terça-feira, 19 de janeiro de 2016

JESUS ESCOLHE OS APÓSTOLOS

O conceito de discípulo na época de Jesus era diferente do atual. Hoje, "discípulo" é mais ou menos como um "aluno", na época de Jesus significava "aprendiz". Na época de Jesus, a educação do discípulo incluía ensiná-lo uma nova forma de viver, muito mais do que apresentar-lhe conhecimentos.

Naquela época, eram os discípulos (ou suas famílias) que escolhiam seus mestres. Mas com Jesus, o convite sempre partiu d´Ele mesmo. Parece ser que as pessoas, por si mesmas, não são capazes de tomar a iniciativa de seguir Jesus. Sempre é preciso haver um convite. 

A escolha dos discípulos
Jesus chamou muitas pessoas para segui-lo. Alguns aceitaram (Pedro, João, Tiago, etc), enquanto outros, como o jovem rico, não (Mateus capítulo 19, versículos 16 a 22). 

Em dado momento do seu ministério, Jesus resolveu escolher doze, dentre os discípulos, para uma função especial, apóstolo, que quer dizer "testemunha" ou "enviado". 

Ficou com esses doze homens a responsabilidade de acompanhar Jesus em todos os momentos e depois, quando Ele voltasse para junto do Pai, transmitir para as demais pessoas os ensinamentos recebidos. 

Vem desse papel diferenciado a chamada autoridade apostólica que esses doze homens passaram a ter junto à comunidade cristã, o que lhes deu condições de influir aspectos importantes da sua vida, inclusive definir quais textos deveriam ser (ou não) incluídos no Novo Testamento.

O número doze era simbólico para a cultura judaica, pois tinha a ver com o número de tribos que formaram o povo de Israel. Em outras palavras, a mensagem que Jesus passou para as pessoas, ao escolher doze apóstolos, foi que nascia ali um "novo Israel" (a igreja cristã), embora naquele momento isso não tivesse ficado claro, nem para os próprios apóstolos.

Quem foram os apóstolos?
A sabedoria humana diz que quando o(a) novo(a) dirigente de uma grande empresa ou governo toma posse, ele(a) deve procurar escolher os(as) melhores auxiliares. Mas é uma surpresa perceber que não foi bem isso que Jesus fez. Ele escolheu um punhado de homens que pareciam ter pouca qualificação (Mateus capítulo 10, versículos 2 a 4), como detalhado a seguir:
  • André, simples pescador e irmão de Simão Pedro. Foi discípulo de João Batista.
  • Simão, também conhecido como Pedro, simples pescador. Era muito impulsivo. 
  • João, filho de Zebedeu. Também era pescador e dividia o negócio de pesca com seu irmão, Tiago, e os irmãos Pedro e André. A tradição o considera como o discípulo amado por Jesus (João capítulo 13, versículos 21 a 23). Foi o único discípulo homem que esteve aos pés da cruz de Jesus.
  • Tiago, irmão de João. Foi o primeiro apóstolo a ser martirizado por sua fé.
  • Tiago, filho Alfeu e irmão de Judas Tadeu. Não se sabe muito mais sobre ele.
  • Judas Tadeu (ou Alfeu), irmão de Tiago. Era um nacionalista extremado e pouco mais se sabe sobre ele.
  • Mateus, também conhecido como Levi, era coletor de impostos. Por causa da sua profissão, sabia ler e escrever bem, o que era raro naquele tempo.
  • Filipe, provavelmente também pescador. Foi discípulo de João Batista.  
  • Tomé, também chamado de Dídimo, foi o discípulo que duvidou da ressurreição de Jesus. Pouco mais se sabe sobre ele.
  • Simão Zelote, era um nacionalista radical e fez parte do grupo dos Zelotes, que até cometia crimes políticos contra os apoiadores da dominação romana.
  • Bartolomeu, também conhecido como Natanael. Não temos muitas informações sobre ele.
  • Judas Iscariotes, aquele que traiu Jesus. Provavelmente também participou do movimento radical dos Zelotes. Foi tesoureiro do grupo de Jesus e roubou os fundos a seu cuidado. Traiu Jesus e, depois, arrependido, enforcou-se.
Jesus não escolheu como apóstolo nenhum homem famoso ou importante, como também nenhum conhecido  do período em que viveu em Nazaré, e nem mesmo um familiar - afinal, ele foi rejeitado por quase todas essas pessoas (veja mais). Não escolheu também nenhum sacerdote, escriba ou rabino, pessoas mais preparadas e já ligadas, de alguma forma, à estrutura da religião judaica. 

Procurou outro tipo de gente pois queria renovar. A maior parte dos escolhidos era formado por  pescadores, pessoas trabalhadoras, fortes fisicamente, mas com pouco preparo intelectual. Somente um dos apóstolos tinha melhor formação (Mateus), mas, por outro lado, como todo coletor de impostos, era odiado por quase todos e considerado homem pecador - nos dias de hoje, seria como se Jesus tivesse convidasse para integrar seu grupo de apóstolos um político notoriamente corrupto.

Vários dos apóstolos eram consideradas pessoas violentas, como João e Tiago, apelidados pelo próprio Jesus de "filhos do trovão" (Marcos capítulo 3, versículo 17). Outros, como Simão Zelote e Judas Iscariotes, eram nacionalistas ferrenhos e entendiam que a única forma de Israel ficar livre dos romanos seria através da força - e valia tudo para conseguir isso, até assassinatos.

Foram esses homens com pouca formação intelectual e com currículo de violência que foram chamados para aprender sobre o amor de Deus. Quanta ironia!

Mas, é claro que Jesus acertou na escolha que fez. Afinal, o acerto de uma escolha é sempre definido pelos resultados obtidos. E, no caso dos apóstolos, o sucesso foi inimaginável: com exceção de Judas Iscariotes, os demais apóstolos se converteram em verdadeiros homens de Deus e deram contribuição inestimável para levar o Evangelho de Jesus a muitas pessoas, dando origem a um movimento religioso que hoje tem mais de 2 bilhões de seguidores.

Agora, isso tudo prova que as escolhas de Deus são muito diferentes daquelas feitas pelos seres humanos. Elas nos surpreendem e até chocam. A razão para isso é que Deus olha para o interior das pessoas e não para as aparências, como nós. Aparências nada significam para Ele, o que interessa mesmo é o coração das pessoas. 

Acredito que essa seja uma grande lição para todos nós.

Com carinho 

2 comentários:

  1. Em joao 6:66, cita que muitos discipulos deixaram Jesus, ficando somente os 12. Em qual momento ocorreu?

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    1. Esse fato ocorreu depois do primeiro milagre de multiplicação dos pães e da morte de João Batista, quando vários dos seus discípulos se juntaram ao grupo de Jesus, como vemos relatado em Mateus capítulo 14. Provavelmente foram esses os discípulos que se escandalizaram e abandonaram Jesus, quando Ele começou a pregar coisas que não foram do agrado daquelas pessoas.

      Vinicius

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