro dia. 

Portanto, tomem cuidado com isso.

Com carinho. 

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