quinta-feira, 14 de abril de 2016

DOIS ERROS NÃO FAZEM UM ACERTO

A matemática ensina que aplicar dois sinais negativos (menos) a um termo duma equação equivale a um sinal positivo (mais). Os dois sinais negativos se anulam mutuamente e acabam produzindo um resultado positivo.

Muita gente tenta usar o mesmo conceito na sua vida: pensam que dois erros cometidos em sucessão, quando o segundo erro busca corrigir o primeiro, podem gerar um acerto. Não podem. 

Isso não funciona e só torna as coisas piores - o segundo erro potencializa as consequências negativas do primeiro. E há exemplos desse tipo de situação em todos os campos da vida.

Por exemplo, há muitos relatos aqui no blog de pessoas que se casaram, sem querer fazer isso, apenas para corrigir uma gravidez indesejada. Com o tempo essas pessoas acabam percebendo que entraram numa relação profundamente infeliz e estão pagando preço muito alto ao mantê-la. 

Melhor teria sido que os pais tivessem assumido a criança e encontrado uma forma de colaborar para seu sustento e educação. É claro que quando os pais têm certeza e maturidade suficientes para assumir o casamento, essa é a solução ideal. Mas quando essas condições não existem, o casamento apressado vira um novo problema que somente vai piorar as coisas.     

A política brasileira também comprova que tentar corrigir um erro com outro gera consequências ruins. Por exemplo, o governo federal periodicamente passa pela necessidade de enfrentar o deficit crescente das contas públicas, porque gasta mal e demais. Aí, ao invés de fazer os cortes nos seus gastos e trabalhar para tornar a máquina governamental mais eficiente, tenta tapar o buraco com novos impostos, para conseguir arrecadar mais.

Ora, novos impostos tiram dinheiro da mão das pessoas e das empresas e o joga no colo do governo que não sabe gastá-lo bem. E como o aumento da arrecadação maquia a situação por um tempo, o governo acaba sem incentivo para melhorar. Por causa disso, nos últimos 20 anos, a carga de impostos no Brasil cresceu 50% e o governo continua com um deficit terrível e os serviços públicos continuam muito ruins.  

A Bíblia traz inúmeros exemplos também. Um deles aconteceu com o rei Davi, quando ele engravidou Bate-Seba, esposa do seu capitão da guarda, Urias. Tentou esconder o mal feito, procurando fazer com que Urias pensasse ser o pai da criança. Como isso não foi viável, mandou matar Urias e casou-se com Bate-Seba. 

Davi pensou que o segundo erro iria evitar que o primeiro erro gerasse um terrível escândalo. E os resultados foram desastrosos: o escândalo estourou da mesma forma, o bebê morreu e Davi foi severamente punido por Deus. Teria sido muito melhor que Davi tivesse se arrependido e assumido o primeiro erro, enfrentando suas consequências. 

Outro bom exemplo é Judas: traiu Jesus, que acabou preso e martirizado pelos Romanos. Ele arrependeu-se do que tinha feito e suicidou-se, roído por remorsos. Tentou corrigir a traição com um segundo erro (o suicídio) e perdeu-se. Acabou condenado-se ao inferno.

Não é difícil de encontrar a mesma situação em igrejas. Por exemplo, há pastores(as) que não têm suficiente conhecimento teológico para enfrentar os desafios do mundo atual - discutir, especialmente com os(as) jovens, coisas como as mudanças geradas pelas redes sociais ou o afrouxamento dos princípios morais. Esses pastores(as), como não se sentem seguros(as) para discutir livremente as ideias que circulam por aí e ainda assim conseguir colocar as pessoas no caminho certo, cortam todo o debate e passam a atuar como pequenos(as) ditadores(as). Tentam corrigir sua falta de preparo teológico, o erro inicial, através do controle excessivo, erro ainda pior. 

A Bíblia ensina que os erros devem ser reconhecidos e a pessoa precisa fazer esforços para superá-los, passando a agir da forma certa. Qualquer outra atitude somente torna as coisas ainda piores. 

Esse é um enorme desafio para você e para mim. Frequentemente, a solução mais fácil parece ser cometer um novo erro, para conseguir superar as consequências do erro anterior. Por exemplo, parece ser mais fácil mentir uma segunda vez para esconder uma mentira anterior.  

Mas não é possível viver uma vida cristã plena sem conseguir superar tal desafio. Simples assim.

Com carinho 

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