terça-feira, 7 de junho de 2016

CONHECEMOS O VERDADEIRO TEXTO DA BÍBLIA?

O Velho Testamento foi escrito entre mais ou menos 1.450 e 200 AC (Antes de Cristo). O Novo Testamento foi todo escrito na segunda metade do século I da nossa era. Assim, passaram-se muitos séculos entre o momento em que os textos da Bíblia foram escritos até hoje.

Evidentemente não dispomos mais dos originais da Bíblia. O que temos são cópias de cópias de cópias dos originais, a maior parte dessas cópias feitas manualmente. Para o Velho Testamento, as cópias mais antigas hoje disponíveis datam de 2.100 anos atrás. Já para o Novo Testamento, as cópias mais antigas tem cerca de 1.700 anos.

Acabei de me referir a cópias manuais porque durante a maior parte do tempo os textos da Bíblia foram disseminados dessa forma. Somente cerca de quinhentos anos atrás apareceu o recurso da impressão, que mudou totalmente as regras do jogo. Esse novo recurso, além de ser muito mais eficiente do que o método manual, garante a integridade do texto quando copiado. Isto porque copistas podem, até sem querer, introduzir erros (por exemplo, trocar uma palavra por outra) ao fazer seu trabalho, coisa que não acontece quando máquinas imprimem cópias de um texto.

Assim, durante boa parte da sua história, os textos bíblicos foram disseminados através de cópias manuais, bem mais sujeitas a erros e nasce aí a dúvida quanto à integridade dos textos de que dispomos hoje. Será que esse processo de múltiplas e sucessivas cópias manuais não acabou por "corromper" o conteúdo original? Será que o texto atual é realmente igual ao original?  

A resposta para essas perguntas é fundamental pois acreditamos ser a Bíblia a Palavra de Deus e assim reconhecemos no seu texto uma autoridade inigualável. Mas tala autoridade está restrita ao conteúdo original, aquele que acreditamos ter sido inspirado pelo Espírito Santo. Se esse conteúdo foi alterado, mesmo que sem querer, por conta do processo de sucessivas cópias manuais ao qual me referi acima, o conteúdo atual não tem mais a mesma autoridade.

Em outras palavras, não poderíamos usar o conteúdo da Bíblia de que dispomos hoje como nossa regra de fé por ela não mais ser aquilo que foi inspirado pelo Espírito Santo. Simples assim. E é essa a crítica que muita gente faz ao cristianismo.

Mas eu quero tranquilizar você: há muitos argumentos fortes apoiando a integridade do conteúdo que hoje temos da Bíblia. Não tenho espaço para discutir todos eles aqui, assim, vou me concentrar em apenas dois deles.

Primeiro, as cópias eram feitas com muito cuidado porque o texto da Bíblia era considerado sagrado pelos copistas - nenhum escriba bem intencionado iria querer introduzir erros num conteúdo atribuído a Deus. 

E é fácil comprovar que isso é verdade: basta comparar o conteúdo de dois conjuntos de cópias de determinados textos da Bíblia feitos em momentos diferentes da história. Quanto maiores forem as diferenças entre os dois conjuntos, maior terá sido a “contaminação” (introdução de erros propositais ou não) durante o processo de fazer cópias.  

Ora, a prática comprova que o processo de "contaminação" é mínimo, desprezível mesmo. Por exemplo, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, foram encontrados alguns manuscritos perto do Mar Morto - tratava-se de uma cópia quase completa do conteúdo do Velho Testamento feita cerca de 2.000 anos antes. Quando o conteúdo dessa cópia foi comparado com o atual do Velho Testamento, ficou evidente que as diferenças eram mínimas. Mais de dois mil anos fazendo cópias de cópias de cópias não foram capazes de corromper o texto da Palavra de Deus

As diferenças se resumiam a poucas palavras aqui ou ali e nenhuma delas acaba por gerar dúvida sobre os ensinamentos fundamentais do Velho Testamento.

Segundo, existem mais manuscritos do conteúdo da Bíblia do que de qualquer outro texto antigo - por exemplo, há cerca de 24.000 cópias manuais do Novo Testamento e apenas sete dos textos do grande filósofo Aristóteles. 

Ora, o processo de fazer cópias manuais gera "famílias" de manuscritos. Isso porque se alguém introduz um erro numa determinada cópia, esse mesmo erro será reproduzido nas novas cópias que vierem a ser feito a partir desse manuscrito modificado. E evidentemente somente as cópias feitas a partir do mesmo manuscrito modificado, ou seja somente as cópias pertencentes a uma mesma "família", irão conter o mesmo erro. 

Assim, quanto mais cópias de um determinado conteúdo existirem, mais "famílias" de cópias dele irão existir. E é evidente que os erros presentes em cada uma dessas "famílias" de cópias nunca serão os mesmos, pois terão nascido de erros no trabalho de copistas diferentes, cometidos em momentos distintos da história. 

E comparando entre si o conteúdo de "famílias" distintas de cópias será possível identificar exatamente onde estão os erros de cada uma delas. Ou seja, existe um processo para controlar a qualidade de uma determinada cópia do texto bíblico. Basta compará-lo com o conteúdo de outras "famílias" de cópias e identificar onde a cópia em análise difere de todas as demais - aí estão os eventuais erros dela. 

Naturalmente, quanto mais manuscritos de determinado conteúdo existirem, mais efetivo será esse tipo de controle. Como o Novo Testamento conta com 24.000 manuscritos, é possível fazer um controle de qualidade dele muito melhor do que da obra de Aristóteles, que conta com apenas sete conjuntos de cópias e não há como questionar essa argumentação.

E é interessante notar que praticamente nenhum(a) estudioso(a) de texto antigo questiona a integridade do conteúdo da obra de Aristóteles disponível hoje em dia, mas muitos(as) têm dúvida sobre a Bíblia, o que demostra claramente o preconceito existente. 

O fato é que o controle de qualidade sobre o conteúdo disponível da Bíblia é muito efetivo e isso também transmite grande segurança quanto à integridade do conteúdo bíblico de que dispomos hoje. 

E tanto esse controle funciona bem que nos exemplares atuais da Bíblia os editores do texto costumam indicar os pontos de dúvida no seu conteúdo, o que é feito colocando as palavras do texto questionadas entre colchetes.

Concluindo, nenhum texto antigo foi tão avaliado pelos mais diversos especialistas do que a Bíblia. E o conteúdo dela de que dispomos hoje passou nesses testes com louvor - as discrepâncias encontradas são muito pequenas e nenhuma envolve um aspecto essencial da nossa fé. 

É claro que isso não quer dizer que não continue a haver quem desconfie e questione o conteúdo da Bíblia de que dispomos - como comentei antes, existem muitos preconceitos e esses são quase impossíveis de eliminar.

Mas podemos ter certeza de que dispomos de um texto confiável, que realmente preserva a autoridade do original inspirado pelo Espírito Santo e pode sim ser usado como regra de fé para nossas vidas. 

Com carinho

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