quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

COMO A GENTE FAZ PARA TER FÉ


Ora, a fé é a certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que não se veem.             Hebreus capítulo 11, versículo 1
As pessoas costumam enfrentar crises de fé ao longo da suas vidas.  Surgem problemas - crises financeiras, doenças graves, mortes inesperadas de pessoas amadas, etc - e a fé fraqueja. Ou há grandes desafios a enfrentar e a fé se mostra insuficiente para superá-los. 

Manter a fé ao longo de toda uma vida não é tarefa trivial. É preciso trabalhar para isso. Cabe então aqui algumas perguntas: O que faz alguém ter fé? Quais são os "bastidores" da fé?

Os componentes da fé
Martinho Lutero, o monge que deu início à Reforma Protestante, ensinou que a fé tem três componentes: entendimento, rendição e confiança. Mostrou ainda que esses componentes entram em cena exatamente na ordem em que foram apresentados.

A fé começa pelo entendimento de determinadas verdades. Afinal, não faria sentido ter fé em algo que não se sabe bem o que é ou para que serve – aí não seria fé e sim crendice.

A seguir, vem a rendição da pessoa às verdades que foram compreendidas. Não adianta a pessoa entender as verdades relacionadas com Deus se ela continuar a achar que outros conceitos - talvez suas preferencias pessoais - são mais adequadas para pautar sua vida.

O terceiro componente da fé é a confiança: depois de entender algumas verdades e se render a elas, a pessoa ainda precisa adquirir confiança de que Deus vai agir na sua vida da forma como prometeu. E essa confiança precisa se fazer presente mesmo quando a pessoa ainda não consegue ver os resultados da ação de Deus.

No versículo que abre este post, o apóstolo Paulo definiu fé como "a certeza das coisas que se esperam". Ele, de forma brilhante, resumiu numa única frase tudo que foi dito antes.

Segundo Paulo, a fé parte do princípio que a pessoa espera alguma coisa. Ora, ela só pode esperar aquilo que entenda e saiba que deve ser esperado. Depois, a pessoa precisa ter se rendido à necessidade de esperar. Aí então vem a confiança que transmite certeza quanto ao resultado final, mesmo que ele ainda não tenha sido materializado.

Crises de fé
Esse tipo de crise aparece quando há algum desajuste em algum desses três componentes. O primeiro desajuste nasce da falta do entendimento correto de qual deve ser é o verdadeiro objeto da sua fé. Esse problema pode decorrer da falta de esforço para conhecer aquilo que é necessário (por exemplo, pouco estudo bíblico), como também ser fruto de instrução errada (doutrinas estranhas).

Esforço insuficiente para buscar o entendimento das coisas relacionadas com Deus indica pouco compromisso da pessoa com Ele - uma fé verdadeira nunca pode florescer nessas bases.

Já uma fé montada sobre doutrinas estranhas não pode se sustentar porque não tem como contar com o suporte do Espírito Santo - a fé nunca pode se sustentar sobre bases falsas. Infelizmente, isso acontece com muita frequência, porque pregadores inescrupulosos atribuem a Deus promessas agradáveis e estimulantes mas que Ele não fez, portanto são vazias de verdade.

O segundo tipo de desajuste decorre da resistência da pessoa em se render aquilo que Deus lhe pede pois isso vai ter um "custo" - talvez seja preciso abrir mão de hábitos agradáveis, embora errados; de relacionamentos estimulantes; ou até mesmo de fontes de renda imorais, mas que proporcionam um padrão de vida confortável. 

Frequentemente, as pessoas tentam ficar com um “pé em cada barco” - manter sua fé mas preservar seus hábitos de vida em desacordo com a vontade de Deus. Mas é impossível manter dois barcos sujeitos a uma correnteza juntos - ou a pessoa escolhe um deles ou acaba na água.

O terceiro tipo de desajuste nasce da falta de confiança em Deus porque a pessoas querem estabelecer como Ele vai agir - até o milagre que vai fazer. De certa forma, as pessoas querem "ensinar Deus a ser Deus". Querem manter o controle sobres suas vidas, esperam que as coisas aconteçam da forma que entendem ser a melhor. Esse tipo de pessoa até entrega seus problemas para Deus, mas 5 minutos depois se arrepende e pega os problemas de volta. 

As consequências desse comportamento são insegurança, ansiedade e dúvidas, coisas muito difíceis de enfrentar e superar. 

O que fazer
Já vivi desajustes nos três componentes da fé. Sei por experiência própria que não é fácil avançar. E que os avanços nas três áreas não costumam ser equivalentes - é possível avançar bastante num aspecto e empacar no outro. 

Quando eu era jovem, achava que já conhecia a Bíblia o suficiente e, em consequência dessa posição arrogante, acreditava num Deus que existia apenas na minha mente. Demorei a me convencer a estudar a Bíblia, o que somente fui fazer a partir dos 37 anos, depois de dar muitas cabeçadas na vida. Hoje, duas décadas e meia depois, acredito que já sei algumas coisas, mas estou sempre aprendendo e continuo de mente aberta para que o Espírito Santo me ensine mais e mais.

Acredito que essa deva ser a disposição de quem busca crescer na fé: comprometimento para estudar a Palavra de Deus e humildade para saber que nunca será possível entender tudo.

Quando passei a estudar a Bíblia com seriedade, vi que diversos hábitos de vida arraigados que eu tinha não eram adequados para um cristão - por exemplo, criticar (julgar) o próximo, recusar-me a perdoar quem tinha me ferido ou dar mais atenção às coisas materiais do que as relacionadas com Deus.

Tive que ir me rendendo aos poucos, aceitando essas verdades progressivamente, um “setor” da minha vida por vez. Acho que avancei mas ainda estou longe de concluir esse processo de mudança. E a mesma luta que enfrento também é a sua luta.

Finalmente, eu achava que podia controlar minha vida. Pedia ajuda a Deus mas para fazer exatamente aquilo que eu achava ser o melhor. Hoje sinto grande alívio em descarregar meus problemas nas mãos de Deus. É claro que sofro recaídas, mas acredito que avancei.

Aprendi também a orar pedindo a Deus que faça sua vontade na minha vida e na vida daqueles que amo. Ao invés de dizer para Deus o que espero que Ele faça - mesmo que aparentemente seja uma coisa boa, que conte com sua aprovação -, peço que Ele comande o processo.

E essa postura de maior confiança em Deus somente chegou para ficar na minha vida quando vivi determinadas situações onde "havia problemas de mais para Vinicius de menos”, conforme confessei para meu pai numa conversa que tive com ele. E essa outra postura ante Deus mudou a minha vida para sempre e pode mudar também a sua.

Com carinho

2 comentários:

  1. Ora, saudações!

    Acho que entende, e que os seus leitores também entenderam, que esse versículo que transcreveu não é mais que um absurdo epistemológico e toda a sua publicação é uma larga racionalização desse absurdo?

    http://www.significados.com.br/fe/

    O mais interessante é o que o título da sua publicação “COMO A GENTE FAZ PARA TER FÉ” sugere que esse processo de validação de conhecimento é algo que deveria ser utilizado e honrado como brilhante! Não é, como deve perceber. Não é brilhante e não deve ser honrado como tal na minha opinião. Promover um processo de validação de conhecimento que se sustenta na convicção pessoal do que se espera sem demonstrabilidade factual é ingenuidade e eleva a pura subjetivdade.
    Tem consciencia que somos cerca de 7 biliões de pessoas no planeta, e se ocorre que na pior das hipóteses existem 7 biliões de convicções diferentes sobre coisas que esperamos e factos que não se vêem, como vamos decidir o que é real, separar o trigo do joio. Fé...brilhante...
    Quando refere os componentes da fé de Martinho Lutero, a segunda e a terceira componente não são alcançadas porque a primeira, “A fé começa pelo entendimento de determinadas verdades”, como argumenta, é passível de elevada refutação por via empírica no que diz respeito às “...determinadas verdades” cristãs que sugere.

    Eu não comento muitas suas publicações porque básicamente você aceitou como VERDADE a bíblia em FÉ e assim se contextualiza em algo nebuloso e contraditório ainda que você tente sempre racionalizar as contradições. E assim todas as suas publicações sustentam-se implicitamente numa argumentação circular: Porque é que o Deus cristão existe? Porque está escrito na bíblia! E porque devemos aceitar a bíblia como verdadeira quando está cheia de contradições? Porque foi inspirada por Deus e escrita por homens! Feliz daquele que acredita sem ver pois as portas do reino eterno estarão abertas...
    O mesmo é verdade para as presumíveis “doutrinas estranhas”, ou estranhas ao cristianismo: Islamismo, Budismo, Hinduismo, o paganismo, etc. Enfim, “doutrinas estranhas”...Apenas a doutrina cristã foi de forma factual e demonstrável como verdade provada.

    Acho muito interessante que tenha escrito “insegurança, ansiedade e dúvidas, coisas muito difíceis de enfrentar e superar.”. Essa é uma das condições inerentes ao Humano quando na presença da ignorância ou se sentem que não conseguem de forma autónoma estabelecer um propósito de vida pessoal ainda que respeitando os demais. Buscam por meios externos ou supra-externos um peso e uma medida que lhes conforte as emoções e lhes dê um propósito maior para todo este fardo mundano.

    Um dia alguém disse:
    “Toda a fé verdadeira é infalível. Realiza o que a pessoa de fé espera encontrar. Mas não oferece o mínimo de suporte para estabelecer um verdade objetiva. Aqui os métodos do Homem se dividem. Se queres alcançar paz de espírito e felicidade, tem fé. Se queres ser um discípulo da verdade, então procura.”

    Saudações!

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  2. Senhor, caso possa me mande um email. Fiquei encantado com a maneira que manuseaste suas palavras. Tenho 18 anos, mas seria de muita honra caso pudesse aprender com alguém mais experiente que eu. Caso tenha disponibilidade e vontade, mande-me um email: jonathas1804@gmail.com

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