quinta-feira, 24 de novembro de 2016

É PRECISO ACERTAR TANTO NA FORMA COMO NO CONTEÚDO

Persegui os seguidores deste Caminho [os cristãos] até a morte, prendendo tanto homens como mulheres e lançando-os na prisão, como o podem testemunhar o sumo sacerdote e todo o Conselho, de quem cheguei a obter cartas para seus irmãos em Damasco. E fui até lá, a fim de trazer essas pessoas a Jerusalém como prisioneiras, para serem punidas. Por volta do meio-dia, aproximava-me de Damasco, quando de repente uma forte luz vinda do céu brilhou ao meu redor. Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: "Saulo, Saulo! Por que você me persegue?" Atos dos Apóstolos capítulo 22, versículos 4 a 8
O texto acima conta a história da conversão de Paulo, quando pela estrada de Jerusalém para Damasco. Sua ideia era liderar a perseguição aos cristãos na segunda cidade. Foi quando teve uma visão de Jesus e acabou se convertendo.

A missão de Paulo em Damasco tinha sido sancionada pelos líderes religiosos judeus, conforme ele mesmo disse, daí as cartas de autorização que levava consigo. Paulo ia fazer uma ação respeitando a forma correta, pois estava devidamente autorizado por quem de direito. Mas é claro que o conteúdo dessa ação estava totalmente errado, conforme Jesus lhe disse.

Em resumo, Paulo ia fazer uma ação errada mesmo usando a forma certa. E certamente iria cometer um pecado terrível.

Agora, imagine que o mesmo Paulo estivesse indo para Damasco para perseguir um criminoso terrível, mas tivesse resolvido fazer isso sem consultar ninguém, portanto sem ter recebido autorização a necessária. Isso seria semelhante à situação em que um policial conduz uma busca na casa de um bandido, sem o necessário mandato judicial.

A situação, nesse segundo caso, seria a oposta do primeiro: Paulo estaria fazendo a coisa certa (combater um bandido) mas usando a forma errada (agindo sem a autorização adequada). E isso também teria sido errado. 

Esses exemplos comprovam que nossos atos, para trazerem resultados positivos, precisam respeitar duas condições: a forma certa e o conteúdo correto.

Encontramos a toda hora situações práticas em que uma ou outra dessas condições não é atendida e os resultados são sempre ruins. Um exemplo muito adequado é a operação chamada "Castelo de Areia" da Polícia Federal, cujo foco era uma grande empreiteira envolvida na corrupção de políticos(as).

Essa operação foi uma espécie de precursora da "Lava Jato", mas seu resultado foi totalmente diferente. Ela fracassou pois foi totalmente anulada pelo Supremo Tribunal Federal. E a razão para isso foi simples: ela nasceu da forma errada.

A primeira escuta telefônica, que puxou o fio da meada da corrupção, foi autorizada por um juiz a partir de uma denuncia anônima, o que é irregular. E a partir daí, tudo o que decorreu dessa escuta tornou-se irregular e caiu por terra. A coisa certa - uma operação para combater a corrupção - fracassou porque foi usada a forma errada - uma escuta telefônica ilegal. 

Usar a forma correta, portanto, é importante e não somente no meio jurídico, mas em quase todos os demais campos da vida humana, incluindo a religião.

Assim, não foi por acaso que, no livro do Êxodo, Deus definiu inúmeros detalhes de como o culto religioso dos judeus deveria ocorrer, incluindo coisas como a arquitetura do Templo de Jerusalém, as festas religiosas que precisariam ser respeitadas, qual o papel dos sacerdotes nelas e assim por diante.

A forma é importante e por isso os cultos seguem uma liturgia, isto é uma definição de como devem ser conduzidos e por quem.

Agora, a forma não é tudo, como o caso de Paulo acima bem demonstrou. Ele tinha as necessárias cartas de autorização e ainda assim estava errado, pois o conteúdo de suas ações, aquilo que ia fazer, estava errado.

Fazer a coisa errada, mesmo que da forma certa, também é caminho para o desastre. E há outro exemplo muito bom desse mesmo tipo de situação na Bíblia, no seguinte texto:
Eu odeio e desprezo suas festas religiosas. Não suporto suas assembleias solenes. Mesmo que vocês me tragam holocaustos e ofertas de cereal, isso não me agradará. Mesmo que me tragam as melhores ofertas de comunhão, não darei a menor atenção a elas. Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras. Amós capítulo 5, versículos 21 a 23
Nesse texto, Deus advertiu o povo, através do profeta Amós, que as cerimônias religiosas, embora corretas na forma, já que seguiam a liturgia estabelecida, ainda assim era insuportáveis para Ele. O problema era o seu conteúdo: não eram feitas de forma sincera pois eram hipócritas. Pareciam corretas, quando se olhava apenas a forma, mas não agradavam a Deus. 

A forma correta escondendo um conteúdo errado infelizmente é um problema muito comum nas igrejas cristãs. Por exemplo, quando Martinho Lutero pediu ao Papa que reformasse a Igreja Católica, ele estava lutando com um problema desse tipo: a Igreja conduzia cerimônias belíssimas, em templos ricamente decorados, apoiadas por música inspirada. Mas faltava-lhes o conteúdo correto: a doutrina apresentada era absurda, ensinando, por exemplo, que a salvação podia ser comprada (as indulgências).

Problema semelhante acontece hoje em dia em várias igrejas evangélicas, cujos cultos ensinam que Deus prometeu prosperidade para as pessoas, especialmente para aquelas que contribuírem generosamente.

Uma ação somente gerar bons resultados se tiver forma e conteúdo adequado. Quando for feita a coisa correta da forma certa. Por exemplo, se for você for conversar com alguém, para convencer essa pessoa a mudar sua vida pecaminosa, é preciso ensinar a coisa correta (falar da Graça de Deus que permite o perdão dos pecados), mas também usar a forma certa (como um tom de voz e palavras educados).

Forma e conteúdo andam juntos e são ambos necessários para conseguir os resultados desejados. Simples assim.

Com carinho

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