terça-feira, 22 de dezembro de 2015

MARIA, MÃE DE JESUS

É triste reconhecer que o tema "Maria, mãe de Jesus" gera uma grande divisão entre os cristãos: de um lado, os católicos e algumas outras denominações, de outro, os evangélicos/protestantes. Os primeiros tratam Maria com uma reverencia que, em muitos casos, chega às raias da adoração. Os do outro lado quase nem falam dela, exceto no Natal.

A causa da diferença
A Bíblia diz que Jesus tinha duas naturezas: uma divina e a outra humana. Ora, Jesus é a segunda pessoa da Trindade (Deus Pai, Filho e Espírito Santo) que encarnou numa natureza humana. E para que isso fosse possível, Ele teve que se "esvaziar" da sua natureza divina para poder "caber" numa natureza humana - ela continuou a ser Deus mas nunca fez uso dos seus poderes divinos enquanto viveu na terra. 

A divergência nasce da diferença de entendimento quanto ao papel de Maria.  Os evangélicos/protestantes - entre os quais me incluo - entendem que Maria é mãe de Jesus, ou seja teve um papel ativo e fundamental na gestação da natureza humana d´Ele, mas nada tem a ver com sua natureza divina - os evangélicos defendem a ideia que Deus é eterno e, como tal, não poderia ter uma mãe humana. Já os católicos entendem que Maria também é mãe de Jesus enquanto Deus e, naturalmente, daí decorrem toda uma série de doutrinas importantes a respeito dela.  

Ora, a Bíblia não se refere a Maria como mãe de Deus e sim como aquela que gerou Jesus, dando suporte à posição dos evangélicos/protestantes. Os ensinamentos que embasam a doutrina católica vem do chamado "magistério" da Igreja, ou seja da doutrina que ela própria estabeleceu ao longo dos séculos e que não é aceita por muitas pessoas. 

Em consequência, há um abismo separando a forma como os católicos e os evangélicos/protestantes lidam com a memória de Maria. 

Agora, meu objetivo aqui não é ficar esmiuçando as razões de cada lado, mas sim corrigir uma injustiça que os evangélicos/protestantes cometem com essa mulher especial: deixam de honrá-la como deveriam.

Se você frequenta cultos evangélicos, tente se lembrar da última vez em que ouviu um sermão baseado na figura de Maria. Provavelmente você nem se lembra mais, se é que ouviu algum sermão assim. E isso está errado pois, se Deus escolheu Maria para ser mãe de Jesus, ela não pode ter sido menos do que uma mulher extraordinária.

Uma grande mulher
Para os padrões de hoje, Maria era apenas uma menina (14 ou 15 anos), quando recebeu a mensagem de Deus, através do anjo Gabriel, contando-lhe que iria engravidar de um filho gerado pelo Espírito Santo. Maria estava noiva de José, mas ainda era virgem, portanto aquela gravidez inesperada iria trazer-lhe (como de fato trouxe) grandes problemas.

Ela vivia numa sociedade patriarcal e uma gravidez fora do casamento era um escândalo e colocava a mulher em grande risco - as punições para isso eram muito severas. Sua única esperança seria José, seu noivo, aceitar e perfilhar a criança. 

Imagine uma menina submetida a esse tipo de dilema. E ela enfrentou esse desafio de maneira fantástica, pois tinha fé inabalável - veja o que ela disse num cântico muito famoso  (Lucas capítulo 1, versículos 46 a 55).
"A minha alma engrandece ao Senhor... Pois desde agora todas as gerações me considerarão bem-aventurada..."
Ao invés de olhar para os problemas que iria viver, olhou para Deus e se alegrou com a honra que lhe estava sendo dada.  

Bíblia conta que José, ao saber da novidade e não querendo falar mal de Maria, decidiu se afastar dela sem alarde. Mas um sonho o convenceu a reconhecer Jesus como filho (Mateus capítulo 1, versículos 18 a 25). 

Ainda assim, Maria teve que conviver por toda a vida com a desconfiança sobre a origem de Jesus - por isso em muitas passagens da Bíblia Ele foi chamado de "filho de Maria", o que somente seria admissível numa situação onde seu pai verdadeiro fosse desconhecido.

Essa menina deu à luz Jesus nas piores condições possíveis. A viagem que fez antes de dar a luz - de Nazaré a Belém, por mais de cem km -, montada num burrico, através de estradas esburacadas, sentindo dores e desconforto, sem se queixar, é um testemunho à coragem dessa mulher admirável. As circunstâncias do parto também foram muito difíceis, pois as acomodações em que estava, em Belém, eram muito precárias.

Maria passou o restante da sua vida sabendo que um destino especial estava reservado para seu filho, conforme o anjo lhe tinha revelado. Acompanhou seu ministério e viu-o ser perseguido pelos líderes religiosos judeus. E estava presente quando Jesus foi pregado numa cruz - seu coração certamente se partiu enquanto viu seu Filho agonizar ali. Ou seja, ela pagou um preço muito alto por fazer a vontade de Deus.

Os católicos tem uma oração para Maria muito conhecida a "Ave Maria" ou "Salve Maria". Nós, evangélicos/protestantes, não podemos dizê-la como oração, pois oramos apenas para Deus. E também por que há coisas nela que não acreditamos, como quando ela é chamada "mãe de Deus". 

Mas, há muitas coisas verdadeiras nessa saudação e eu gostaria de fazer minhas uma parte das palavras ali contidas, em reconhecimento a aquela mulher admirável:
Salve, Maria, cheia da graça de Deus, o Senhor é convosco, e bendita sois entre as mulheres, assim como Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Neste Natal, vamos todos(as), cristãos(ãs), católicos ou evangélicos/protestantes, lembrar com carinho e muita consideração, aquela quase menina, que não hesitou em doar seu corpo, sob grande risco pessoal, para servir como porta de entrada para a chegada de Jesus a este mundo.

Com carinho

13 comentários:

  1. Sou católica e ver o respeito a Maria de um protestante foi surpreendente para mim, vivo rodeada de Testemunhas de Jeová e outras denominações que atacam minha Igreja e de forma particular a Mãe de Nosso Senhor. Seu testemunho inundou minha alma de grande felicidade. Já li outros seus artigos e seu blog é muito bom mesmo. Parabens por seu grande respeito as todas as Igrejas e a consideração que você tem por todos os irmãos dentro e fora da sua, afinal Cristo é o mesmo. Abraços fraternos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pelas suas palavras.

      Infelizmente muitos evangélicos tratam sim a Igreja Católica com desrespeito e isso é uma attitude não cristã.

      Divergências teológicas são normais e ocorrem entre todas as denominações cristãs. Mas é preciso debater de forma respeitosa, nunca tentando demonizar aquele(a) que pensa diferente.

      Mas gostaria de fazer um reparo. As Testemunhas de Jeová não são uma denominação crista. Sua Bíblia é diferente e Jesus para eles não tem o papel que assume no cristianismo. Eles parecem cristãos, mas não o são de fato.

      Um abraço
      Vinicius

      Excluir
  2. Muito obrigada pelo respeito com que tratou a mãe de Jesus. Sou batizada na Igreja Católica mas hoje me considero cristã. Não frequento missas ou cultos, apenas células de oração de uma grande amiga evangélica, onde me sinto à vontade em meu momento atual. Mas não seguiria nenhuma denominação religiosa ou igreja que desrespeitasse Maria ou ignorasse seu importante papel. Ela foi uma mulher nobre, que passou por cima de uma sociedade extremamente machista para atender ao chamado de Deus. Isso é uma demonstração genuína de amor, e todo amor a Deus merece respeito e reconhecimento. Um abraço fraterno.

    ResponderExcluir
  3. Apesar de duvidar da concepção e ressurreição de Jesus como homem, a minha fé continua sendo a mesma, considerando Jesus como salvador e Maria como uma santa virgem, afinal Jesus foi o seu primeiro filho, desta forma, respeito todas as doutrinas religiosas principalmente as menos preconceituosas.

    ResponderExcluir
  4. Meu irmão em Cristo Jesus: Que a paz do Cristo esteja em sua vida e de toda a sua família. Obrigado pelo seu comentário.É preciso deixarmos de lado esse "fundamentalismo religioso' que tanto tem nos divididos entre irmãos católicos e irmãos protestantes. Não posso, em hipótese alguma, ser indiferente ao meu irmão pelo simples fato dele não pensar da mesma forma que eu. Maria não veio para dividir, mas sim juntar a rebanho do Senhor. Afinal, somos todos filhos do mesmo Pai. Um forte abraço do seu irmão em Cristo Jesus.

    ResponderExcluir
  5. boa noite vinicios moura parabéns pelo o seu blog olha sou casada tenho 3 filhos meu marido me trai nao quero me separa nem ele amo ele amo minha familia amo meu casamento na cama nosso amor é intenso não consigo entender porque ele me trai as vezes chego a pensar sera se é porque não faço sexo igual certas amante que faz tudo para ter um homem sou muito religiosa mais meu marido nunca reclamou de nada na cama sofro calada com essa traiçao me ajude sofro calada me ajude por favor

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não é justo você se culpar por conta da traição do seu marido. O errado é ele e não você. Pode ter certeza que a traição não ocorre por qualquer falha sua, mas sim porque a maioria dos homens acha que tem direito de ser infiel. Entendem ser da natureza masculina buscar novidade, em termos de sexo, e aí se permitem agir dessa forma.

      O pior é que muitas mulheres fazem como você, buscando nelas mesmas, nas suas falhas, a explicação para o erro dos seus maridos.

      Penso que nenhum casamento pode funcionar bem dessa forma, onde um lado se julga no direito de ser infiel. Isso contraria o mandamento contra o adultério.

      Você deveria conversar com seu marido. Dizer a ele como se sente e que as atitudes dele colocam o casamento em risco - leve também em conta sua saúde, pois você não pode ter certeza que o sexo feito fora do casamento é seguro.

      Se a situação atual continuar, com o tempo você vai ter um enorme ressentimento. E a tendencia é seu casamento não acabar bem ou, no mínimo, você se tornar uma pessoa muito infeliz.

      É preciso que ele entenda que está errado e queira mudar seus caminhos. Isso é fundamental.

      Espero ter ajudado
      Vinicius

      Excluir
    2. Olá Vinicius, parabéns pelo conteúdo! Sinto que possa me ajudar. Sou uma mulher cristã de 28 anos e 5 anos e meses de casada. E já passei por alguns. Momentos em que meu esposo me pediu a separação e eu sempre quiz continuar pela fé e por amor, mas diante do pedido atual estou mt dividida, ora penso que devo insistir de novo, ora penso que é melhor deixar-lo seguir o próprio caminho. Tenho minha parcela culpa, mas ele só consegue ver a separação como busca pra sua liberdade e paz. Ele também é cristão mas muitas vezes ele demonstra ser mais religioso, o que causa nossas diferenças, além de não ter tempo para o diálogo quando passa por problemas qualquer eu sofro junto com a frieza, falta de atenção, palavras de desamor. Não estou feliz com a ideia de separação, mas sinto que preciso deixa-lo ser feliz como ele quer. Deus te abençoe continuamente

      Excluir
    3. Minha cara

      Obrigado pelas suas palavras. Vamos ver se consigo mesmo ajudar.

      Antes de tudo recomendo a você que leia o texto sobre o divórcio e o pecado que é um dos mais populares aqui no blog. Ali eu mostro a posição da Bíblia a respeito dessa questão.

      A questão que vem consumindo você é a decisão se deve ou não aceitar a vontade do seu marido e se separar. E você começou bem, reconhecendo também ter parte da culpa no fracasso da relação. Quem não faz isso e prefere jogar toda a culpa no(a) outro(a), acaba por nada aprender com a experiência que viveu e vai repetir seus erros.

      Agora, há uma lacuna no seu raciocínio: conhecer a vontade Deus. Você precisa saber qual é o plano dele para a vida de vocês dois.

      Muitos pastores defendem a tese que Deus sempre quer que o casal permaneça junto, mas na minha experiência isso não é verdade - há situações que são insustentáveis. A separação precisa acontecer.

      Eu não sei qual é o seu caso, mas Deus sabe. E você precisa consultá-lo antes de decidir. Pode fazer isso orando e conversando com algum líder espiritual que seja da sua confiança e tenha um pensamento alinhado com o seu.

      Entendido o que Deus quer, vai ficar muito mais fácil você tomar seu caminho. Se Deus quiser vocês juntos, diga isso para seu marido. Ele pode não aceitar e aí o problema fica com ele. Ou pode mudar de pensamento e lutar junto com você pelo casamento.

      Se a posição de Deus for pelo oposto, você poderá aceitar a separação sem qualquer dúvida, pois estará fazendo o melhor. E seguirá adiante com as bençãos de Deus.

      Abs
      Vinicius

      Excluir
  6. Parabéns pelo conteúdo. Muito pertinente aos dias de hoje, onde pessoas acabam discutindo e se desgastando. Sou cristão, acredito que Maria foi virtuosa pela missão que foi concedida a ela. Ela mesmo se coloca como serva do Senhor em Lucas 1:38

    ResponderExcluir
  7. Quão grande foi a minha surpresa e alegria encontrar um artigo de tamanha sensibilidade e amor! Sou evangélica recém convertida e meu coração se encheu de alegria ao ler essas palavras. Maria com certeza merece respeito sim! Pois como vários heróis da fé da biblia sagrada ela também foi escolhida por Deus para gerar o nosso redentor!
    Parabens pelo seu blog Vinícius e que o Senhor continue te usando para trazer tanta luz e paz através de suas palavras.
    Patrícia

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pelas suas palavras. Volte sempre.

      Abs
      Vinicius

      Excluir