segunda-feira, 14 de novembro de 2016

AS ESCOLHAS ESTRANHAS DE DEUS...

O povo de Israel sofria num cativeiro cruel no Egito, quando Deus mandou um libertador. Esse homem foi Moisés, que liderou o povo de israel durante mais quarenta anos. 

A escolha de Moisés, quando olhada de fora, parece fazer todo sentido. Afinal, ele tinha sido criado como príncipe no Egito e, portanto, era muito mais preparado do que todos os demais israelitas, que sempre tinham vivido como escravos. 
Mas um caso como esse, onde Deus escolheu uma pessoa que parece adequada dentro dos padrões humanos, é a exceção. A regra, conforme os relatos bíblicos, é Deus fazer escolhas que parecem estranhas aos nossos olhos. Muito estranhas mesmo. E vou dar alguns exemplos:

João Batista foi o profeta escolhido por Deus para antecipar o ministério de Jesus. Ele era uma figura muito esquisita: morava no deserto, alimentava-se de gafanhotos e mel e vestia-se de pele de camelo. 

Imagine encontrar um pessoa como ele, cheirando muito mal (certamente ele passava longo tempo sem tomar banho), com barba e cabelo desgrenhados e olhar fixo. Confesso que se eu encontrasse alguém assim, provavelmente fugiria assustado.

O que dizer, então, dos apóstolos chamados por Jesus. Um deles, Mateus (Levi), era coletor de impostos (publicano). Naquela época, as pessoas tinham horror dos coletores de impostos por uma razão muito simples: eles exploravam impiedosamente o povo.

Os dominadores romanos escolhiam os coletores de impostos com base nas ofertas que recebiam de pessoas interessadas nessa função. Quem oferecia mais, levava o cargo. Simples assim.

Ora, um judeu somente se interessava por essa função se pudesse obter grandes lucro. E para conseguir isso, ele explorava as pessoas, cobrando delas impostos escorchantes, para poder pagar o valor prometido para os romanos e ainda ficar com um bom lucro.

E coletores de impostos enriqueciam, como Zaqueu, a quem Jesus visitou e converteu (Lucas capítulo 19, versículos 1 a 10). Ficavam ricos com base no sofrimento alheio, parecido com os políticos corruptos dos nossos dias, daqueles pegos pela operação Lava Jato.

Aí veio Jesus e escolheu um coletor de impostos para ser apóstolo. Confesso, que se eu visse um pastor escolher um político corrupto para assessorar seu ministério, passaria a olhar esse pastor com desconfiança. Acredito que você faria o mesmo. E certamente muitos dos contemporâneos de Jesus também pensaram assim.

Jesus escolheu tambem pescadores para serem apósotolos - quatro deles (Pedro, André, João e Tiago), para ser preciso.

Pescadores eram homens rudes e até agressivos - o apelido que João e Tiago tiveram ("filhos do trovão", segundo Marcos capítulo 3, versículos 16 e 17) certamente não se deveu a serem gentis e suaves.

Pescadores também eram pouco letrados estudados assim não pareciam ser as pessoas ideais para discutir questões teológicas, como passaram a fazer, ao acompanhar Jesus. 

Mesmo assim Jesus escolheu esses quatro pescadores e dois deles (Pedro e Tiago) vieram a ser figuras fundamentais no início da vida da Igreja cristã. 

E o que dizer de Judas Iscariotes, homem corrupto e traidor? E Simão, o Zelote, que pertencia a uma seita de judeus que pregava a resistência violenta ao domínio romano? 

Certamente, se eu estivesse lá teria achado as escolhas de Jesus estranhas, muito estranhas. Chegaria a pensar que corria o risco de colocar o próprio ministério em risco ao se cercar de gente desse tipo - basta lembrar do ditado "dize-me com quem andas que dir-te-eis quem és".
E é surpreendente que o cristianismo tenha se desenvolvido da forma como fez, a partir desse tipo de gente. Menos de trezentos anos depois da morte de Jesus, tornou-se a religião oficial do Império Romano. 
Há dois ensinamentos muito importantes para nós nessa discussão. Primeiro, nós escolhemos errado. As escolhas de Deus parecem estranhas para nós simplesmente porque usamos critérios diferentes.
Olhamos para o exterior e deixamos nos levar pelas aparênciad. Deus olha para o interior da pessoa e vê o que de fato existe ali. Evidentemente nossos critérios é que estão errados. Nossas escolhas é que são estranhas.
O segundo ensinamento é o seguinte: ninguém deve se considerar incapaz ou indigno de fazer a obra de Deus. Quando Ele chama alguém para fazer sua obra, capacita essa pessoa, dando-lhe condições para cumprir sua missão com sucesso.
Cabe a quem é chamado por Deus, simplesmente dizer: "eis me aqui, envia-me a mim".  
Com carinho

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